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A Agonia No Getsemani

A Agonia No Getsemani

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A Agonia no Getsêmani
No. 1199Sermão pregado no Domingo, 18 de Outubro de 1874.
Por Charles Haddon Spurgeon.
No Tabernáculo Metropolitano, Newington, Londres
“ 
 E, posto em agonia, orava mais intensamente. E o seu suor tornou-seem grandes gotas de sangue, que corriam até ao chão.
” ( 
 Lucas 22:44)
Quando nosso Senhor terminou de comer a Páscoa e celebrar a ceia comseus discípulos, foi com eles ao Monte das Oliveiras, e entrou no jardim doGetsêmani. O que o induziu a selecionar esse lugar para que fosse a cena desua terrível agonia? Porque haveria de ser arrastado ai por seus inimigos depreferência a qualquer outro lugar? Por acaso é difícil que entendamos queassim como num jardim a auto-complacência de Adão nos arruinou,também em outro jardim as agonias do segundo Adão deveria nosrestaurar? O Getsemani ministra as medicinas para curar os males queforam a consequência do fruto proibido do Éden. Nenhuma flor que tenhaflorescido nas ribeiras do rio repartido em quatro braços foi alguma vez tãopreciso para nossa raça como foram essas ervas amargas que comdificuldade cresciam as margens do enegrecido e sombrio ribeiro deCedrom o foram.Por acaso nosso Senhor também não pode se lembrar de Davi, quandonaquela memorável ocasião, saiu da cidade escapando de seu filho rebelde,
segundo está escrito: ―
também o rei passou o ribeiro de Cedrom, e passou
todo o povo na direção do caminho do deserto.”
(2 Samuel 15:23), e ele eseu povo subiram descalços e com a cabeça descoberta, chorando em altavoz enquanto subiam? Eis aqui, Um mais grande que Davi abandonando otemplo e se acha desolado, e deixa a cidade que havia rejeitado suasadvertências, e com um coração cheio de tristeza atravessa o pestilentoribeiro, para buscar na solidão um alívio para suas angústias. Mais ainda,nosso Senhor queria que nós víssemos que nosso pecado havia mudadotudo ao redor Dele em aflição, converteu suas riquezas em pobreza, sua pazem duros trabalhos, sua glória em vergonha, e assim também o lugar de seuretiro pleno de paz, onde em santa devoção tinha estado tão próximo do céuem comunhão com Deus, nosso pecado transformou no foco de sua aflição,o centro de sua dor. Ali onde seu deleite tinha sido maior, ali estavachamado a sofrer sua máxima aflição.
 
3www.projetospurgeon.com.br 
Também pode ser que nosso Senhor tenha escolhido o jardim porque,necessitado de qualquer recordo que o ajudasse no conflito, sentia orefrigério que lhe viria ao lembrar-se das horas passadas transcorridas alicom tanta quietude. Ali tinha orado, e obtido força e consolo. Essasenroladas e retorcidas oliveiras o conheciam muito bem; não havia no jardim uma só folha sobre a que Ele não houvera se ajoelhado. Ele haviaconsagrado esse lugar para comunhão com Deus. Não é nenhuma surpresa,então, que tenha preferido essa terra privilegiada. Assim como um enfermoescolheria estar em sua própria cama, assim Jesus escolheu suportar suaagonia em seu próprio oratório, onde as lembranças dos momentos decomunhão com Seu Pai estariam de maneira vivida diante Dele.Porem, provavelmente, a principal razão para ir ao Getsêmani foi que eraum lugar muito conhecido e frequ
entado por Ele, e João nos diz: ―
etambém Judas, o que o entregava, conhecia aquele lugar 
.‖ Nosso Senhor 
não desejava se esconder, não precisava ser perseguido como um ladrão, ouser buscado por espias. Ele foi valorosamente ao lugar onde seus inimigosconheciam que Ele tinha o costume de orar, pois Ele queria ser tomadopara sofrer e morrer. Eles não o arrastaram ao pretório de Pilatos contra suavontade, mas sim que foi com eles voluntariamente. Quando chegou a horade que fosse traído, ali Ele estava, num lugar onde o traidor poderia oencontrar facilmente, e quando Judas o traiu com um beijo, sua face estavapronta para receber a saudação traidora. O bendito Salvador deleitava-se nocumprimento da vontade do Senhor, ainda que isso implicasse a obediênciaaté a morte.Chegamos assim até a porta do jardim do Getsêmani, portanto, entremos;porem, primeiro, tiremos os sapatos, como Moises quando viu a sarçaardendo com fogo que não se consumia. Certamente podemos dizer com
Jacó: ―
Que terrível é esse lugar 
!‖ Temo diante da tarefa que tenho em
minha frente, pois, como meu débil discurso poderia descrever essasagonias, para as quais os fortes clamores e as lágrimas seriam escassamenteuma adequada expressão? Quero, juntamente com vocês, repassar ossofrimentos de nosso Redentor, porem, oh, que o Espírito de Deus nosimpeça qualquer pensamento fora de lugar ou que nossa língua expresseuma só palavra que seja depreciativa para Ele, seja em Sua humanidadeimaculada ou em sua gloriosa Deidade.Não é fácil quando se está falando de Alguém que é por sua vez Deus ehomem, manter a linha exata da expressão correta; é tão fácil descrever olado divino como se estivéssemos entrincheirados no humano, ou retratar olado humano às custa do divino. Por favor, perdoem de antemão qualquererro. Um homem precisa ser inspirado, ou limitar-se nada mais às palavras

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