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Boletim gestor - Juventude é solução, não problema

Boletim gestor - Juventude é solução, não problema

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GESTOR
JOVEM É SOLUÇÃO, O PROBLEMA
O número de projetos elaborados pelo terceiro setor direcionado à juventude tem crescido no País. Apesar disso, não existe no Brasil umatradição em políticas públicas destinadas a esse grupo que extrapole a educação formal. O próprio governo reconhece que faz pouco. A revistaDesafios para o Desenvolvimento do IPEA entrevistou o ministro Luiz Dulci, da Secretaria-Geral da Presidência da República. Ele afirmou queexistem 143 ações no governo para a juventude, dispersas em 19 ministérios e 49 programas. Dessas, somente 20 são voltadas exclusivamentepara a população jovem, com recursos de 260 milhões de reais no orçamento de 2004. Como existem 34 milhões de jovens no Brasil, bastafazer a conta: o governo vai gastar com cada um pouco mais de sete reais esse ano.
De um modo geral, as ações para o jovem buscam diminuir a desvantagem dos mais pobres.
Envolvem educação não-formal,oficinas esportivas, lazer e arte, e até capacitação profissional. Porém, a maioria ainda objetiva retirar o jovem da rua, para que ocupe o tempoe não se envolva em situações de risco. Poucos projetos visam uma formação integral, cidadã. O jovem é encarado como problema, comoalguém que precisa ser integrado à sociedade para ser salvo.
No âmbito das políticas públicas, as ações tendem ao assistencialismo.
Não reforçam a autonomia, a auto-estima e a participaçãosocial. Jovens precisam se sentir em pé de igualdade com todos os outros indivíduos para que então se desenvolvam plenamente comosujeitos cidadãos. Excluí-los de participação, deixá-los à própria sorte, na miséria, é um tipo de violência. A injustiça se volta depois contra aprópria sociedade na forma de atos cruéis e desumanos que tanto nos assustam. É preciso questionar por que, na maioria das vezes, ocaminho para os jovens de periferia parece ser sempre o da exclusão. Devemos ampliar o nosso olhar e perceber que as verdadeiras causassão estruturais e dizem respeito a toda sociedade.
A mídia e o jovem: estereótipolonge da realidade
Os meios de comunicação o apresentam o jovem como sujeito quepode fazer uma escolha, simples, entre o bem ou o mal. De um lado, há aalternativa da vida honesta, do trabalho sofrido e anônimo, dentro dalegalidade. Do outro, o caminho da transgressão, da vida curta e do prestígiosocial, por meio da violência ou de comportamentos de risco. A percepçãosocial é: juventude = violência.
Só que a violência não é uma questão de opção.
O problema passatanto pela educação quanto pela mídia – e todas as representações sobrea juventude que ajudam a construir – sem deixar de lado o principal: oEstado precisa acolher o jovem e evidenciar o seu valor como cidadão.
O caráter das reportagens é de denúncia e quase nunca dereflexão.
O jovem é associado à violência. Não se investigam as causas,a conexão com os problemas sociais. A juventude é estigmatizada comocriminosa, delinqüente e perigosa. Perde-se a oportunidade de pensar aviolência como resultado da falta de políticas públicas. Culpar individualmente cada jovem que pratica uma violência é esquecer que eleestá inserido num contexto mais amplo, no qual todos fazemos parte.
Meios de comunicação transformam a violência, um fenômenosocial, em caso de polícia
. O Estudo “Balas Perdidas”, realizado pelaANDI - Agência de Notícias dos Direitos da Infância – mostrou que 80%das notícias sobre jovens e violência usam apenas o Boletim de Ocorrência,documento policial, como fonte. O jornalista nem deixou a redação parainvestigar. A mesma pesquisa aponta que somente 1,4% do total dereportagens analisadas cita a questão das políticas públicas. A discussãode soluções foi apresentada em apenas 7,5% das notícias.
A mídia, por outro lado, precisa ser transformada em aliada naluta contra a violência e na busca de cidadania para os jovens.
Jornaise programas são sensíveis às demandas da audiência, do público, basede seu faturamento. Quanto maior o espírito crítico de quem consome asnotícias, mais e mais mudanças irão acontecer nos programas. Um pai ouuma mãe pode contextualizar, criticar ou elogiar uma notícia para o filho eeducá-lo a não ser passivo diante do que vê, ouve, ou lê. O poder públicopode estimular essa consciência. A mobilização social e a participação decada cidadão podem gerar uma abordagem diferente das notícias. Atéanunciantes se mostram sensíveis a essas demandas.
número 1Setembro de 2004
BOLETIM
ECOS:ECOS:ECOS:ECOS:ECOS:1515151515ANOS DEANOS DEANOS DEANOS DEANOS DEAAAAATUTUTUTUTUAÇÃOAÇÃOAÇÃOAÇÃOAÇÃO NADEFESA DOS DIREITOS DOSJOVENS E ADOLESCENTES
A ECOS - Comunicação em Sexualidade, é umaorganização não-governamental com 15 anos deexperiência na defesa dos direitos sexuais e reprodutivosde adolescentes e jovens, inicia com, esta publicação,um canal de comunicação dirigido especialmente agestores - educadores, profissionais da saúde,administradores, lideranças comunitárias - comprometidoscom a formulação, implementação e controle de políticaspúblicas.A cada edição, você, gestor, vai encontrar o que demais importante tem sido discutido sobre juventude eadolescência no Brasil. A ECOS, que participa ativamentede fóruns e projetos, democratiza assim o conhecimentoe a experiência de sua equipe na procura de soluçõespara problemas como drogas, violência e também naconstrução de caminhos para que os jovens possam viver sua sexualidade de forma saudável e com plenitude.Todos sabemos que a complexidade dos problemasatuais só pode ser enfrentada com um conhecimentocada vez mais aprofundado da realidade, com estudosem diversas áreas, com propostas criativas e corajosas.Esta publicação pretende também dar espaço paraessas idéias. Quer não só contribuir para a atualizaçãodo conhecimento dos gestores, mas mostrar queexistem, sim, caminhos possíveis para fazer do jovemum cidadão pleno.

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