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2012-1897-OG-280312

2012-1897-OG-280312

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05/03/2013

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OGLOBO
RIO DE JANEIRO, QUARTA-FEIRA, 28 DE MARÇO DE 2012 • ANO LXXXVII • N
o
-
28.723
IRINEU MARINHO
(1876-1925)
ROBERTO MARINHO
(1904-2003)
oglobo.com.br
Edição Metropolitana
• Preço deste exemplar no Estado do Rio de Janeiro •
R$ 2,50
• Circulam com esta edição: Classificados, Segundo Caderno, Carro etc e caderno Esportes: 128 páginas
CHICO
.
E
NTREOUVIDO ENTRE OSNEORROMÂNTICOS DE
C
UBA 
— ...a ver se logramos afinar...
PMcomeçaasubstituiroExércitonoAlemão
Nova ocupação dispõe até de software para monitorar os policiais
Após um ano e quatro meses deatuação do Exército no Complexodo Alemão, a Polícia Militar começaa substituir as tropas federais. Umgrupo de 750 policiais — entre osquais300recrutaschegouontemàregiãoparainiciarainstalaçãodasduas primeiras Unidades de PolíciaPacificadoraemduasfavelas.Asou-tras dez comunidades do complexoserãoocupadasgradativamente.Se-gundo o secretário de Segurança,José Mariano Beltrame, todo o pro-cessodeimplantaçãodasoitoUPPsserá concluído em 27 de junho. A operação conta com um programade computador capaz de controlar,em tempo real, toda a movimenta-ção da tropa.
Página 14
Na Rocinha, mais 40homens no policiamento
Dois dias após a morte do lídercomunitário Vanderlan Barros deOliveira,aPMreforçaasegurançana Rocinha, com mais 40 homensno policiamento.
Página 15 eeditorial “Instalação de UPP naRocinha corre riscos”
Domingos Peixoto
POLICIAIS DO Batalhão de Choque participam da nova ocupação da PM no Complexo do Alemão, para instalação de UPPs
Cordialidade entre líderes
Divulgação
Os ex-presidentes Fernando Henrique e Lula conversaram ontem por uma hora noHospital Sírio-Libanês, onde o petista trata de um câncer na laringe.
Página 10
Enquanto isso, na Índia...
Roberto Stuckert Filho/PR
Dilma é recebida, em Nova Délhi, com colar de flores e bindi na testa (tinta verme-lha), tradições da Índia, onde a presidente participa de reunião do Brics.
Página 24
Gol e TAM perdemmais de R$ 1 bilhão
Comaguerradetarifas,osalto de 23% nos preços doquerosene de aviação e aalta do dólar, a Gol regis-trou prejuízo de R$ 710 mi-lhõesem2011(contralucrode R$ 214 milhões no anoanterior), enquanto a TAMperdeu R$ 335 milhões,após lucrar R$ 637 milhõesem 2010. O valor de merca-do das duas maiores em-presas aéreas do país des-pencou. Desde 2007, caiumais de R$ 11 bilhões. A Gol vai fazer cortes de pes-soal e eliminar até 100 voosdiários.
Página 23
ELIO GASPARI
O problema do senadorDemóstenes está em sedistinguir o verossímil doverdadeiro.
Página 6
ZUENIR VENTURA
Heleno de Freitas, RaulSeixas e Chico Anysio: trêstipos do clube dos gêniosmortos.
Página 7
Procurador pede que STFinvestigueDemóstenes
Papa e Cubaem troca dealfinetadas
Sem citações diretas umao outro, o Papa Bento XVIdefendeu indiretamenteos direitos humanos, en-quanto o governo cubanodisse que o socialismopermanecerá.
Página 29
Cidades terão6,3 bilhõesaté 2050
Estudo da ONU divulgadona conferência Planeta sobPressão revela que a popu-lação urbana quase dobraráaté 2050. Em Nova York, ospaíses ricos se recusaram aestender o prazo das nego-ciações que antecedem aRio+20.
Página 32
Três anos após receber adenúncia sobre as relaçõesentre o senador Demóste-nes Torres e o contraventorCarlinhos Cachoeira, o pro-curador-geral da República,Roberto Gurgel, pediu aoSupremo a abertura de in-quérito. Demóstenes seafastou da liderança doDEM no Senado e, sob riscodeserexpulsodopartido,cogita renunciar.
Página 3
Que pena!
O projeto que põe fim aopagamento de 14
o
-
e 15
o
-
sa-lários a senadores foi apro-vadoontemnumacomissãoda Casa, sob lamento do se-nador Cyro Miranda (PSDB-GO): “Tenho pena daquelesobrigadosavivercomR$19millíquidoscomaestruturaque temos aqui.”
Página 9
SEGUNDO CADERNO
Reprodução
Um texto inédito de ChicoAnysio, em uma busca pelomenino que tinha sido.
ARTUR XEXÉO:
Ninguém éinsubstituível, mas ChicoAnysio é uma exceção.
•••
O museu francês Pompidoumostra interesse na artebrasileira contemporânea.
ROBERTO DAMATTA
A morte, mesmo de umdesconhecido da maioria,obriga a recordar a belezae o encanto.
Página 7
 
2
2ª edição •
Quarta-feira, 28 de março de 2012
O GLOBO
PORDENTRODOGLOBO
Entre motos e vacas sagradas
AUTOCRÍTICA
Na página 6 de ontem:
“Aincompetência virou elogio.”“Além do
que
, foi mantida amesma lógica na designaçãodos novos ministros.” Erro degrafia. Certo: “Além do
quê
,foi mantida a mesma lógicana designação dos novosministros.”
P. 9:
“Senadoresagora querem investigarDemóstenes.” “Prefiro sofreruma injustiça
do que
provocar uma injustiça.” Errode regência. Certo: “Prefirosofrer uma injustiça
a
provocar uma injustiça.”
P. 10:
“Pistola de choquemata mais um no Sul.”“Considerada ‘não letal’,arma da PM de SantaCatarina foi a
mesma
responsável por morte debrasileiro na Austrália.”Incoerência no uso doadjetivo. Certo: “Considerada‘não letal’, arma da PM deSanta Catarina foi
igual à
responsável por morte debrasileiro na Austrália.”
P. 14:
“Banco do cinema.”(Ancelmo Gois). “A turma docinema,
que
reclamando deatrasos no desembolso,sempre foi um pote até aquide mágoas com a Finep.”Crítica: “que” a mais. Certo:“A turma do cinema,reclamando de atrasos nodesembolso, sempre foi umpote até aqui de mágoascom a Finep.”
(Resumo da crítica internacoordenada pelo jornalista AluizioMaranhão, distribuída todos os diasna Redação do GLOBO)
S
air de um dos países mais ricos e pe-quenos do mundo — a Suíça, com me-nos de 8 milhões de habitantes — paradesembarcar num gigante emergentecom uma população de 1,2 bilhão de pessoas,na sua maioria, pobres, “é uma experiência,em si”, relata
D
EBORAH
B
ERLINCK
, enviada es-pecial a Nova Délhi. A repórter vai cobrir a 4
a
-
reunião de cúpula do grupo Brics, que reúne apartir de hoje, na capital da Índia, as cincomaiores potências emergentes (Brasil, China,Índia, Rússia e África do Sul), como mostra re-portagem publicada na editoria de Economia.A presidente Dilma Rousseff desembarcouontem no início da tarde na cidade.— Cheguei de madrugada no hotel, um palá-cio, e já me diverti lendo o “Sunday Times” daÍndia — conta Deborah. — Uma das manchetesera “Avião provoca engarrafamento na estrada”.Um Airbus 320 comprado por um rico empresá-rio indiano, que quer instalar um museu dentrodoavião,ficoupresoentrefioseárvoresemple-na estrada, quando era transportado. Na foto,via-se o Airbus, entre bicicletas, motos e popu-lação,emperradonosfiosenumaárvore.Eaou-tramancheteera“Epidemiadedivórcioporcau-sa de jejum de sexo nos casamentos”. Contava ahistória de um indiano que ganhou uma disputade divórcio alegando que a mulher dele só teverelações sexuais com ele 15 vezes em cinco me-ses. O juiz concluiu que isso era “crueldade”.Aproveitando o tempo antes de a presiden-te chegar à Índia, Deborah foi ao Taj Mahal,mausoléu considerado uma das sete maravi-lhas do mundo, que Dilma vai visitar no sá-bado, quando encerra sua visita ao país. Umaviagem de 200 quilômetros de Nova Délhi atéAgra, a cidade do monumento, que levou qua-tro horas e meia.— Eu me dei conta, no trajeto, dos proble-mas de infraestrutura da Índia: na estrada, erauma confusão de motos, algumas carregandoaté quatro pessoas, carro, vaca sagrada, ca-minhão velho, carroça, pedestre. Tinha carrona contramão e todos buzinavam: aqui, isso éesporte nacional.A Índia foi um dos países que mais cresce-ram nos últimos anos (mais de 9%), mas de-sacelerou para 6,1% no último trimestre, e opaís enfrenta problemas políticos, além deenormes desafios econômicos, como inflaçãoe falta de investimento estrangeiro.
Arquivo pessoal
Deborah,
aocentro, noTaj Mahal,em Agra,comindianosque pedirampara tiraruma fotocom arepórter
O GLOBONA INTERNET
a
Leia a íntegra da coluna
oglobo.com.br
OCDE alerta que crise daEuropa está longe do fim
A organização diz que os bancos con-tinuam vulneráveis, a dívida dos paísesaumentou e as metas fiscais não foram al-cançadas.
ECONOMIA, página 25, e Míriam Leitão
Rufolo tinha funcionário nacúpula de hospital federal
Umadasempresasacusadasdefraudarlicitações conseguiu colocar funcionáriocomo coordenador administrativo doHospital do Andaraí.
RIO, página 21
Clube culpa o instrutor deparapente e põe mais fiscais
O Clube São Conrado de Voo Livre con-cluiu que o instrutor é o responsável pelamorte de jovem que caiu do parapente e re-forçará segurança das rampas.
RIO, página 17
Cristina apresenta projetopara facilitar divórcio e adoção
O projeto do governo argentino permiteque o divórcio seja iniciado por apenas umdos cônjuges, que não precisarão explicaros motivos da decisão.
O MUNDO, página 30
HÁ 50 ANOS
Em sua coluna, Nelson Rodriguescria o termo a pátria de chuteiras
CADERNO ESPORTES • PÁGINA 2
Rio investiga mais uma mortepor dengue, agora na Tijuca
A Secretaria municipal de Saúde investigase Edson Couto, de 71 anos, é a terceira ví-timadedenguenacidade.Exameconfirmouque ele tivera a doença.
RIO, página 16
Com acordo, Câmara votahoje a Lei Geral da Copa
OpresidenteinterinodaRepública,MarcoMaia (PT-SP), costurou um acordo para vo-tar hoje a Lei Geral da Copa. O Código Flo-restal será votado em abril.
O PAÍS, página 4
Flamengo tenta, pelo menos,um empate contra Olimpia
Segundo colocado no Grupo 2 da Liber-tadores, o Flamengo tem jogo-chave con-tra o Olimpia, hoje, em Assunção. O em-pate é bom resultado.
CADERNO ESPORTES
Sequência de golpes nas Farc
Policiais colombianos alinham os corpos de 35 guerrilheirosdas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc)mortos anteontem numa operação militar nas selvas remotasda província de Meta, no centro do país. O ataque contou comapoio da Força Aérea, e foi realizado, segundo as autoridades,quando os guerrilheiros faziam cursos. Foi o segundo golpeduro seguido na guerrilha. Na semana passada, outro ataquematou 33 integrantes das Farc em Arauca.
John Vizcaino/Reuters
Novo Fiat Siena cresce, traznovidades e se liberta do Palio
Depois de 14 anos o Fiat Siena mudoudeaparência.Anovageraçãodosedãtemestilo diferente do Palio. Testes mostramque o destaque é a suspensão.
CARRO ETC
PANORAMA POLÍTICO
de Brasília
Subalterno
Com dois temas relevantes para serem votados, aLei Geral da Copa e o Código Florestal, o presidenteda Câmara, Marco Maia (PT-RS), e os líderes aliadoschegaram à conclusão de que pegaria muito mal pa-ra a Casa esperar a presidente Dilma voltar do ex-terior para retomar as votações, como havia sidoanunciado. Os mais experientes dizem que o Con-gresso sempre se submeteu aos governos que for-mam maioria, mas que, no passado, havia a preocu-pação de salvar as aparências.
 A posição do relator do Código Florestal
E-mail para esta coluna:
panoramapolitico@oglobo.com.br 
■■■■■■
A VICE-PRESIDENTE
da Câmara, Rose de Freitas (PMDB-ES), está uma arara por causa da demissão do assessorda diretoria-geral da ANP Fernando Câmara.
PLANO B.
Além de Luiza Erundina, o advogado PedroDallari é citado por dirigentes do PSB como opção paradisputar a prefeitura de São Paulo.
DUPLA JORNADA.
Enquanto tentava desatar o nó naCâmara, a ministra Ideli Salvatti dividia suas preocupaçõescom o nascimento da neta, quinta-feira passada, em SantaCatarina. “E eu aqui, naquela semana simples”, disse elaontem, em um fórum sobre saúde da mulher.
JEITO.
O ex-presidente Lula tem se mostrado preocupado com atensão crescente entre a presidente Dilma e o Congresso. Ele nãoquestiona suas decisões, mas sim a metodologia. Lula tem repetidoa aliados que ela poderia fazer as mesmas coisas, mas de outraforma. O ex-presidente considera a truculência de Dilmadesnecessária. Um exemplo recente foi o processo de troca doslíderes do governo na Câmara e no Senado.
Não foi vitória acachapante. Melhor assim, nãohumilha ninguém” —
Alberto Goldman,
vice-presidente doPSDB, sobre o desempenho de José Serra nas prévias
Modus operandi
Sobreocongelamentodare-ceita do Rio com royalties nopatamar de 2011, o deputadoAnthony Garotinho (PR-RJ)propõe a correção desse valorpor um indexador. Os não pro-dutoresdefendemaconversãoem barris de petróleo.
Ex-biônico
O PMDB substituiu o ex-senador Wilson Santiago (-PB) pelo senador Luiz Hen-rique (SC) no Parlamentodo Mercosul. Santiago to-mou posse no Parlasulapós ter perdido o manda-to para Cássio Cunha Lima(PSDB-PB).
Fim da guerra fiscal
A pedido do governo, o senador Armando Monteiro(PTB-PE) apresentará hoje, na CCJ, um voto em separado afavor do projeto de unificação do ICMS para produtosimportados, contrariando o governador RenatoCasagrande (ES). O parecer do relator, Ricardo Ferraço(PMDB-ES), é contrário. E os outros estados se opõem àproposta feita por Casagrande de um período de transição.Como compensação, o estado deve receber cerca de R$ 3bi em antecipação de royalties e linhas de financiamentopara obras de infraestrutura.
Ricardo Stuckert/Instituto Lula/6-3-2012
ILIMAR FRANCO
com Fernanda Krakovics, sucursais ecorrespondentes
Racha
A bancada do PSB no Se-nado se dividirá na votaçãodo Funpresp. A líder, Lídiceda Mata (BA), e Antonio Car-los Valadares (SE) votarão afavor, enquanto João Capi-beribe (AP) será contra. Ro-drigo Rollemberg (DF) aindaé dúvida.
Relator do Código Florestal,odeputadoPauloPiau(PMDB-MG) fechou sua proposta eadotou como linha a posiçãodo ministro Mendes Ribeiro(Agricultura). No artigo 1
o
-
,que trata da função da pro-priedade rural, vai retomar otexto aprovado pela Câmara,pois o texto do Senado fere aLeiComplementar98.Assim,afunção será produzir alimen-tos, e não preservar o meioambiente. No artigo 62, vai fi-carcomotextodoSenado,re-jeitandoosincisos5,7,13e14.Essa condução desagrada aministra Izabella Teixeira(Meio Ambiente) e também osruralistas mais radicais. Numareunião reservada, Mendes Ri-beiro manifestou otimismo:“Nunca estivemos tão pertode um acordo”.
Bola com Sarney 
Contrariando a resoluçãoque impede a participação se-guida na Comissão do Orça-mento,oPSDindicouseusúni-cos senadores, Sérgio Petecão(AC)etiaAbreu(TO),comomembros novamente. Estásendo questionado pelo PT.
 
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Quarta-feira, 28 de março de 2012
O GLOBO
3
O PA Í S
Demóstenes sob investigação
Procurador-geral vê indícios consistentes contra senador e pede ao STF abertura de inquérito
 A 
Procuradoria Geral da Repú-blica (PGR) pediu ontem aoSupremo Tribunal Federal(STF) a abertura de inquéritopara investigar o senador Demóste-nes Torres (DEM-GO), além dos de-putados federais Carlos Alberto Le-réia(PSDB-GO)eSandesJunior(PP-GO), envolvidos com o contraven-tor Carlos Augusto Ramos, o Carli-nhos Cachoeira, preso pela PolíciaFederal sob a acusação de chefiarumesquemadeexploraçãodejogosde azar. A decisão foi anunciada noinício da noite, após intensa pres-são sobre o procurador-geral da Re-pública, Roberto Gurgel, que desde2009conheciaasrelaçõesentrepar-lamentares e o contraventor. On-tem,Torrespediuafastamentodali-derança do DEM no Senado.Ao pedir a investigação, RobertoGurgelafirmouqueosindícioscontraosdoisdeputadosfederaissãomenoscontundentes,emcomparaçãocomomaterial coletado sobre a relação en-tre Demóstenes e Carlinhos Cachoei-ra.SegundoreportagemdoGLOBO,osenador do DEM pediu R$ 3 mil a Ca-choeira para contratar um serviço detáxi-aéreo e confidenciou ao contra-ventor conversas que manteve noExecutivo,noLegislativoenoJudiciá-rio. A defesa do parlamentar confir-mou que o cliente recebeu um apare-lho Nextel, habilitado nos EstadosUnidos,queteriasidousadoparacon-versassecretas,segundoaPF.—Emrelaçãoaessesoutrosparla-mentares, há menos elementos.Considereiosdiálogosgravesosufi-ciente para que pedisse abertura deinquérito — afirmou Gurgel, logoapós apresentar a peça ao STF.Diante de indícios mais robustoscontra o senador, Gurgel pediu aoSTF que desmembre a investigação.Ele quer que seja instaurado um in-quérito só para apurar as possíveiscondutas ilícitas de DemóstenesTorres. Outro processo deve inves-tigar se os dois deputados federaiscometeram alguma ilegalidade. Oprocurador fez questão de frisarque a investigação parte de elemen-tos ligados apenas ao contato dosparlamentares com o contraventor.— Os indícios são sempre relacio-nados ao personagem central da-quelasinvestigações,queéconheci-do como Carlinhos Cachoeira —afirmou o procurador.
Pressão de frenteanticorrupção
l
Gurgel disse que passou os últimos20 dias analisando o material produ-zido pela Polícia Federal, e ouvindoconversas gravadas, em um períodode dez meses. Na documentação en-tregue ao STF, o procurador reuniu omaterial da Operação Monte Carlo,que no fim de fevereiro desbaratouuma organização criminosa que co-mandavaosjogosdeazaremGoiás.A operação resultou na prisão de 29pessoas.Oprocurador-geralaindain-corporouinformaçõesrecolhidaspe-laSuperintendênciadaPFemAnápo-lis, em 2009, durante investigaçãoprecedente sobre os jogos de azar,que já indicava o envolvimento docontraventor com políticos do esta-do. O procurador, porém, não abriuinquéritoàépoca.Gurgel entrou com o pedido de in-vestigação após reunião com parla-mentares da Frente de Combate àCorrupção do Congresso, que exigi-am a apuração do caso. De acordocom o deputado Chico Alencar(PSOL-RJ), Gurgel argumentou que“tinha poucos elementos probatóri-os” para abrir um inquérito. E expli-cou que, em 2010, a Monte Carlo co-meçara, dando ao procurador os in-dícios suficientes para investigar osparlamentares.— Segundo as informações do pro-curador, a investigação (Monte Car-lo) ainda estava em curso. E como,claramente, envolvia membros doCongressoNacional,ouseja,pessoascom foro privilegiado, se ele se ante-cipasse poderia interromper, atrapa-lharasinvestigações—afirmouose-nador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP),antesdeanunciarquepediho-jeaaberturadeprocessoporquebradedecoroparlamentarcontraosena-dorDemóstenesTorres.Randolfe e o senador Pedro Ta-ques(PDT-MT)pediramaoprocura-dor-geral que envie ao Congresso oconteúdo da investigação que rela-ciona o contraventor aos parlamen-tares, citados nas conversas telefô-nicasinterceptadaspelaPF,comau-torizaçãojudicial.Tambémpediramque a PGR informe os nomes de to-dos os parlamentares citados no re-latório da investigação. A represen-tação também foi remetida para jul-gamento do STF, uma vez que o pro-cesso corre em segredo judicial.Uma terceira frente de apuraçãodeve ser feita na Justiça de Goiás,contra Carlinhos Cachoeira e inte-grantes de seu grupo, que não têmforo privilegiado. A decisão sobre odesmembramento da investigaçãoemtrêsinquéritosdependedade-cisãodoSTF.OadvogadodeDemós-tenes, Antônio Carlos de AlmeidaCastro, afirmou que o pedido deaberturadeinquéritoeraoqueade-fesa queria para impedir a exposi-ção “cruel e indevida” do senador.Castro ressaltou que as provas con-tra Demóstenes, caso existam e se-jam fruto das interceptações telefô-nicas, são nulas, pois o parlamentarnão era investigado.
n
Ailton de Freitas
DEMÓSTENES TORRES evitou entrevistas e saiu pelos fundos do Senado. Em encontros com líderes do governo e da oposição, tentou evitar um julgamento político
Roberto Maltchik
roberto.maltchik@bsb.oglobo.com.br
Carolina Brígido
carolina@bsb.oglobo.com.br
BRASÍLIA 
 Na ocasião, recebemos diversos presentes,inclusive um fogão e uma geladeira ofertados pelocasal de amigos. A boa educação recomenda não perguntar o preço de um presente, muito menos recusá-lo
Demóstenes sobre os presentes que recebeude Carlinhos Cachoeira, em março
 Podem grampear àvontade. Não vão encontrar nada. Isso nãovai me intimidar 
Ao afirmar não temer investigação de suasligações com o contraventor, em março
 Já esgotei a capacidade de aguentar calado e a paciência se esvaiu. Vou pedir o desligamento dos membros do DEM que estão no governo (do Distrito Federal). Ou saem do governo, ou do partido.
Sobre mensalão do DEM em Brasília, em 2010
Vamos continuar o processo de obstrução elutar para investigá-lo dignamente
Ao votar pela cassação de Renan Calheiros,a quem pediu ajuda ontem, em 2007
Corrupção é um negócio suprapartidário. Os malandros estão em todosos governos e, às vezes, migram de um governo para outro
Como relator da CPI do apagão aéreo, em2007
l
BRASÍLIA.
A situação política do senador Demóste-nes Torres piorou muito ontem e já não se descartaatéumarenúnciadomandatoemfunçãodaperdadoapoio de antigos aliados no Senado. Com a imagemdedefensordaéticamaculada,aaberturadeinquéri-to no Supremo Tribunal Federal (STF) e sob o riscode ser expulso do partido e processado no Conselhode Ética do Senado por quebra de decoro parlamen-tar, Demóstenes foi forçado a entregar o cargo de lí-derdoDEM.Nasprimeirashorasdamanhãaindape-diu aos colegas para não ter um julgamento político.O senador goiano chegou a apelar para inimigosferrenhos, como o líder do PMDB, Renan Calheiros(AL), e o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), com quem teve um dos mais acalorados emba-tesnoplenárionosúltimosanos.Masnãoconseguiugarantia de que não sofrerá um julgamento político.Em 2007, quando enfrentava processo de cassaçãopelo envolvimento com lobistas, Renan teve em De-móstenes um dos mais duros algozes.Semdarentrevistasefugindodosjornalistasen-trandoesaindodoSenadopelosfundos—,Demóste-nes passou a manhã em reuniões reservadas com lí-deresnoSenado,doseugrupodeoposiçãoetambémcom governistas. O encontro com Renan Calheiros,pelomenosporenquanto,teveoresultadoesperado.—Euachoque,emhavendoinvestigaçãodosórgãosde controle, não há necessidade de uma investigaçãopolíticaaquinoSenadodefendeuRenan,queenfren-tou processo de cassação no Senado e foi absolvido,mastevequerenunciaràpresidênciadaCasa.DepoisdereceberdeDemóstenesacarta-renúnciaàli-derança, o presidente do DEM, senador José Agripino(RN),assumiuocargodelíderelembrouocasodaexpul-são do ex-governador José Roberto Arruda, declarandoque,oficialmente,opartidoaindanãodiscuteumapossí-vel expulsão de Demóstenes. Mas, ao ser questionado,deixouclaroque,seficarcomprovadoseuenvolvimentoem irregularidades no escândalo da Operação MonteCarlo,issonãoestádescartado.SechegaraevinciascomonocasodoArruda?O partido não hesitará nem um minuto! (sobre a ex-pulsão de Demóstenes) — disse Agripino, informan-do que não conversou sobre a possibilidade com De-móstenes, mas que ele sabe disso. — Até lá estare-mos reféns dos fatos. Estamos no campo das hipóte-ses. O DEM tem autoridade moral para dizer e fazer oque os outros partidos não fizeram. Não convivemoscom a perda da ética — disse Agripino.Até a decisão do procurador Roberto Gurgel de en-caminhar o caso ao Supremo, o PSDB ainda relutavaem falar em processo no Conselho de Ética. Mas, nofinal do dia, o líder tucano Álvaro Dias (PR) mudou odiscursoedisseque,sehouverenvolvimentodepar-lamentares,oPSDBvaitomarprovidênciasenérgicase imediatas:— Conhecendo o teor das investigações e se hou-ver justificativas para tal, se houver envolvimentode parlamentares, eu apoio a ida do caso para oConselho de Ética. Não podemos usar dois pesos eduas medidas.Em silêncio desde 6 de março, quando foi à tribunasedefenderdasprimeirasdenúnciaserecebeuasoli-dariedade maciça do plenário, Demóstenes divulgoucarta enviada a Sarney afirmando que não pretendevoltaràtribunaatéconheceroteordasinvestigaçõesda PGR e da Polícia Federal. Mas disse que não deixa-rá nada sem resposta.“(...) Não me escusarei de responder a qualquerquestionamento que, porventura, seja feito pelos se-nadores e senhoras senadoras. Reafirmo o que disseno plenário: se existe alguma suspeita sobre o meuprocedimento,exijoprofundaemeticulosainvestiga-ção no foro constitucional adequado, qual seja o Su-premo Tribunal Federal.”
Renúncia é cogitada
Maria Lima
marlima@bsb.oglobo.com.br
Sem apoio, senador entrega liderança do DEM e pode até deixar mandato
Ailton de Freitas
AGRIPINO MAIA: novo líder do DEM não descarta expulsão

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