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Dinâmicas da alteridade: o Role Playing Game (RPG) como narrativa do imaginário. (Leandro Durazzo e Denis Domeneghetti) - 2011

Dinâmicas da alteridade: o Role Playing Game (RPG) como narrativa do imaginário. (Leandro Durazzo e Denis Domeneghetti) - 2011

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Published by: SylviaRodriguesAlmeida on Apr 15, 2012
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141
Dinâmicas da alteridade: o Role Playing Game (RPG)como narrativa do imaginário
Leandro Durazzo
1
Denis Domeneghetti Badia
2
Alteridade: noção e ação social
A noção que dá título a este capítulo surge em grande parte dasHumanidades como foco de atenção. Alteridade é colocada como motor eexpressão do social (VELHO, 1996), sua dinâmica mais primária. A noçãode outro ressalta que a diferença constitui a vida social, à medida que esta seefetiva através das dinâmicas das relações sociais. Assim sendo, a diferençaé, simultaneamente, a base da vida social e fonte permanente de tensão econflito (VELHO, 1996, p.10). Por mais essencial que seja, entretanto, aalteridade não é automática e [] a impossibilidade da troca e de processosde reciprocidade pode gerar impasses cio
culturais e irrupções deviolência dentro de grupos e sociedades ou entre eles (VELHO, 1996, p.10).

Quando as relações socioculturais elaboram mecanismos de exclusão dodiferente, em vez de favorecer a livre relação entre as partes, podemosconsiderar não mais a alteridade como prática social ativa, mas sim seuinverso, a prática
etnocêntrica
. José Carlos de Paula Carvalho mostra que oetnocentrismo consiste em privilegiar um universo de representaçõespropondo
o como modelo e reduzindo à insignificância os demais universose culturas diferentes (1997, p.181). No enfrentamento de tensões entreaceitação e supressão, entretanto, existe o potencial de conhecimento.François Laplantine (2000, p.21, grifo nosso) diz que
A experiência da alteridade (e a elaboração dessa experiência) leva
nosa ver aquilo que nem teríamos conseguido imaginar, dada a nossa
 
1
Doutorando em História e Cultura das Religiões na Faculdade de Letras daUniversidade de Lisboa, bolsista CAPES. Este artigo é parte da pesquisa desenvolvidacom financiamento PIBIC/CNPq nos anos de 2006
2007. E
mail:leandrodurazzo@gmail.com
2
Professor do Departamento de Ciências da Educação e do Programa de Pós
Graduaçãoem Educação Escolar da Faculdade de Ciências e Letras da Unesp e diretor do CentroInterdisciplinar de Pesquisas sobre o Imaginário  CIPI  FCL
UNESP/CAr Araraquara. Estado de São Paulo, Brasil.
 
142
dificuldade em fixar nossa atenção no que nos é habitual, familiar,cotidiano, e que consideramos evidente. Aos poucos, notamos que omenor dos nossos comportamentos (gestos, mímicas, posturas, reaçõesafetivas) não tem realmente nada de natural. Começamos, então, anos surpreender com aquilo que diz respeito a nós mesmos, a nosespiar.
O conhecimento (antropogico) da nossa cultura passainevitavelmente pelo conhecimento das outras culturas; e devemosespecialmente reconhecer que somos uma cultura possível entre tantas outras,mas não a única
.

Mais que aceitação das difereas, portanto, a experiência doconhecimento cultural que envolve as diversidades é o fenômeno quepermite à alteridade ocorrer e influir nas ações, posturas e valores dosindivíduos e grupos. Podemos ainda dizer que a importância das relaçõescom o outro é o que permite a construção da própria consciência do
eu
.Todas as manifestações sociais coletivas, comunitárias, partem de umamesma e fundamental estrutura antropológica, difícil de denominar,consistindo em reconhecer
se a partir do outro, a só existir através e no olhardo outro (MAFFESOLI, 1997, p.206).

Se levarmos nossa análise para o âmbito das políticas educacionais,notamos, com o relatório da UNESCO (DELORS, 2001), que um dos quatropilares da educação é justamente aprender a viver com os outros, aprender arespeitar e tomar consciência das semelhanças e interdependência entretodos os seres humanos do planeta (DELORS, 2001, p.97). As tendências dopensamento contemporâneo refletem sobre a necessidade de estimular noindivíduo a capacidade de abertura à alteridade (DELORS, 2001, p.98).Recorrente tanto na análise antropológica quanto na educacional, o pontocomum na experiência com o outro é, claramente, o contato plural entreindivíduos humanos. Vejamos, portanto, exemplos de práticas culturais quepermeiam a vida social e favorecem as experiências com o diferente.

Cultura e dinâmicas da alteridade
Partindo de Walter Benjamin, em seu ensaio
O narrador
(1987),observamos que grupos inteiros o capazes de compartilhar osconhecimentos que, efetivamente, apenas um de seus membros tenhaexperimentado. A narrativa grupal, ritual humano que remonta às maisantigas eras, é considerada como forma de interação harmoniosa entre osindivíduos que se propõem a exercitá
la. No mesmo sentido, mas por outraabordagem, Paula Carvalho (1998) demonstra que a narrativa mítica é
 
143
constituída por re
atualizações constantes, nas quais os indivíduosenvolvidos exercitam a experimentação de significados que os ultrapassam não nos esquecendo de que as formas mais tradicionais de transmissão demitos e lendas foram, originalmente, as narrativas grupais.Essa capacidade de compreender e experimentar o outro, o que é dooutro e o que vem do outro, marcadamente presente na narrativa oral, nospermite pôr em uníssono o exercício de contar e ouvir histórias com asexperimentações cognitivas das quais Laplantine falava. Através dasnarrativas é que surge, tanto para Benjamin quanto para Paula Carvalho, a
Erlebnis:
experiência, acontecimento e, mais apropriadamente, vivência.Vivência oriunda do ato de narrar e ouvir, de interferir enquanto ouvinte nocurso da narrativa, dinamizando a transmiso do conteúdo. É nessavincia que somos capazes de conhecer o outro em suas própriascaractesticas, bastando que partilhemos de um mesmo universo derepresentações simbólicas. Essa necessidade de correlação simbólica é o que,ainda com Paula Carvalho, tomamos por
bricolage
do mito: ação do trabalhode re
construção da narrativa por indivíduos, que exige, ainda antes deocorrer, o compartilhamento dos mesmos ritmos de vida e conhecimento(Benjamin). De acordo com essas referências sobre a empatia simbólicanecessária à experiência coletiva, outro autor, Michel Maffesoli (1997, p.236),lembra
nos que o romantismo alemão demonstrou bem a noção desentimento de vinculação a um grupo, com a imagem da experiência dolaço (
Bundeserlebnis
 , no original).

Assim, temos que a vivência coletiva, comunitária, influi de formamarcante nas ações particulares, formando extensivas situações de troca designificados entre sujeito
grupo e sujeitos
indivíduos que compõem dadacoletividade. É o que Maffesoli chama de saber incorporado, referência àsrepresentações que indiduos de um mesmo grupo possuem emdecorrência da ambiência gerada pela vivência coletiva.

Ainda que inúmeras experiências e atividades culturais permitamtrabalhar os mesmos fenômenos de compreensão e alteridade, a práticanarrativa é tomada como objeto central de atenção neste trabalho, e suasrepresentões tanto conscientes e imediatas quanto inconscientes eimaginárias são consideradas como hipótese.

Rolar de dados: hipótese
Trabalhamos aqui com uma modulação contemporânea da narrativagrupal, a fim de averiguar os processos coletivos e de alteridade esboçados

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