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 Fórum Central Civel João Mendes Júnior - Processo nº: 583.00.2010.208543-1parte(s) do processo local físico incidentes andamentos súmulas e sentenças  Processo CÍVELComarca/Fórum Fórum Central Civel João Mendes JúniorProcesso 583.00.2010.208543-1Cartório/Vara 6ª. Vara CívelCompetência CívelNº deOrdem/Controle2216/2010Grupo CívelAção Procedimento Sumário (em geral)Tipo deDistribuiçãoLivreDistribuído em 30/11/2010 às 11h 04m 01sMoeda RealValor da Causa 1.000,00Qtde. Autor(s) 1Qtde. Réu(s) 2
PARTE(S) DO PROCESSO
 Requerido COOPERATIVA HABITACIONAL DOS BANCARIOS DE SÃO PAULO- BANCOOPRequerido OAS EMPREENDIMENTOS S/ARequerente PATRICIA ALEXANDREAdvogado: 228696/SP LUIZA SANTELLI MESTIERI DUCKWORTH
SENTENÇA:
Vistos. PATRÍCIA ALEXANDRE moveu Ação de Inexigibilidade de Débito cumulada comObrigação de Fazer e Indenização por Danos Materiais e Morais contra COOPERATIVAHABITACIONAL DOS BANCÁRIOS DE SÃO PAULO- BANCOOP e OASEMPREENDIMENTOS S/A, alegando que recebeu propaganda do empreendimento Altos doButantã pelo preço a partir de R$ 37.000,00; aplica-se o Código de Defesa do Consumidor, umavez que a cooperativa consiste em fachada para negócios imobiliários; firmou termo de adesão,comprou o apto XXX do Bloco B, quitou o preço e recebeu as chaves; depois de dois anos daquitação recebeu cobrança de um adicional no valor de R$ 28.331,59; em 15 de setembro de2009, realizada a assembleia com vedação da entrada dos compradores por seguranças, masentrada franqueada para desconhecidos que chegaram em duas vans; veiculada na imprensa odesvio de dinheiro dos compradores para campanhas do PT e para proveito dos gestores; asassembleias fraudulentas não podem obriga-la; as requeridas devem respeitar o negócio jurídicofirmado anteriormente; na assembleia do dia 15 de setembro de 2009,dos 233 cooperados,permitida a entrada de apenas 26,naquela oportunidade ratificada a venda do empreendimentopara a segunda requerida, no entanto, o terreno já lhe havia sido vendido antes da assembleia;
 
noticiada em revista a emissão de notas frias pela primeira requerida;a segunda requerida estásob investigação da polícia federal por superfaturamento em obras públicas; cobrado o rateioextra sem prévia aprovação em assembleia e ausência de documentação contábil probatória; asegunda requerida intitula-se proprietária do imóvel e cobrou-lhe a assinatura de um contrato emque deveria confessar um débito em torno de R$ 70.000,00; as contas de 2005 a 2008 teriam sidoaprovadas somente em 2009, na assembleia atingida pelo vício da simulação;as rés
(grifo nosso
 – 
BANCOOP E OAS)
 acordaram que a segunda pessoa jurídica
(grifo nosso
 – 
OAS)
 terminaria o empreendimento, fazendo o acabamento da terceira torre econstruindo a quarta; as requeridas não poderiam dispor de seu apartamento no acordo quefirmaram porque já estava quitado; não existe contabilidade separada da primeira requerida paracada empreendimento; na data de 11 de outubro de 2006, o imóvel da autora estava quitado e asrés têm a obrigação de outorgar a escritura; a ação movida pela Associação dos Adquirentes nãotrata de seu caso em que houve a quitação do preço, portanto, não há coisa julgada; a ausência dedocumentação regular desvaloriza o imóvel, foi chamada de inadimplente de forma descabida evexatória e sofreu a ameaça de perder o imóvel quitado; o consumidor cobrado indevidamentetem direito à devolução em dobro do que lhe é cobrado.Requereu a antecipação da tutela e no final seja declarada a inexigibilidade de qualquer débitopertinente ao apto xxxB, seja respeitado o contrato e a propaganda veiculada, obrigando aoutorga da escritura, aplicação do Código de Defesa do Consumidor, condenação das rés nopagamento de indenização por danos morais e danos materiais.Deferido parcialmente o pedido de tutela antecipada para vedar a negociação do imóveladquirido pela autora com terceiros (fls.291).A segunda ré(OAS)foi citada e apresentou contestação, alegando que a Bancoop ofereceu-lhe oempreendimento, alegando que as obras estavam paralisadas por conta da inadimplência damaioria dos cooperados e aumento do custo da obra; em reunião realizada em 10 de dezembro de2008 foi apresentada aos cooperados, e em 30 de março de 2009 firmado termo de acordo parafinalização da construção com extinção da seccional Alto do Butantã e transferência de direitos eobrigações; em 14 de abril de 2009, os cooperados adimplentes participaram da assembléia eratificaram o acordo celebrado entre as rés, vinculando os demais cooperados; o acordo foihomologado em ação civil pública e também pelos juízos do setor de conciliação; os cooperadosdeveriam optar pela devolução dos valores pagos, renunciando a qualquer direito ou ação judicial, ou então assinar novo termo de adesão alterando o valor histórico da unidade para R$145.000,00; adquiriu o empreendimento e utilizou recursos próprios para dar continuidade àsobras; antes do acordo celebrado, a Bancoop tentou retomar a obra por meio da cobrança derateio extra, cuja cobrança foi aprovada em assembléia realizada em 5 de agosto de 2006, mas
grande parte dos cooperados se negou a pagar o valor adiciona
l; a transferência doempreendimento consistiu na melhor solução para viabilizar a sua conclusão; já desembolsou 8milhões no empreendimento e pretende investir mais 14 milhões; a Bancoop consiste emcooperativa e não se aplica o Código de Defesa do Consumidor; a Bancoop ofertou aparticipação em cooperativa e não a venda de unidade habitacional, o preço da unidade poderiaser alterado; a possibilidade de cobrança de rateio extra está prevista na Lei 5.764/71, no termode adesão e estatutos sociais; eventual irregularidade na assembléia realizada em 5 de agosto de2006 deve ser reconhecida por meio de ação própria e a deliberação não estava condicionada àprévia aprovação das contas; a autora não comprova a quitação do imóvel, deixou de pagar asprestações devidas a partir de novembro de 2005 e não aceitou a proposta da OAS, portanto, nãofaz jus à outorga da escritura; já encerradas as investigações de superfaturamento de obras,nenhuma denúncia restou comprovada nem tem relação com a demanda;
 
 o empréstimo de valores para outros empreendimentos não consiste em irregularidade, foiaprovado em assembléia de 19 de fevereiro de 2009 e não interferiu na cobrança do rateio extra;sustentou a legalidade das assembléias realizadas em 14 de abril de 2009 e 15 de setembro de2009; somente cooperados adimplentes poderiam participar da assembléia, e a autora estavainadimplente; a autora não comprova que participaram da assembléia não cooperados; aratificação em assembléia do acordo firmado pelas rés vincula todos os cooperados; dos 325cooperados, 219 já regularizam a sua situação; o compromisso de compra e venda firmado pelasrés apenas formalizou o interesse de venda do empreendimento, e a outorga da escritura públicaficou condicionada à aprovação do acordo em assembléia, não havendo simulação emassembléia; não poderia suceder a Bancoop porque não se trata de cooperativa e sim deincorporadora imobiliária, a extinção da Seccional Altos do Butantã se deu por decisão exclusivados cooperados; o contrato da autora não estava quitado, a sua situação era de inadimplência; nocaso de cooperados adimplentes, o acordo previu devolução de saldo de valor que superasse aquantia de R$ 145.000,00; a autora pretende que o pagamento da quantia de R$ 37.000,00 sejasuficiente para quitar imóvel que corresponde hoje ao valor de R$ 194.183,00; a autora tanto nãofoi coagida a assinar a proposta, que não a assinou; a valorização do terreno não se confundecom os valores pagos pela autora, que busca obter vantagem indevida; não praticou ato decobrança para aplicação do art.42 do Código de Defesa do Consumidor; a autora tinha ciência deque não poderia participar da assembléia em razão da sua inadimplência e assumiu o risco de tera sua entrada e votos impedidos; não ameaçou retirar o apartamento da autora e sim lheapresentou uma proposta para regularização da unidade; cumpriu o estabelecido no acordo e nãoagiu de má-fé, eventual descumprimento contratual não caracteriza o dano moral; eventual valorfixado a título de danos morais não pode representar punição. Requereu a reconsideração dadecisão que deferiu pedido de antecipação da tutela. A primeira ré foi citada e apresentoucontestação, alegando preliminares de ilegitimidade passiva e coisa julgada. No mérito sustentouque se trata de cooperativa, aplicando-se a Lei 5.764/71 (Lei das Cooperativas), mas não oCódigo de Defesa do Consumidor; regularidade do rateio extra e aprovação de contas; a autoranão quitou a unidade habitacional, ela tinha conhecimento de que o valor inicialmente repassadoconsistia no preço estimado, que não corresponderia ao preço final, influenciado pelo aumentodo valor dos produtos e da mão de obra, além da desistência e inadimplência dos demaiscooperados; o preço de custo da unidade habitacional somente seria conhecido ao final da obra;em razão da inadimplência dos cooperados o empreendimento Altos do Butantã tornou-se umaobra deficitária; defendeu a regularidade dos empréstimos a outras seccionais, aprovados emassembleia geral com retorno dos recursos na forma de compensação quando do acordo entre asrés; o termo de acordo para finalização da construção foi aprovado em assembleia e homologadoem juízo; somente forneceu a escritura de compra e venda para a OAS depois da aprovação emassembleia; não praticou ato irregular para fins de indenização; não há dano moral, a autora tinhaconhecimento de que não poderia participar da assembleia. Requereu a revogação da tutela. II- Aautora apresentou Incidente de Falsidade pertinente à ata de assembleia supostamente realizadana data de 5 de agosto de 2006 e que teria aprovado o rateio extra, alegando que a assembleianão foi realizada para esse fim. As requeridas apresentaram resposta, alegando preliminares defalta de interesse de agir, inadequação da via eleita, ausência de custas e ilegitimidade passiva daOAS, no mais sustentaram a regularidade da assembleia realizada e requereram a condenação daautora nas penas da litigância de má-fé.
JUIZA DECIDE O CASO:
É o relatório. DECIDO. O feito comporta julgamento antecipado, visto que desnecessária aprodução de provas em audiência, nos termos do art.330, inciso I, do Código de Processo Civil.
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