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Direito Tributário - Aula 1 - Tributo

Direito Tributário - Aula 1 - Tributo

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03/12/2012

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AULA 1: TRIBUTO 
1.2. CONCEITO DE TRIBUTO
Em nossa aula inaugural vimos alguns conceitos introdutóriosrelacionados à classificação didática do Direito Tributário e vimos,também, a estrutura geral de uma relação jurídica tributária típica,incluindo os seus elementos integrantes.Podemos, hoje, partir direto para a definição de tributo.Uma dica para concursos públicos, válida para qualquer matéria:sempre que nós tivermos na lei uma definição de algum instituto jurídico, devemos nos concentrar apenas nela. Isto é, quando existe umconceito legal de qualquer coisa, não têm interesse, para nós, conceitosdoutrinários divergentes dele. Não há dúvida de que nas questões demúltipla escolha da ESAF e do CESPE será adotada sempre a definiçãoda lei.Pois bem, ocorre exatamente isso com o conceito de tributo. Como oCTN é uma lei de normas gerais, prevista no art. 146 da Constituição, écomum encontrarmos nele uma porção de definições. Assim, logo noart. 3º, o Código conceitua tributo, nestes termos: “Art. 3º Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda oucujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de atoilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativaplenamente vinculada.” Todos os livros de Direito Tributário, depois de transcreverem o art. 3ºdo CTN, partem para uma análise dos elementos integrantes dadefinição. Vamos fazer a mesma coisa:1) Tributo é prestação pecuniária.Pecuniária significa “em dinheiro”. Como vimos, as obrigaçõestributárias de dar (“dar dinheiro”) são as mais importantes do DireitoTributário, ditas, por isso, obrigações principais.O tributo não é a única obrigação principal existente no DireitoTributário. As penalidades pecuniárias (multas tributárias) também sãoobrigações principais e não são tributos, conforme veremos maisadiante.2) Tributo é uma prestação compulsória.Como vimos, o Direito Tributário é ramo do Direito Público. Por força doprincípio da supremacia do interesse público, é possível, no DireitoTributário, a imposição unilateral de obrigações, independentemente davontade do obrigado. Na verdade, é óbvio que se o tributo não fossecompulsório, simplesmente ninguém pagaria!
 
 
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3) Tributo é uma prestação em moeda ou cujo valor nela se possaexprimir.Não é muito fácil interpretar a parte final dessa frase. Que tributo éprestação em moeda nós já sabíamos. Isso é sinônimo de “prestaçãopecuniária”. Não é fácil enxergar o que o CTN quis dizer com “ou cujovalor se possa exprimir em moeda”.Alguns vêem aí autorização para quitação de tributos mediante entregade bens (a chamada “dação em pagamento”). Na minha opinião, isso émeio forçado... Na verdade, só em 2001 foi acrescentada ao Código,pela Lei Complementar 104/2001, a possibilidade teórica de quitar umtributo mediante “dação em pagamento em bens imóveis” (CTN, art.156, XI). E, para mim, esse acréscimo não tem nada a ver com oconceito de tributo. A verdade é que uma lei complementar, sendoinstrumento hábil para tratar de normas gerais tributárias, podeperfeitamente criar hipóteses de extinção de tributos,independentemente do conceito geral de tributo. Foi o que a LC104/2001 fez!Pois bem, outro autores acham que essa história de “ou cujo valor sepossa exprimir em moeda” significa apenas autorização para utilizaçãode indexadores para expressar valor de tributos, como a União fazia,antes do Plano Real, com a UFIR, e muitos municípios ainda fazem, comUNIFs e outros indexadores assemelhados. Assim, quando existia aUFIR, em vez de dizer, por exemplo, que Fulano devia cem mil cruzeirosde imposto de renda, dizia-se que ele devia quinhentas UFIR. Avantagem, para o Governo, de usar indexadores é que, em época deinflação alta, fica assegurada a manutenção do valor real do tributo apagar. Eu concordo com essa posição, de que o “ou cujo valor se possaexprimir em moeda” significa autorização para o uso de indexadores.Outra interpretação é de que a expressão “ou cujo valor se possaexprimir em moeda” implica autorização para pagamento de tributo comtítulos da dívida pública. Acho também aceitável essa interpretação.Basta lembrarmos que existe um (e somente um) tributo federal quepode ser, em parte, pago com títulos de dívida pública: trata-se dapossibilidade de pagar 50% do ITR (imposto territorial rural) com títulosda dívida agrária (TDA).Apesar de toda essa discussão, minha opinião firme é de que não vão,nunca, em uma questão de múltipla escolha, perguntar o que quis oCTN dizer com “ou cujo valor nela se possa exprimir”. Portanto, não sepreocupem em interpretar o que não tem, e nunca terá, interpretaçãoconsensual!4) Tributo não é sanção de ato ilícito.
 
 
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Esse é o elemento fundamental que me permite distinguir um tributo deuma multa tributária. Todo o resto das definições de tributo e de multacoincide.É verdade. O que é uma multa tributária?É uma prestação pecuniária compulsória, instituída em lei, que constituisanção de ato ilícito. É, da mesma forma, cobrada mediante atividadevinculada.Portanto, a única diferença entre tributo e multa tributária é que oprimeiro nunca é punição por um ilícito e a segunda é semprepenalidade por ato contrário à legislação tributária.Entendam bem essa parte da definição: a hipótese de incidência de umtributo nunca é um ato ilícito. Isso não quer dizer que atos ilícitos nãopossam gerar obrigações de pagar tributo. Por exemplo, se alguémobtém renda pelo exercício ilegal da medicina, a obtenção de renda éfato gerador do imposto de renda. Mas o fato gerador é a obtenção derenda, não o exercício ilegal da medicina. Ou seja, a lei nunca terá comohipótese de incidência “exercer ilegalmente um ofício”. Simplesmente alei trará como hipótese de incidência “auferir renda”. Não me interessa onegócio que deu origem à renda, porque não é esse negócio que é ahipótese de incidência. Esta nunca será um ato ilícito, mas sim um fatoeconômico neutro, independente da validade ou licitude do negócio jurídico (ou antijurídico) subjacente. Esse assunto será estudadodetalhadamente quando tratarmos do art. 118 do CTN, que traz umprincípio chamado
pecunia non olet
. Deixemos esse aprofundamentopara mais tarde.5) Tributo é prestação instituída em lei.Essa parte da definição é decorrência lógica do fato de ser o tributo algocompulsório. Como vivemos em um Estado de Direito, só a lei, que éexpressão da vontade geral, pode obrigar alguém a alguma coisa. Comoo tributo é uma obrigação, só a lei pode criar um tributo. No caso dacriação de tributo, como veremos ao estudar o princípio da legalidade,só se admite mesmo a utilização de lei ou atos com força de lei, comoas medidas provisórias. Nunca é possível, mediante ato infralegal (atosadministrativos), criar um tributo. Essa regra não tem exceção.6) Tributo é cobrado mediante atividade administrativa plenamentevinculada.Essa regra é desnecessária para a definição de tributo. Se ela nãoestivesse expressa no art. 3º do CTN, nada mudaria. Mas, como está,precisamos conhecê-la.

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