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A Geografia Urbana no ensino médio

A Geografia Urbana no ensino médio

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04/01/2013

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2
 
A
geogrAfiA
 
urbAnA
 
no
 
ensino
 
médio
Ricardo José Gontijo Azevedo
Doutorando do Programa de Pós Graduação em Geografa da UNESP/Rio Claroricardogeop@yahoo.com.br
Fadel David Antonio Filho
Proessor Adjunto (Livre-Docente) do Departamento de Geografa/IGCE/UNESP/Rio Claroadelda@rc.unesp.br
Resumo:
O presente artigo busca analisar como a Geografa Urbana é trabalhada no EnsinoMédio. Através de uma perspectiva dialética oram aplicadas entrevistas com proessores eanalisados livros didáticos com o objetivo de compreender como determinados temas so-cioespaciais são abordados no estudo do espaço urbano. Observa-se que a temática urbananão é trabalhada em sua plenitude, uma vez que determinados temas, como a segregaçãoespacial e a especulação imobiliária, não são contemplados na maior parte dos livros didáticos.A prática docente também é comprometida no trabalho com a temática urbana, já que amaioria dos proessores usa somente aulas expositivas e o livro didático como instrumentode ensino. Ao fnal do trabalho são apresentadas algumas alternativas metodológicas quepodem subsidiar o trabalho dos proessores com a Geografa Urbana.
Palavras-chave:
Geografa Urbana. Ensino Médio. Ensino de Geografa.
Introdução
A Geograa Urbana é um eixo da ciência geográca de fundamental importânciapara compreensão da realidade socioespacial das cidades. Através de uma sólida formaçãona temática urbana os alunos podem conceber o espaço urbano de forma crítica, elucidandocontradições decorrentes de interesses particulares de determinadas classes sociais e agentespúblicos. Somente através de ampla consciência da atuação dos agentes modeladores doespaço urbano é que poderemos conceber uma gestão democrática das cidades.Entretanto, percebe-se que a importância dessa temática é negligenciada pelamaior parte dos livros didáticos, resultando numa abordagem do assunto de modo bastantesupercial pelos professores do Ensino Médio. Temas como a segregação socioespacial, aespeculação imobiliária promovida por diversos atores sociais, o surgimento dos “enclavesforticados” também conhecidos por condomínios fechados, entre outros, são abordadosde modo supercial pelos livros didáticos.Nesse contexto, o presente trabalho tem como objetivo principal analisar comoa Geograa Urbana é tratada no Ensino Médio. O trabalho tem também como objetivosespecícos: compreender como os professores de Geograa do Ensino Médio trabalham atemática urbana; identicar as lacunas deixadas pelos livros didáticos de Geograa desti-nados ao Ensino Médio no que tange à temática urbana; propor alternativas metodológicaspara melhor compreensão do espaço urbano pelos alunos do Ensino Médio.Tento em vista a importância de uma boa formação dos alunos do Ensino Médiona temática urbana para uma gestão democrática das cidades, o presente trabalho justica-se por se propor a analisar como a Geograa Urbana é tratada no Ensino Médio. Alémdisso, buscaremos o desenvolvimento de alternativas metodológicas para que o professorcontemple a temática urbana em sua plenitude, através da abordagem de temas poucoobservados nos livros didáticos, como a segregação socioespacial, a questão dos condomí-nios fechados, a especulação imobiliária e o papel do Estado como agente transformadordo espaço urbano. Nesse contexto, o desenvolvimento do presente trabalho é importantepor fomentar práticas pedagógicas que irão contribuir na formação do aluno em questõesimportantes e pouco abordadas na atualidade.
Metodologia
O presente trabalho é uma pesquisa qualitativa que busca analisar como o ensinoda Geograa Urbana é realizado no Ensino Médio. A abordagem dialética mostra-se maisapropriada para compreensão da dinâmica político-pedagógica que envolve o ensino daGeograa, uma vez que se pretende elucidar as contradições entre o referencial teórico datemática urbana e sua prática em sala de aula.Para a realização do presente artigo foi realizada inicialmente a pesquisa e revisãobibliográca acerca de temas pertinentes ao assunto abordado, como o contexto socioes-pacial das cidades e como o ensino de Geograa é tratado na contemporaneidade.Visando compreender como os professores trabalham em sala de aula com atemática urbana foram realizadas entrevistas semi-estruturadas com dez professores deGeograa do Ensino Médio, que lecionam na rede pública e/ou privada em Limeira-SP.Nas entrevistas, os professores foram questionados sobre como trabalham a GeograaUrbana em sala de aula, quais metodologias de ensino e recursos didáticos utilizam e quaisconteúdos são trabalhados nessa temática.Posteriormente, foram analisados dez livros didáticos de Geograa dirigidos aoEnsino Médio com o objetivo de vericar como a questão urbana é abordada. Sendo umdos autores do presente trabalho professor de Geograa na rede pública de ensino, oslivros didáticos foram utilizados levando em consideração a disponibilidade dos mesmospelo autor, sem a intenção de selecioná-los de acordo com editoras ou autores. Os livrosdidáticos selecionados para análise foram:
 
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NºAutoresNome do livroEditoraAno1
ALMEIDA, Lúcia Marina Alves;RIGOLIN, Tércio BarbosaGeograa geral e do BrasilÁtica2005
2
FILIZOLA, RobertoGeograaIBEP2005
3
GARCIA, Helio Carlos;GARAVELLO, Tito Marcio.Geograa: de olho no mundo dotrabalhoScipione2005
4
KRAJEWSKI, Ângela Corrêa;GUIMARÃES, Raul Borges;RIBEIRO, Wagner CostaGeograa: pesquisa e açãoModerna2005
5
LUCCI, Elian Alabi;BRANCO, Anselmo Lazaro;MENDONÇA, CláudioGeograa Geral e do BrasilSaraiva2005
6
MAGNOLI, Demétrio;ARAÚJO, Regina.Geograa: a construção domundoModerna2005
7
MOREIRA, João Carlos;SENE, Eustáquio de.GeograaScipione2005
8
SILVA, Vagner Augusto da.Geograa do Brasil e geral: povose territóriosEscalaEducacional2005
9
TAMDJIAN, James Onnig;MENDES, Ivan Lazzari.Geograa geral e do Brasil:estudos para compreensão doespaçoFTD2005
10
TERRA, Lygia;COELHO, Marcos de Amorim.Geograa Geral e Geograado Brasil: o espaço natural esocioeconômicoModerna2005
Após a análise dos livros didáticos foram propostas algumas alternativas metodo-lógicas para o trabalho da temática urbana com os alunos do Ensino Médio.
O ensino de geografa como instrumento de libertação
Vesentini (2006) considera que tanto a educação como o ensino, são ou podemser, ao mesmo tempo, instrumentos de dominação e de libertação. Para o autor, o sistemaescolar moderno foi construído por cima, através do Estado instrumentalizado pela bur-guesia como classe hegemônica. Assim, o sistema escolar foi e ainda é estratégico para areprodução da sociedade capitalista.Nesse contexto, é fundamental que o professor trabalhe com os alunos temas pouco vistos nos livros didáticos de Geograa, como a questão social que estrutura a organizaçãodas cidades, com vistas a uma educação que objetiva a formação integral dos alunos, compensamento autônomo e crítico diante das contradições vericadas na sociedade. Vesentini(2006, p. 25) salienta a esse respeito que:
Educar para a liberdade não é somente educar os outros, mas também a si mesmo, de formapermanente, aprendendo ao mesmo tempo que se ensina (ou melhor, que se leva os alunosa aprender). Só assim pode-se propiciar aos educandos que se tornem cidadãos plenos,agentes da história, sujeitos autônomos, críticos e criativos.
Cavalcanti (2002) ressalta em sua obra a importância de se estudar a temáticaurbana nos conteúdos de Geograa, por dois motivos distintos, um por se tratar de umaespacialidade especíca com múltiplos aspectos e características próprias, outro comodesenvolvimento de habilidades, valores e condutas para a vida cotidiana, contribuindoneste sentido para a formação da cidadania. Para a autora, o grande desao na hora deelaborar as propostas de ensino consiste em traduzir pedagogicamente as novas formasde compreensão do espaço, para aproximar os alunos de um discurso que incorpore osavanços da Geograa nas últimas décadas.Sabemos que o estudo do espaço urbano passou ganhou novos signicados nasúltimas décadas com o surgimento da Geograa Crítica. Entretanto, observa-se que asaulas dessa temática continuam, em sua maioria, a ter um viés tradicional que acaba porlegitimar aos interesses das classes dominantes. Muitos alunos não conseguem conceber oespaço urbano como produto de uma sociedade de classes, e que, portanto, carrega consigoas contradições inerentes à sociedade capitalista.Se considerarmos que a crítica de Lacoste (1977) sobre a Geograa que se ensinanas escolas de ensino fundamental e médio, temos de reconhecer que se trata de “umaespécie de cortina de fumaça que permite dissimular” uma outra Geograa, dita “dosestados-maiores”. Enquanto a primeira, a “Geograa dos professores” torna-se um sabersem aplicação prática, a “dos estados-maiores” entende o espaço como um poderoso ins-trumento de poder. Explica Lacoste (1977, p.31-32) que:
A geograa escolar que foi imposta a todos no m do século XIX e cujo modelo continuaa ser reproduzido ainda hoje, quaisquer que possam ter sido os progressos na produção deidéias cientícas, encontra-se totalmente alheado de toda a prática. De todas as disciplinasensinadas na escola ou no liceu, a geograa é, ainda hoje, a única que surge como um sabersem a mínima aplicação prática fora do sistema.
Considerando isso, há uma premente necessidade do professor de Geograa eminverter esse quadro, buscando meios para transformar o ensino de Geograa numa aplica-ção estratégica e ideológica que sirva para conscientizar o aluno em seu papel de cidadão.Se a preocupação fundamental de todo e qualquer ramo do saber humano é ou deveser a sociedade, cada ciência em particular se ocupa de um dos seus aspectos. (SANTOS,1978). No caso da Geograa, o espaço é seu objeto de estudo principal, seja ele o espaçourbano, o espaço rural ou o natural. No caso do espaço urbano, especicamente, Santos(1981, p. 173) explica que “a paisagem urbana pode ser denida como um conjunto deaspectos materiais, através dos quais a cidade se apresenta aos nossos olhos, ao mesmotempo como entidade concreta e como organismo vivo.”
 
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Com base nisso podemos entender que dentro de uma mesma cidade há duas oumais cidades. Isso é resultado da oposição entre níveis de vida e entre setores da atividadeeconômica, ou seja, das contradições entre as classes sociais. São exatamente essas contra-dições que ocorrem no espaço urbano que devem ser exploradas no ensino da Geograasobre o tema.Acreditamos que o estudo da Geograa Urbana em sua plenitude deve focar osproblemas surgidos com a fragmentação do espaço urbano, com o surgimento de bairrosdestinados às camadas sociais especícas, com a segregação socioespacial. Assim, os alunospodem ter uma visão crítica do ambiente que o cerca, contribuindo para a formação decidadãos autônomos no pensar e agir, vislumbrando uma sociedade mais justa e democrá-tica. Nesse sentido diversas propostas curriculares para o ensino de Geograa, destacam aimportância do ensino da Geograa urbana para formação da cidadania. Nesse contextodestaca-se o que nos revela Cavalcanti (2002, p.47):
O ensino de Geograa contribui para a formação da cidadania através da prática de con-strução e reconstrução de conhecimentos, habilidades, valores que ampliam a capacidade decrianças e jovens compreenderem o mundo em que vivem e atuam, numa escola organizadacomo um espaço aberto e vivo de culturas. O exercício da cidadania na sociedade atual, porsua vez, requer uma concepção, uma experiência, uma prática – comportamentos, hábitos,ações concretas – de cidade.
Na visão de Cavalcanti (2002), a escola, ao escolher trabalhar a temática urbana,tem que fomentar atividades em que os alunos percebam a existência de diferentes imagensda cidade, tanto cotidianas como cientícas, que podem se confrontar.Nas áreas urbanas, a produção do espaço certamente envolve uma innidade deforças que contribuem para sua transformação ao longo do desenvolvimento de um modoprodutivo. Nesse contexto, percebe-se que o sistema capitalista esteja associado às maisprofundas modicações do espaço geográco em toda sua existência.Sobre essas modicações, Corrêa (2005) considera que existem agentes sociaisconcretos que produzem e consomem o espaço. O autor identica cinco agentes distintos,que são: os proprietários dos meios de produção; os proprietários fundiários; os promotoresimobiliários; o Estado; e os grupos sociais excluídos. Ainda de acordo com a concepção doautor, a ação desses agentes não é neutra, reetindo assim os interesses do agente dominante.Para Correa (2003) a segregação espacial tem origem anterior ao surgimento docapitalismo, remontando ao período do aparecimento das cidades e classes sociais que ahabitavam. Entretanto, com a ascensão do capitalismo a segregação torna-se mais acentuadaà medida que o fracionamento das classes sociais se consolida.O caráter desigual do sistema econômico capitalista sugere que a segregação seja,para Santos (1979. p. 31),
por um lado, uma forma disfarçada e, por outro, explícita de discriminação social impostapela condição econômica a qualquer indivíduo no espaço urbano. Isto depende do contextosócio-político, pois esta forma de distribuição de população urbana, baseada em aspectoseconômicos, torna-se um fator importante para a separação existente entre os diferentesagrupamentos sociais que assumem, no espaço urbano, uma disposição bem denida.
Analisar, no presente momento histórico, a maneira como a Geograa Urbana éabordada nas aulas e nos livros didáticos pode contribuir para a formação de alunos críticose conscientes na sociedade. Nesse sentido Vesentini (2006, p. 26) considera que:Procurar a todo custo evitar o comodismo intelectual e a burocratização das rela-ções sociais e educacionais é uma das mais importantes tarefas para que o ensino não apenasreproduza as demandas de ampliação da modernidade, mas, principalmente, contribua paraformar cidadãos críticos e, com isso, uma sociedade cada vez mais democrática e pluralista.É importante ressaltar que o professor deve colocar em prática os conhecimentosque aprendeu durante sua formação acadêmica juntamente com os conhecimentos pré- vios que cercam a vida dos alunos. Assim, a prática docente necessita estar intimamenterelacionada ao cotidiano dos alunos e professores, aproximando a teoria com a realidadepara que o processo de ensino-aprendizagem alcance o sucesso. Nesse contexto, Zanatta(2008, p.140) salienta que “estudar a Geograa de uma cidade é compreendê-la em suasparticularidades, inserindo-a no mundo como um todo e estudar a geograa do mundo éprocurar compreender as maneiras pelas quais os diferentes lugares se articulam.”Para o estudo das cidades, é fundamental que o professor aproxime a temática aoque é conhecido pelos alunos, relacionando a dinâmica socioespacial aos bairros, ruas, pra-ças, o centro e a periferia, a cidade e o campo, as feiras e os shoppings centers. Valoriza-seassim o conceito de lugar, fundamental para a compreensão da realidade espacial.A temática urbana pode ser bem desenvolvida em sala de aula se a abordagemdialética é considerada. Assim, valoriza-se o conceito de (re) produção do espaço urbano,uma vez que o espaço é fruto das complexas relações sociais que nele se estabelece. A me-todologia dialética permite a discussão e análise das contradições da sociedade capitalistaexpressas no espaço urbano, por exemplo, através da segregação socioespacial.
Resultados e discussão
A revisão bibliográca possibilitou uma melhor compreensão do papel fundamentalque a Geograa assume na formação dos alunos. Nesse sentido, a questão urbana emergecomo possibilidade de participarmos de modo ativo na sociedade, através do desenvolvi-mento da cidadania e da compreensão dos problemas socioespaciais das cidades.Os temas urbanos nos livros didáticos analisados, com maior ou menor profundida-de, referem-se principalmente à dinâmica geral do processo de urbanização decorrente daindustrialização e do êxodo rural, bem como conceitos sobre redes e hierarquias urbanas,metropolização e sobre as cidades na economia global. Muitos são os livros que tratam dos

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