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Platão - o Sofista

Platão - o Sofista

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O Dialético
 
O SofistaPlatão Tradução: Carlos Alberto NunesCréditos da digitalização: Juscelino D. RodriguesUFB 1980Versão para eBookeBooksBrasil.comFonte DigitalSite “O Dialético” www.odialetico.hpg.ig.com.br/© 2003 — Platão
 
Índice
I II III IV VVI VII VIII IX XXI XIIA Purificação XIII XIV XVXVI XVII XVIIIAntilogia XIX XXMímesis XXI XXII XXIII XXIV XXVXXVI XXVII XXVIII XXIX XXXXXXI XXXII XXXIII XXXIV XXXVXXXVI XXXVII XXXVIII XXXIX XL XLI XLII XLIII XLIV XLVXLVI XLVII XLVIII XLIX LI LII
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O SOFISTAPLATÃOO SOFISTA DE PLATÃO
I — Teodoro — Fiéis, Sócrates, à nossa combinação deontem, aqui estamos na melhor ordem. Trouxemos conoscoeste Estrangeiro, natural de Eléia; é amigo dos discípulos deParmênides e de Zenão, e filósofo de grande merecimento.Sócrates — Não se dará o caso, Teodoro, de, sem osaberes, teres trazido um dos deuses em vez de umEstrangeiro, segundo aquilo de Homero, quando diz que, deregra, os deuses, e particularmente o que preside àhospitalidade, acompanham os cultores da justiça, paraobservarem o orgulho ou a eqüidade dos homens? Quemsabe se não veio contigo uma dessas divindades, parasurpreender-nos e refutar-nos — argumentadores tão fracostodos nós — algum deus disputador? Teodoro — Não, Sócrates; não é do caráter do nossoEstrangeiro; ele é mais modesto do que todos esses amantesde discussões. Não acho, absolutamente, que o homem sejaalguma divindade. Porém divino terá de ser, sem dúvida; nãoé outro o qualificativo que costumo dar aos filósofos.Sócrates — E com razão, amigo. Porém talvez a raça dosfilósofos não seja, por assim dizer, muito mais fácil deconhecer do que a dos deuses. Em virtude da ignorância damaioria, esses varões percorrem as cidades sob as mais
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variadas aparências, contemplando, sobranceiros, a vida cáde baixo. Não me refiro aos pretensos filósofos, porém aos deverdade. Aos olhos de algumas pessoas, eles carecem emabsoluto de merecimento; para outros, são dignos de toda aconsideração. Ora se apresentam como políticos, ora comosofistas, havendo, até, quem dê a impressão de sercompletamente louco. Por isso mesmo, gostaria de perguntarao nosso Estrangeiro, caso nada tenha a opor, como pensama esse respeito lá por suas bandas e como os denominam. Teodoro — A que te referes?Sócrates — Sofista, político, filósofo. Teodoro — Mas, ao certo, de que se trata, que te deixa tãoalvoroçado, para interrogá-lo desse modo?Sócrates — É o seguinte: desejo saber se seuscompatriotas os classificam num só gênero ou em dois; ouainda, visto tratar-se de três nomes, se atribuem um gênerodiferente para cada nome? Teodoro — A meu ver, ele não se esquivará de elucidar-nos esse ponto. Ou que diremos, Estrangeiro?Estrangeiro — Isso mesmo, Teodoro. Não me negarei,absolutamente, nem há dificuldade em dizer que osdistribuem em três gêneros. Porém definir com exatidão oque venha a ser cada um, não é tarefa pequena nem fácil. Teodoro — Nem de propósito, Sócrates; sugeres um temaassaz parecido com o assunto sobre que o interrogamospouco antes de virmos para cá. Suas desculpas de agora sãoem tudo iguais às que nos apresentou, conquanto admitisseque sobre isso já ouvira muitas discussões e que nada haviaesquecido de quanto conversara.II — Sócrates — Sendo assim, Estrangeiro, não te es[cuse]s* de satisfazer ao nosso primeiro pedido. Diz-nos apenas se,por uma questão de hábito, preferes desenvolver numdiscurso corrido o tema que te propões apresentar, ou seguiro método de perguntas, a exemplo do outrora fez Parmênidesna minha presença? Foi uma discussão memorável; nessetempo, eu era muito moço e ele já de idade avançada.Estrangeiro — Quando se acha, Sócrates, um interlocutordócil e complacente, é mais agradável o diálogo; não sendoisso possível, será melhor falar apenas um.Sócrates — Depende de ti convidar dentre os presentesquem te aprouver; todos te ouvirão de muito bom grado.Porém se me aceitares um conselho, sugiro escolheres umdos jovens, Teeteto, por exemplo, ou quem julgares maisindicado.Estrangeiro — Sinto-me acanhado, Sócrates, por ser aprimeira vez que falo convosco, de medo de não podersustentar um diálogo de períodos curtos, em que os
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