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Ensaio O Pintor de Retratos

Ensaio O Pintor de Retratos

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Published by joseroig74518
ensaio apresentado em 2007, na disciplina de História e Literatura do mestrado em letras (FURG), área História da Literatura.
ensaio apresentado em 2007, na disciplina de História e Literatura do mestrado em letras (FURG), área História da Literatura.

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Fundação Universidade Federal do Rio Grande - FURGDepartamento de Letras e ArtesPrograma de Pós-Graduação em LetrasMestrado em História da LiteraturaDisciplina: História e LiteraturaProfessora: Drª. Núbia Jacques Hanciau
O pintor de retratos
de uma época em transformação
José Antonio Klaes Roig
* 
Introdução
A novela
O pintor de retratos
, do escritor gaúcho Luiz Antonio de Assis Brasil, traçaum painel artístico, histórico, político e cultural de um período de grandes transformações,tanto na história e literatura, como na pintura e fotografia, ocorrido entre o final do séculoXIX e o início do século XX. O autor, com uma narrativa concisa, aborda tais transformaçõessociais, mesclando figuras reais com personagens fictícias, em que o pintor de retratositaliano, Sandro Lanari, depois de tentar a sorte em Paris, acaba por vir ao Rio Grande do Sul,em busca de uma nova vida, e involuntariamente torna-se fotógrafo-retratista.A fotografia na novela de Assis Brasil serve como a metáfora da transformação dasociedade agrária gaúcha para o modelo industrial, e o confronto entre a civilização européia,responsável pelos avanços tecnológicos, e a barbárie, personificada na Revolução Federalista,conhecida também como a da Degola, em que Sandro Lanari, personagem principal doenredo, terá uma participação emblemática ao capturar em uma fotografia o instante brutal, por ele batizado de a
 Foto do Destino.
Destino esse que lhe trará muitas surpresas. 
* Mestrando em Letras/História da Literatura. FURG 2007/2008.
1
 
Do mito a humanidade: história local versus história universal
Embora os descaminhos futuros, Sandro Lanari nasceu pintor. Seu pai era pintor, seu avô também fora, e assim por anteriores seis gerações, todosforam pintores.
1
Luiz Antonio de Assis Brasil, ao declarar em entrevista de que “[...] O mito érevisitado para se descobrir sua humanidade”
2
, talvez queira mostrar que a própria históriaidealiza demais seus personagens reais, podendo a literatura fazer o caminho inverso ao dar aseres míticos uma personalidade humana, e menos glorificada. Se a história é o pano de fundode seus escritos, e, em especial, do livro
O pintor de retratos
, humanizar uma personagemglorificada é promover nas entrelinhas sua desmistificação. E desse diálogo constante entre oescritor e o leitor surgem diversas possibilidades de leituras de uma obra de arte, que não sedeve propor jamais ser histórica, sob pena de deixar de ser literatura, como decretam osteóricos.A história de
O pintor de retratos
, dividida em quatro partes, é o retrato de uma épocade consideráveis transformações científicas, filosóficas, históricas e literárias. E a passagemda pintura para a fotografia, expõem indiretamente a mudança de civilização, da naturalista para a mecanicista. Em que o homem cedemais e mais seu lugar na sociedadeindustrializada para a máquina. Na primeira parte, conta a história de Sandro, que nasceu pintor por que era o destinode sua família seguir a tradição dos Lanari. Mas os tempos eram outros, e os pintores vãocedendo lugar para os retratistas. Assim com o teatro cederá espaço ao cinema, que perdeuespaço no século XX para televisão, que enfrenta a concorrência da internet, e assim vai. Acada revolução industrial, e um novo mecanismo passa a ser o centro das atenções. É amecânica da sociedade.O jovem pintor, nascido na pequena cidade italiana de Ancona, apaixona-se por umamodelo de seu pai Curzio, chamada Catalina, que o esnoba. Iniciado nos ofícios da família,Sandro começa a pintar. Seu pai o encaminha a Paris, com algumas economias, para trabalhar com um artista conterrâneo. Mas em Paris, descobriu que ao invés dos pintores, famoso era ofotógrafo Nadar, que tinha, segundo alguns, elevado a fotografia ao status de arte superior. Afoto de Sarah Bernhardt torna-se ícone daquele tempo. Lanari vem a conhecer pessoalmente
1
ASSIS BRASIL, Luiz Antonio de. Porto Alegre: L & PM, 2005, p. 11.
2
ASSIS BRASIL, Luiz Antonio de. Entrevista. Rio de Janeiro, Jornal do Brasil, sábado, 02 jul. 1993, p. 6.
2
 
 Nadar e até posar para o mesmo, mas dias depois ao receber pelo correio a foto, é tomado deódio, não somente por Nadar, mas por todos os fotógrafos-retratistas, já que não se reconhecenaquele retrato.Acaba, em crise, decidindo viajar para o Brasil, em busca da terra prometida. “Láabaixo, na metade inferior do planeta, ficava o Rio Grande do Sul, a selva que nunca teriaescutado o nome de Nadar.
3
 Na segunda parte do livro, Lanari desembarca no cais de Porto Alegre, com todos osseus apetrechos de pintor, mais o livro inseparável de Cenino Cenini, que seu pai lhe deu de presente. Espanta-se com a quantidade de negros na rua, confundindo-os com maometanos.Acaba se instalando na Pensão Itália, de um compatriota, localizada no coração da cidade, a popular e conhecidíssima Rua da Praia. Na sala da pensão há um retrato de Garibaldi, o Heróide Dois Mundos. Lanari, um forasteiro em terra estrangeira aprende a se moldar ao local esuas idiossincrasias para não chamar a atenção. “No terceiro dia não o notavam mais”.
4
 Não demora e Lanari descobre que em Porto Alegre já havia outro pintor de retratos,chamado Alcides, considerado por ele inofensivo e primário. Porém, logo vem a saber que acidade está repleta de fotógrafos-retratistas, em sua maioria italianos como ele. Como todoeuropeu, tinha uma visão estereotipada do país, pois “Julgava que no Brasil a fotografia nãofosse desenvolvida”.
5
O mito do bom selvagem que perdura até hoje impede que a metrópoleenxergue a periferia.Desgostoso com a monotonia da cidade e sua arquitetura portuguesa, coloca umanúncio em jornal fazendo propaganda de si mesmo. “E ele, Sandro, era um artista que trazianas costas a Europa e seus séculos de civilização”.
6
 Um dia, passeando pela cidade encontrauma adolescente com incrível semelhança com o retrato de Sarah Bernhardt. “Chamou-a deSarah, embora sua homônima fotográfica fosse bem mais bonita”.
7
 Devido a pintura de umretrato do Bispo da cidade vira celebridade. Num dos encontros seguintes com o religioso háum diálogo interessante, em que o Bispo compara a pintura feita por Lanari ao retrato tirado por Carducci, um fotógrafo italiano destacado na cidade, em que o mesmo conclui: “Estive pensando (...) até que ponto é lícito intervir na representação do homem, que é feito à imageme semelhança de Deus?”
8
; referindo-se aos retoques á imagem pintada e fotografada por ambos, que não são de fato a imagem real e sim uma representação. Em crise, passa a refletir 
3
ASSIS BRASIL, Luiz Antonio de. Op. cit., p. 48.
4
Idem, p. 52.
5
Ib idem, p. 53.
6
Ib idem, p. 55.
7
Ib idem, p. 56.
8
Ib idem, p. 61.
3

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