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Mapa de Risco Hospitalar

Mapa de Risco Hospitalar

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Published by: mariojosepereiraneto705 on Apr 08, 2012
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503
M S I   V R  S  R HM S 
O processo de construção de mapasde risco em um hospital público
The process ofbuilding risk mapsin a public hospital
1Departamento deEpidemiologia eAntropologia,Institutode Pesquisa ClínicaEvandro Chagas,Fiocruz.Av.Brasil 4365,Manguinhos,21045-900,Rio de Janeiro RJ. yarahahr@ipec.fiocruz.br2Núcleo de Tecnologiae Logística em Saúde,Escola de Governo emSaúde,ENSP,Fiocruz.3Departamento deEngenharia Sanitária eMeio Ambiente,Faculdadede Engenharia,Uerj.
Yara Hahr Marques Hökerberg
1
Maria Angélica Borges dos Santos
2
Sonia Regina Lambert Passos
1
Brani Rozemberg
1
Paulo Marcelo Tenório Cotias
1
Luci Alves
1
Ubirajara Aloízio de Oliveira Mattos
3
Abstract
The paper presents a discussion about the experience ofbuilding a risk map by workersin a public hospital,in Rio de Janeiro city,resting on concepts ofoccupational health surveillance,total quality and biosafety.It goes from the first step to persuade the workers and managers,toidentify the potential sources ofrisk in the workenvironment,the elaboration ofthe map,untithe discussion about the preventive measures andthe presentation ofthe results by the workers at ascientific meeting in the hospital.The elaborationofthe risk map acted as a learning opportunity tosocialize concepts in the work health area,to inte- grate workers,to systematize the work process andto discuss work organization,having practical consequences which have furthered changes in theworking environment.
Key words
Risk map,Public health surveillance,Health services,Occupational health
Resumo
O artigo apresenta uma reflexão sobrea experiência de construção coletiva do mapa derisco em um hospital público,no município doRio de Janeiro,fundamentada nos conceitos debiossegurança,qualidade total e vigilância emsaúde do trabalhador.Partiu da etapa de sensibi-lização dos trabalhadores e gestores do hospital,da identificação dos riscos,da elaboração do ma- pa,até a discussão sobre as medidas preventivas ea apresentação dos resultados pelos trabalhadoresem centro de estudos.A elaboração do mapa derisco serviu como um processo educativo,que pos-sibilitou socializar conceitos da área de saúde dotrabalhador,integrar os trabalhadores,sistemati-zar o processo de trabalho e refletir sobre a formade organização do trabalho,gerando desdobra-mentos práticos sob o ponto de vista da interven-ção no ambiente de trabalho.
Palavras-chave
 Mapa de risco,Vigilância emsaúde pública,Serviços de saúde,Saúde ocupa-cional 
 
    H    ö     k   e   r     b   e   r   g ,    Y .    H .    M .
  e   t  a    l .
504504504504504504504504504504504
Introdução
As avaliações de risco constituem um conjuntode procedimentos com o objetivo de estimar opotencial de danos à saúde ocasionados pelaexposição de indivíduos a agentes ambientais.Tais avaliações servem de subsídio para o con-trole e a prevenção dessa exposição.Nos am-bientes de trabalho,esses agentes podem estarrelacionados a processos de produção,produ-tos e resíduos
1
.A Norma Regulamentadora NR-9 estabele-ceu a obrigatoriedade de identificar os riscos àsaúde humana no ambiente de trabalho
2,3
atri-buindo às Comissões Internas de Prevenção deAcidentes (CIPA) a responsabilidade pela ela-boração de mapas de riscos ambientais.Esse ar-ranjo normativo é considerado por alguns au-tores uma tentativa de garantir o controle sociale a participação do trabalhador na definição desuas condições e processos de trabalho
4,5
.Tradicionalmente,entretanto,as avaliaçõesde risco são realizadas por especialistas – queaplicam métodos científicos cada vez mais so-fisticados para identificar e mensurar quantita-tivamente os riscos
6
– ou são baseados em ins-trumentos pré-definidos por comissões de bios-segurança ou de qualidade para avaliar os riscose a conformidade a práticas de segurança
7,8
.Essas abordagens valorizam a adesão a padrõespreviamente estabelecidos e a modelagem deatitudes e comportamentos dos trabalhadores(uso de equipamento de proteção individual,adesão a boas práticas e capacitação de recur-sos humanos) e dos ambientes (otimização deinfra-estrutura).O objetivo explícito é garantira observância de padrões de segurança estabe-lecidos por especialistas,que dominam um sa-ber técnico.Outra abordagem à avaliação de riscos am-bientais,à qual se filiam a metodologia de ma-pa de risco e o diagnóstico rápido participati-vo
9
,prioriza a identificação dos riscos pelostrabalhadores,que implica a discussão coletivasobre as fontes dos riscos,o ambiente de traba-lho e as estratégias preventivas para reduzir osriscos identificados.Na área de saúde,o controle dos riscos am-bientais apresenta intersecções com três áreas:a biossegurança,a saúde do trabalhador e,maisrecentemente,a garantia de qualidade em esta-belecimentos de saúde.A biossegurança surgiu a partir de reco-mendações preventivas,prioritariamente parariscos biológicos,formuladas pela OrganizaçãoMundial de Saúde para controle do ambiente edo processo de trabalho de laboratórios de saú-de pública.Posteriormente,incluiu tambémriscos físicos,químicos e ergonômicos associa-dos às atividades desenvolvidas em qualquerambiente de atenção à saúde,aproximando-se,em seu escopo,dos programas de qualidade emestabelecimentos de saúde e da saúde do traba-lhador
10
.Não há pressuposto sobre a partici-pação dos trabalhadores na formulação de es-tratégias de biossegurança,apenas na obser-vância das regras e critérios técnicos.A partir da Lei Orgânica da Saúde
11
,a áreade saúde do trabalhador aproximou-se da vigi-lância em saúde do trabalhador.Suas atribui-ções passaram a incluir a intervenção sobre osambientes de trabalho,com a promoção de mu-danças nas condições e nos processos,a fim demelhorar o quadro de saúde da população tra-balhadora.A intervenção,que parte da delimi-tação de territórios de observação/intervençãoe da incorporação do conceito de risco,extra-pola o uso de conhecimentos e tecnologias mé-dico-sanitárias e inclui estratégias de comuni-cação social para estimular a mobilização e a or-ganização dos trabalhadores para a promoçãoe a defesa das condições de vida e saúde
12
.Em-bora possa haver discordâncias quanto à possi-bilidade de expressão do trabalhador nas estra-tégias de vigilância em saúde
13
,o ponto de par-tida pretende ser a expansão da capacidade deintervenção do trabalhador
14
.Os programas de qualidade total
15
em ser-viços de saúde visam promover a qualidade dosambientes,o controle dos riscos,a observânciaa padrões de conformidade na perspectiva demelhoria do desempenho da organização,comfoco na segurança do paciente,considerandosecundariamente a dos profissionais de saú-de
16,17
.O trabalhador participa propondo mu-danças que contribuem para a garantia da qua-lidade do serviço e melhoria do desempenhoorganizacional.Portanto,os três campos disciplinares con-templam os conceitos de risco e segurança dosambientes de trabalho em um sentido amplo,compreendendo as características físicas (in-fra-estrutura) e as ações humanas (processos)desse ambiente.Servem,porém,a distintos ob- jetivos e conferem sentidos bem diferentes àparticipação dos trabalhadores.Este artigo apresenta uma reflexão sobre aaplicação da metodologia de elaboração coleti-va do mapa de risco em um hospital público domunicípio do Rio de Janeiro,que realiza ativi-
 
 C i   ê  n c i   a  &  S  a  ú  d  e  C  ol   e  t  i   v a  , (   )   :  5  0  3 - 5  3  , 0  0  6 
505
dades de assistência,ensino e pesquisa em doen-ças infecciosas.A elaboração do mapa de riscointegrava uma estratégia de construção de umaproposta ampliada de implantação de ações embiossegurança,qualidade e vigilância em saúdedo trabalhador.
O mapa de risco no diagnóstico eintervenção sobre ambientes de trabalho
O mapa de risco é uma metodologia descritivae qualitativa de investigação territorial de ris-cos,difundida no Brasil no início da década de1980.Foi desenvolvida para o estudo das con-dições de trabalho e incorpora,em sua origem,a dimensão política de ação do trabalhador nadefesa de seus direitos embasada no ModeloOperário Italiano.Suas premissas são a valori-zação da experiência e do conhecimento dotrabalhador (o “saber operário”),a não delega-ção da produção do conhecimento,o levanta-mento das informações por grupos homogê-neos de trabalhadores e a validação consensualdas informações destes trabalhadores,a fim desubsidiar as ações de planejamento e controleda saúde nos locais de trabalho
18
.Na qualidadede instrumento da luta operária pelo controlesobre as condições de trabalho,subentende aaposta na força coletiva de trabalhadores cons-cientes para gerar as mudanças pretendidas.As limitações apontadas para o mapa de ris-co questionam as premissas da metodologia:osaber operário e a possibilidade de intervençãodos trabalhadores organizados sobre suas con-dições e seu ambiente de trabalho.Zocchio
19
argumenta que o “saber operário”não pode so-brepujar o “saber técnicoe Sato
20
indaga so-bre a possibilidade de construção de um “saberoperário”centrada em uma lógica própria,co-mo categoria distinta do “saber científico”.Lau-rell & Noriega
21
sustentam que o conhecimen-to particular baseado na experiência não per-mite generalização e teorização sobre as condi-ções de trabalho.No contexto de estabelecimentos de saúde,destaca-se,porém,uma peculiaridade.As cate-gorias médicas que estruturam a classificaçãodos riscos e cujo uso,em princípio,constituiuma contradição para um método que se pre-tende fundamentado no saber operário
20
,po-dem estar relativamente “naturalizadasentreprofissionais de saúde,não sendo possível pre-cisar até que ponto já não são constitutivas desuas representações.Uma outra limitação da metodologia residena dificuldade de avançar as discussões sobrerelações de trabalho (hierárquicas e de vínculoempregatício),que,embora estejam na basedas condições de trabalho,não são explicita-mente contempladas nas classificações de riscoda NR-5 ou da metodologia original italiana.Aproposta italiana categorizava os riscos em qua-tro grupos:1) fatores presentes no trabalho enos locais de habitação (luz,temperatura,venti-lação e umidade);2) fatores característicos dosambientes de trabalho (poeiras,gases,vaporese fumaças);3) fatores que provocam desgastefísico e mental;4) condições de trabalho quegeram estresse e a organização do trabalho
18
.As relações de trabalho não estão claramenteenunciadas em nenhuma dessas categorias.
O processo de elaboraçãodo mapa de risco
A iniciativa de realizar um mapeamento de ris-cos no Hospital em estudo foi desencadeadapor um processo de Acreditação Hospitalar de-senvolvido na instituição,cujo primeiro relató-rio recomendou a realização de um levanta-mento de riscos ambientais.A medida inscre-via-se dentro de uma tradição institucional depreocupação com biossegurança
10
e configu-rou-se,ainda,como uma etapa inicial de im-plantação de um Programa de Vigilância emSaúde do Trabalhador.A opção pelo mapa de risco foi feita em fun-ção:1) da base legal para uso do mapa de riscocomo método para a identificação dos riscos;2) da aparente simplicidade do método;3) dapossibilidade de envolvimento ativo dos traba-lhadores.A elaboração do mapa de risco foi precedi-da de uma etapa de sensibilização dos dirigen-tes e chefes de serviços para a relevância da ini-ciativa,seguida de uma visita exploratória rea-lizada pelos autores,para a seleção das áreas aserem analisadas.A seleção dos ambientes a serem prioriza-dos levou em consideração o tipo principal deatividade desenvolvida no setor,o volume detrabalho (traduzido pela freqüência de realiza-ção do procedimento e/ou de utilização dos es-paços físicos) e a gravidade dos riscos envolvi-dos no procedimento.Foram selecionados:noAmbulatório,o procedimento de biópsia na sa-la de procedimentos;na Internação,as enfer-marias de isolamento respiratório;no Hospi-

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