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Ferreira de Castro - A Selva

Ferreira de Castro - A Selva

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A SELVAFERREIRA DE CASTRODigitalização e ArranjoAgostinho CostaFerreira de Castro é o escritor português mais traduzido noestrangeiro e o romancista mais conhecido na vasta comunidadeonde se fala a lingua portuguesa.Alguns dos seus romances retratam um Brasil apaixonante,misterioso e revelador, outros penetram no húmus português eoutros ainda ocupam-se dos problemas trágicos de um mundodilacerado que procura descobrir a sua verdade. O quedescobrimos, porém, em qualquer dos romances de Ferreira deCastro é a mesma profunda paixão pelo destino do homem, o seuapego a uma verdade fundamental que se alicerça na conquistade um ideal de liberdade humana Não é possível pensar noromance português deste meio século sem, de imediato, nosreferirmos a Ferreira de Castro como precursor doneo-realismo, ao seu nome e à sua obra, de tal modo nos surgemcomo essenciais para a pesquisa do quotidiano.A DIANA DE LIZ"Uma sensação de profunda melancolia que se apodera doespírito, nos adverte de que estamos dentro das mais densassolidões do mundo. No Alto Amazonas, principalmente, dominaesse amargo sentimento que obriga a alma a dobrar-se sobre simesma.TAVARES BASTOS - VALE DO AMAZONAS, 1866."Ser forçado a descer naquele horror, mesmo que se aterre
 
incólune, é ficar onde se desceu e morrer sepultado nasombra". - DE PINEDO."Realmente a Amazónia é a última página, ainda a escrever-se, do Génesis". - EUCLIDeS DA CuNHA.Eu devia este livro a essa majestade verde, soberba eenigmática, que é a selva amazónica, pelo muito que nela sofridurante os primeiros anos da minha adolescência e pela coragemque me deu para o resto da vida. E devia-o, sobretudo, aosanónimos desbravadores, que viriam a ser meus companheiros,meus irmãos, gente humilde que me antecedeu ou acompanhOu na brenha, gente sem crónica definitiva, que à extracção da borracha entregava a sua fone, a sua liberdade e a suaexistência. Devia-lhes este livro, que constitui um pequenocapítulo da obra que há-de registar a tremenda caminhada dosdeserdados através dos séculos, em busca de Pão e de justiça.A luta dos cearenses e maranhenses nas florestas da Amazóniaé uma epopeia de que não ajuíza quem, no resto do Mundo, sedeixa conduzir, veloz e comodamente, num automóvel com rodasde borracha - da borracha que esses homens, humildementeheróicos, tiram à selva misteriosa e implacável.FERREIRA DE CasTROPEQUENA HISTóRIA Da SELVAFOI à uma hora da noite, a noite densa, quente e húmida de28 de Outubro de 1914, que parti do seringal onde decorre estelivro, lá longe, nas margens escalavradas do Madeira, quenenhuma estrela, então, alumiava.Nos dois barracões e três cabanas que constituiam os únicosabrigos humanos naquele rasgão da floresta, aberto como umátrio, à beira do rio, os habitantes eram poucos e quase todosdormiam. Apenas dois adolescentes como eu, sonhando também comos horizontes que sabíamos existirem para além da selva, aomesmo tempo desejados e temidos, vieram a bordo despedir-se demim.O Sapucaia apitou, recolheu a prancha e começou a afastar-sedo grande barranco, que três inolvidáveis palmeiras, altas e
 
garbosas, padroavam e se viam de largo, nobres que nem propileus e representativas como um brasão do seringal.Uma só luz ardia em terra: a do farol que iluminava osdegraus de acesso à varanda do barracão maioral, esse farolque eu, durante anos, fora encarregado de acender, de apagar ede limpar dos insectos que sobre ele morriam ao longo dasnoites tropicais.Ainda disse adeus com um lenço, mas ninguém me respondeu -recorda-me o velho papel onde fixei a lápis, pouco tempodepois, a emoção dessa segunda aventura, maior e mais incerta-18-ainda da que a primeira, duma esistência sonhadora edescuidada.A luz do farol ia diminuindo ao longe, pequena, estática, um ponto único e vermelho na noite da floresta - um ponto finalna minha vida ali.Na terceira classe, aberta dos lados, quase ao rés da água,que vinha da proa num rumor de queixa, os outros passageiros,como os habitantes do seringal, dormiam também.Debruçado na amurada, de coração opresso, demorei-me a ver onavio distanciar-se, avançando para a curva do rio, essa curvaque, quando o sol nascia, dava ao grande curso líquido, com aténue neblina do seu próprio bafo, o aspecto brumoso dum lagoao despertar.Eu tinha, então, dezasseis anos, E dos quatro que passaraali, não houve um só dia em que não desejasse evadir-me para acidade, libertar-me da selva, tomar um barco e fugir, fugir dequalquer forma, mas fugir!E agora que a aspiração se realizava, que a cadeia abria assuas portas, que os dementados ramos das árvores deixavam dese emaranhar sobre o meu destino, eu partia desejando ficar, porque dias antes, justamente quando fora despedir-me dos seus pais, lá nas profundidades da mata, à beira do Lago-Açu,havia-me apaixonado pela única rapariga que existia, como um brinde inverosímil, em toda a enorme extensão do seringal.Assim, da minha longa estada ali, trazia apenas, como saldo,esse novo conflito sentimental, doloroso e cheio de perplexidades, como é o das paixões na adolescência, e um pobre saque de cinquenta mil réis sobre uma casa de Manaus. Écerto que levava também, no fundo do baú, o manuscrito dumromance ingénuo que escrevinhara dois anos antes; na cabeça umtropel de ideias para outros que nunca cheguei a redigir e, nacarne e no sangue, este roteiro do drama social dos cearenses

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