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Processo Penal i - 2012

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PROCESSO PENAL I
Conceito de processo penal
Cometida a infração penal, nasce para o Estado o direito de punir(pretensão punitiva), consubstanciado na legislação material, com alicerceno direito fundamental de que não há crime sem prévia lei que o defina,nem pena sem prévia lei que a comine.O Direito Penal, que forma o corpo de leis voltado à fixação doslimites do poder punitivo estatal, somente se realiza, no Estadodemocrático de Direito, através de regras previamente estabelecidas,igualmente para cercear os abusos eventualmente cometidos pelo Estado(que não são poucos).Portanto, Direito Processual Penal é o corpo de normas jurídicas cujafinalidade é regular o modo, os meios e os órgãos encarregados de punir doEstado, realizando-se por intermédio do Poder Judiciário,constitucionalmente incumbido de aplicar a lei ao caso concreto.Na visão de Rogério Lauria Tucci, correspondendo
àinstrumentalização da jurisdição, ou seja, da ação judiciária, em que seinsere ação das partes, apresenta-se o
processo penal
como um conjunto deatos que se realizam sucessivamente, preordenados à solução de umconflito de interesses de alta relevância social. A regulamentação dessesatos, integrantes do procedimento em que ele se materializa, encontra-seestabelecida nas leis processuais penais, aliás com muito propriedade
 (Nucci) .
O processo penal
Na esfera penal, a trilogia composta pelos elementos
poder-processo-direito
apresenta direta relação com o exercício do direito depunir do Estado. O jus puniendi, enfim, será ao mesmo tempo a decorrêncialógica e o objetivo principal do
poder
estatal, exercido por meio de um
processo
disciplinado por
normas e princípios jurídicos
.
 
2
Basta observar que, se determinado indivíduo realiza umadeterminada conduta descrita em tipo penal incriminador, a conseqüênciadesta prática será o surgimento para o Estado do poder-dever de aplicar-lhea sanção correspondente. Essa aplicação, contudo, não poderá ocorrer àrevelia dos direitos e garantias fundamentais do indivíduo, sendo necessáriaa existência de um instrumento que, voltado à busca da verdade real,possibilite ao imputado contrapor-se à pretensão estatal.Aqui surge, então, o
processo penal
, como instrumento destinado àrealização do
poder punitivo
do Estado e cujo desenvolvimento seráregido por um conjunto de normas, preceitos e princípios que compõem o
direito processual.(Avena)
 
Conteúdo do processo penal
Se, por um lado, a finalidade do processo é possibilitar ao Estado asatisfação do jus puniendi e, por outro, a realização desse direito de punirestá condicionada à observância de garantias que permitam ao imputadoopor-se à pretensão punitiva estatal, conclui-se que, para alcançarvalidamente seu desiderato e atingir o fim a que se destina, o processodeverá ter desenvolvimento regular, o que compreende:
a)
Instauração de uma
relação jurídica processual
, triangularizadapelo juiz (como sujeito processual imparcial a quem compete a solução dalide) e pelas partes (acusação no pólo ativo e defesa no pólo passivo).Define-se, assim, relação jurídica como o vínculo que se estabelece entre ossujeitos que, no processo, ocupam posições distintas e aos quais assistemfaculdades, direitos e obrigações. (Avena)A relação jurídica processual, que se forma entre os sujeitos doprocesso (juiz e partes), pela qual estes titularizam inúmeras posições jurídicas, expressáveis em direitos, obrigações, faculdades, ônus e sujeiçõesprocessuais.(Capez).
b)
O procedimento, consistente em uma sequência ordenadas de atosinterdependentes, direcionados à preparação de um provimento final; é asequência de atos procedimentais até a sentença (Capez).
 
3
A realização de uma seqüência ordenada de atos, chamada de
 procedimento,
a qual abrange, necessariamente, a formulação de umaacusação (pública ou privada), o exercício do direito de defesa, a produçãodas provas requeridas pelos pólos acusatório e defensivo e a decisãofinal.(Avena)Observe-se que, tanto à relação jurídica estabelecida entre os sujeitosdistintos quanto ao processo, deverão incidir os princípios processuaisconstitucionais, assecuratórios de garantias como a do contraditório, daampla defesa, do devido processo legal, da publicidade dos atos, de ser julgado o réu por juiz com competência previamente definida a partir denormas jurídicas gerais (juiz natural) etc.O procedimento é o modo pelo qual são ordenados os atos doprocesso, até a sentença. De acordo com o art. 394 do CPP, com a redaçãodeterminada pela Lei n. 11.719, de 20 de junho de 2008, o procedimentoserá comum ou especial. O
procedimento comum
divide-se em:
(a)ordinário:
crime cuja sanção máxima cominada for igual ou superior aquatro anos de pena privativa de liberdade, salvo se não se submeter aprocedimento especial;
(b)
 
sumário:
crime cuja sanção máxima cominadaseja inferior a quatro anos de pena privativa de liberdade, salvo se não sesubmeter a procedimento especial;
(c)
 
sumaríssimo:
infrações penais demenor potencial ofensivo, na forma da Lei n. 9.099/95, ainda que hajaprevisão de procedimento especial. Enquadram-se nesse conceito ascontravenções penais e os crimes cuja pena máxima não exceda a dois anos(de acordo com o novo conceito de infração de menor potencial ofensivotrazido pela Lei n. 10.25912001 e pelo art. 61 da Lei n. 9.099/95, com aredação determinada pela Lei n. 11.313, de 28-6-2006). Dessa forma, adistinção entre os procedimentos ordinário e sumário dar-se-á em função dapena máxima cominada à infração penal e não mais em virtude de esta serapenada com reclusão ou detenção. Na prática, como se verá mais adiante,com a reforma processual, poucas diferenças restaram entre os ritosordinário e sumário, pois ambos passaram a primar pelo princípio daceleridade processual, bem como pelo aprimoramento da colheita da prova,de onde surgiram alguns reflexos:
(a)
concentração dos atos processuais emaudiência única;
(b)
imediatidade;
(c)
identidade física do juiz. Finalmente,nos processos de competência do Tribunal do Júri, o procedimento

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