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Apostila 1 - Direito Penal - Crimes Contra a Dignidade Sexual

Apostila 1 - Direito Penal - Crimes Contra a Dignidade Sexual

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Categories:Types, Research, Law
Published by: Hannah Mariana Scatena Juliani on Mar 13, 2012
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07/04/2013

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CRIMES CONTRA A DIGNIDADE SEXUAL (ARTS. 213 A 234)
INTRÓITO
Com a entrada em vigor da Lei nº 12.015/09, o Título VI da ParteEspecial do CP, que dispõe sobre os crimes contra a dignidade sexual
1
(arts. 213 a 234-B), está seccionado em seis capítulos:Capítulo I – crimes contra a liberdade sexual (arts. 213 a 216-A);Capítulo II – crimes sexuais contra vulnerável (arts. 217-A a 218-B);Capítulo III – rapto (revogado);Capítulo IV – disposições gerais (arts. 225 a 226);Capítulo V – lenocínio e tráfico de pessoa para fim de prostituição ououtra forma de exploração sexual (arts. 227 a 231-A);Capítulo VI – ultraje público ao pudor (arts. 233 a 234); eCapítulo VII – disposições gerais (arts. 234-A a 234-B).Inicialmente, cumpre traçar um escorço cronológico das alteraçõeslegislativas provocadas nos crimes contra a dignidade sexual.A Lei nº 11.106/05 revogou os crimes de sedução (art. 217), rapto (arts.219 a 222), adultério (art. 240 do CP - crime contra a família), bem como duas causasextintivas da punibilidade. No que tange aos crimes de sedução e adultério houve
abolitio
 
criminis – 
extinção da punibilidade. Em relação ao crime de rapto passou a ser consideradoqualificadora do crime de seqüestro, os moldes do art. 148, § 1º, V, do CP.Existiam duas causas extintivas da punibilidade previstas no art. 107,VII
2
e VIII
3
do CP, relacionadas com o casamento do agente com a vítima e casamento davítima com terceiro, desde que, no último caso, o crime fosse cometido sem violência ougrave ameaça e a vítima não requeresse o prosseguimento do IP ou da ação penal no prazo de 60 dias, a contar da celebração do casamento, que foram suprimidas doordenamento jurídico penal pela Lei nº 11.106/05.Por sua vez, a Lei nº 12.015/09, dentre outras mudanças, revogou oscrimes de atentado violento ao pudor (art. 214), posse sexual mediante fraude (art. 215) eatentado ao pudor mediante fraude (art. 216), transformando-os nos crimes de estupro(art. 213) e violação sexual mediante fraude (art. 215), além de inúmeras outras mudançasque serão expostas abaixo.
1
O CP, que entrou em vigor na década de 40, utilizava a expressão costumes, até o advento da Lei nº12.015/09, que representava os hábitos da vida sexual aprovados pela moral prática ou conduta sexualadaptada à conveniência e disciplina sociais.
2
“VII – 
casamento do agente com a vítima
 
 , nos crimes contra os costumes, definidos nos Capítulos I, II e III”
e VIII;”
3
“VIII -
casamento da vítima com terceiro, nos crimes referidos no inciso anterior, se cometidos semviolência real ou grave ameaça e desde que a ofendida não requeira o prosseguimento do inquérito policial ou da ação penal no prazo de 60 dias a contar da celebração;”
1
 
I.
CRIMES CONTRA A LIBERDADE SEXUAL
Três o os crimes contra a liberdade sexual: estupro (art. 213),violação sexual mediante fraude (art. 215) e assédio sexual (art. 216-A).1.
ESTUPRO
Art. 213. Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a ter conjunção carnal ou apraticar ou permitir que com ele se pratique outro ato libidinoso:Pena - reclusão, de 6 (seis) a 10 (dez) anos.§ 1o Se da conduta resulta lesão corporal de natureza grave ou se a vítima é menor de 18 (dezoito) oumaior de 14 (catorze) anos:Pena - reclusão, de 8 (oito) a 12 (doze) anos.§ 2o Se da conduta resulta morte:Pena - reclusão, de 12 (doze) a 30 (trinta) anos
O estupro é modalidade do crime de constrangimento ilegal (art. 146 doCP - crime subsidiário), com a finalidade da obtenção da conjunção carnal ou qualquer outro ato libidinoso.Com o advento da Lei nº 12.015/09, o estupro consiste na fusão dascondutas da conjunção carnal e da prática de qualquer outro ato libidinoso.Como efeito imediato, em observância ao princípio constitucional daretroatividade da lei penal mais benéfica (CF, art. 5º, XL), reconhece-se a continuidadedelitiva entre os crimes de estupro e atentado violento ao pudor praticados anteriormenteà vigência da Lei 12.015/2009 e nas mesmas condições de tempo, lugar e maneira deexecução.
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 1.1.
Objeto jurídico
 É a liberdade sexual de qualquer pessoa, abrangendo o direito deescolher o parceiro, o local, o momento e o modo da prática sexual.1.2.
Objeto material
É a pessoa humana.1.3.
Sujeito ativo
 Qualquer pessoa (crime comum). É admitido o concurso de pessoas naforma de participação ou coautoria, que funciona como causa de aumento de pena no percentual de 1/4 (art. 226, I, do CP). Nélson Hungria defendia que o marido não pode ser autor de estupro, pois entendia que a mulher possuia o
debitus conjugali
, contudo, este entendimentoencontra-se superado. Atualmente, a pena é aumentada da metade se o agente é cônjuge,companheiro, ascendente, irmão, padrasto, madrasta, tio, tutor, curador, preceptor (professor), empregador da vítima ou que tenha por qualquer título autoridade sobre ela(art. 226, II, do CP).
4
2
 
1.4.
Sujeito passivo
A vítima é qualquer pessoa, inclusive, a prostituta, o transexual e ohermafrodita.O crime é qualificado se a vítima é menor de 18 e maior de 14 anos (art.213, § 1º, do CP).O vulnerável que abrange o menor de 14 anos, pessoa com enfermidadeou deficiência mental que não tenha o necessário discernimento para a prática de ato ou a pessoa que, por qualquer outra causa, não possa oferecer resistência é a vítima do crimeora estudado (art. 217-A do CP).1.5.
Núcleo do tipo
A ação incriminada é constranger, que significa forçar, compelir, coagir alguém a ter conjunção carnal ou praticar ou permitir que se pratique ato libidinosodiverso da conjunção carnal.O contato físico é dispensável
5
. O agente que obriga a vítima a se despir  para satisfazer sua lascívia, obriga a vítima a se auto-masturbar ou a praticar ou permitir oato sexual com terceiro comete estupro.Por conjunção carnal entende-se a prática sexual entre o homem e amulher consistente na relação pênis e vagina. Já ato libidinoso diverso da conjunçãocarnal abrange qualquer ato sexual entre quaisquer pessoas que vise à satisfação da libido,como felação, cunilíngue, coito anal, introdução de objetos, masturbação etc.É da essência do estupro o dissenso da vítima, contudo, se compelida a prática do coito, entregar o preservativo para o agressor, o crime continua existindo, poisa vítima tem por objetivo proteger sua saúde.A mera insistência para a prática sexual não caracteriza ausência deconsentimento.O crime de estupro distingue-se da contravenção penal de importunaçãoofensiva do pudor (art. 61 da LCP). Aqui inexiste violência ou grave ameça; a gravidadeda conduta é menor,
e. g.
, passar as mãos na perna da vítima; e o tempo breve de duraçãodo ato.1.6.
Meios de execução
O crime é de forma livre, porém, é imprescindível o emprego deviolência física ou grave ameaça, que pode ser justa ou injusta (age no psíquico da vítima,cuja força intimidatória é capaz de anular a sua capacidade de querer).
6
1.7. Elemento subjetivo
5
 
 Nucci, Hungria, Rogério Greco. Capez – é indispensável.
6
 
Até o advento da Lei 12.015/09 existia a violência presumida (art. 224 do CP), nas seguintes hipóteses:–1) vítima não é maior de quatorze anos; 2) vítima é alienada ou débil mental, e o agente conhece estacircunstância; e 3) vítima não pode oferecer resistência. As causas de presunção de violência do art. 224eram relativas (ex.: agente se equivoca quanto à idade da vítima, incidindo erro de tipo).
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