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Mato Grosso

Mato Grosso

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01/21/2013

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ApresentaçãoOrientações Curriculares para a Educação Básica do Estado de Mato Grosso
As Orientações Curriculares para a Educação Básica do Estado de Mato Grossofundamenta-se na decisão política de fazer chegar ao chão da escola um texto claro e concisoque, a par dessa clareza e concisão, ofereça ao professor uma visão inequívoca do homem eda sociedade que se quer formar.Um retrospecto histórico da educação brasileira, desde a colonização aos dias atuais,permite a visualização de um país aparentemente dual, tanto nas políticas econômicas, quantosociais.Na concepção de Francisco de Oliveira (1981), por detrás da aparente dualidade,existe uma integração dialética que permite a convivência entre o atrasado e o desenvolvido,com maior privilégio para aqueles que detêm o poder econômico. No caso da educação, essadualidade revela-se nas diferentes concepções entre redes de ensino, entre entes federados, e,especialmente, entre os diversos modelos de ensino oferecido, que separam trabalho manualde trabalho intelectual.Na última década do século XX, o Estado de Mato Grosso acompanhou as discussõesnacionais, procurando criar para a educação uma identidade conceitual que potencializeesforços capazes de superar a dicotomia existente entre gestão educacional e organizaçãopolítico-pedagógica, sem superar, contudo, as razões estruturais que dificultam a qualidade doensino para a maioria da população.A economia brasileira já esteve sob a égide do capitalismo agrário. A elite dirigente jáconviveu sem preocupação com o grande percentual de cidadãos analfabetos – exército dereserva – necessários para o crescimento das grandes empresas e do capital internacional. Nasúltimas décadas, com o impacto dos avanços tecnológicos, o Brasil, como a maioria dospaíses do mundo, vem promovendo reformas nos seus sistemas educacionais, com o discursode superar a herança de uma educação seletiva, excludente e, acima de tudo, dualista.As mudanças que têm ocorrido na sociedade e no trabalho têm mostrado que o homemnecessário para o trabalho mecânico está em fase de superação. As mudanças da tecnologiacom base na microeletrônica, mediante a informatização e a robotização, além derevolucionar as áreas da química e da genética, modificam os meios de sustentação do capital,alterando também os paradigmas sociais e científicos, exigindo assim um novo trabalhador.A educação em seu papel preponderante de formação humana vê-se instada a atenderàs novas necessidades sociais e econômicas, aliando-se aos aspectos da ética, da
 
7solidariedade, da gestão compartilhada das políticas sociais, das utopias e das tecnologias afavor da vida, como verdadeiros aspectos do que se possa constituir como uma sociedadesustentável, a despeito do fenômeno da globalização econômica que, embora anunciada comotriunfante ao final do século XX, vem revelar, através dos capitais fictícios, das “inesperadas”falências, da esquizofrenia do mercado financeiro derrubando as bolsas, sua fragilidade econtradição, como sistema capaz de promover justiça social com igualdade de oportunidadespara todos, conservados os valores humanos e sociais indispensáveis à vida e à sobrevivênciaplanetária.Em Mato Grosso, as políticas e práticas educacionais têm buscado responder a essanova realidade. Desde a aprovação da LDBEN, em 1996, novas possibilidades para aorganização da educação foram abertas. A Constituição Estadual passou a permitir aorganização da educação na forma de gestão compartilhada, indicando um sistema único deensino, no sentido de superar a dicotomia entre as redes, possibilitando uma abordagemsistêmica da educação, cuja política educacional priorize a formação da pessoa humana.A gestão compartilhada da educação, articulando as redes municipal e estadual,fomentou discussões com a base na escola, gerando documentos de referência para o sistemaúnico de ensino, acordado com o Sindicato dos Profissionais da Educação e demaisinstituições representativas.Foram construídas propostas educacionais para o ensino fundamental na intenção desuperar a escola seriada, norteando a organização escolar por ciclos de aprendizagem deduração trienal, antecipando o ensino de nove anos, posteriormente adotado pelo país. Foipactuada a proposta de ensino médio integrado, com o intuito de superar a separação entre osque pensam e os que fazem, entre o trabalho manual e o intelectual. Enfim, o Estadoincorporou as premissas para um novo modelo de sociedade, que passaram a orientar aformulação das políticas e o desenvolvimento de programas e projetos.Como as mudanças estruturais, necessárias às mudanças políticas, encontravam-sereguladas pelo movimento de inserção do Brasil e do Estado na internacionalização daeconomia, as propostas não atingiram a profundidade necessária que possibilitasse ultrapassaro patamar alcançado no final do século XX e início do XXI, detendo-se na ante-sala dosistema único de ensino. Assim, a implementação de uma proposta realmente capaz de romperas barreiras entre o pensar e o fazer, na superação de uma prática educacional destinada areforçar a lógica de formação de duas espécies de homem, aquele que deve ser formado para otrabalho manual e o outro que pensa e para o qual se destina o trabalho intelectual, vê-se,minimizada em sua aplicação. Mesmo assim, o movimento realizado pelo Estado, marcafundamentalmente a concepção de educação presente nos projetos pedagógicos das escolas e
 
8nas organizações estruturais nos municípios de Mato Grosso. O debate educacional que sedesenvolveu nos últimos anos permite visualizar a incorporação de concepções construídas nocoletivo do sistema público: práxis pedagógica, politecnia, escola unitária, sistema único deensino...No início do século XXI, ano de 2002, chega ao poder no país uma nova proposta deorganização política, redefinindo o papel do estado e conseqüentemente o da educação. Aospoucos as discussões vão novamente tomando corpo, agora de forma mais amadurecida. Apopulação discute o sistema nacional de educação, que incorpora, em grande parte, asdiscussões que Mato Grosso realizou no início da última década do século XX.Em Mato Grosso há novamente uma efervescência de idéias. Retoma-se a discussão dacolaboração entre os entes federados, ocorre a aproximação com o Sindicato dos Professorespara a construção de políticas alternativas. Não obstante as diferenças há avançossignificativos nos pactos realizados, tendo em vista o compromisso com a qualidade daeducação pública.O Governo do Estado, através da Secretaria de Educação, estabelece diálogo franco edireto com o MEC, construindo plano de ação articulada com todos os 141 municípios deMato Grosso. Constrói com as universidades públicas, SINTEP, CEE, CEFETs, entre outrasentidades, plano de formação de professores e avança na organização das OrientaçõesCurriculares para a Educação Básica, uma histórica solicitação das escolas, pois osdocumentos produzidos na esfera nacional, apesar de bem fundamentados, não respondem aocotidiano da escola mato-grossense, não se constituindo como referência suficiente para aelaboração da proposta curricular da Educação Básica no Estado.Para atender a essa solicitação, algumas decisões políticas foram tomadas: primeiro,considerar o trabalho entendido como práxis humana como categoria organizadora doprocesso de construção das diretrizes, concebendo o humano por sua capacidade de intervir nanatureza e transformá-la, e, no caso do Mato Grosso, transformá-la em favor dasustentabilidade entendida a partir dos aspectos aqui destacados.Desta opção epistemológica decorre, como princípio pedagógico, a busca da superaçãoda divisão entre trabalho manual e intelectual, concebidos como as duas dimensões que searticulam dialeticamente para constituir a práxis humana. Ou seja, compreender que aeducação não pode ser ofertada de forma desigual em função da origem de classe dos alunos,desenvolvendo projetos que formem para o exercício de funções intelectuais ou operacionais,separando atividade intelectual de atividade prática. Ao contrário, o desafio é propiciar atodos Educação Básica de qualidade, como expressão do compromisso com a inclusão social.

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