Colaboração online, mídia locativa e computação ubíqua
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2 Novas formas de controle
Mas um mundo absolutamente indexado,matemático e preciso, ligado a uma visãoutilitarista ou consumista da informação, pa-rece encontrar semelhanças com um mundomassificado, o
fait accompli
de Galloway eWard. É sobre a fragilidade (e, por que não,adebilidade)destemundoquealertaAlexan-derGallowaycomsuacríticaaoprotocolo—quanto mais padronizado um sistema, maisfácil torna-se o controle da forma como aspessoas o manipulam. A “apropriação” ine-xiste. Galloway cita como exemplo a propa-gação de vírus:
“
Como a Internet é tão padronizada, os vírus podem se propagar rapidamente explorandovulnerabilidades técnicas. Como a Internet é globalmente interconectada, um simples ví-rus pode ter grandes repercussões. Porque a Internet é tão robusta, os vírus podem des-viar de problemas e barreiras. E como a In-ternet é tão descentralizada, é praticamenteimpossível eliminar os vírus depois que elessão lançados.”
Galloway cita a cultura hackers como umacontracultura digital, uma fuga da ditadurado protocolo —sem o qual, o próprio chegaa reconhecer, a Internet não teria ganhadoa dimensão que ganhou. Com isso, o au-tor coloca em debate uma crise que consi-dera mundial, mas que aqui traremos parao âmbito das empresas de mídia, do jorna-lismo: o choque entre poderes centralizados,verticais; e redes distribuídas, horizontais.Ícone da disputa, para o autor, foi o ataqueaoWorldTradeCenter, emsetembrode2001—de um lado, diz Galloway, “uma torre, um
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GALLOWAY, Alexander. Global networks andeffects on culture. The Annals, January, 2005.
centro, um ícone, um pilar, um foco”; de ou-tro, um grupo terrorista, normalmente des-crito como “celular, em rede, modular, ágil”.Está construído, portanto, um cenário emque cada vez mais os grandes veículos de co-municação tornam-se alvos fáceis para umacultura de construção e consumo de con-teúdo cada vez mais descentralizada. Provaclara é um fenômeno para o qual veículosespecializados como a revista AdvertisingAge
já começam a chamar a atenção —ofim da homepage. Em um mundo em quemais de 50% das pessoas usam buscadorescomo ponto de partida na navegação para,por exemplo, fazer compras, as homepagesgigantes, cheias de conteúdo —como as dosgrandes portais de conteúdo brasileiros, porexemplo— estão com os dias contados. Nolugar, aparecem os serviços de personaliza-ção de conteúdo da Web 2.0, que tornam oconteúdo “portátil”, via RSS e widgets, paraque os leitores possam interagir com ele emqualquer lugar; permitem votação e comen-tários em todas suas instâncias; e exigemabarcar inclusive a concorrência como fontede referência para si próprio ao imaginar quelinks em sites externos ao seu aumentam arelevância de seu conteúdo.Eis então a “apropriação”, a entrega de umconteúdo bruto para o usuário, que, como tãobem ilustra Lawrence Lessig em sua pales-tra “How creativity is being strangled by thelaw”, cria uma cultura de ler-e-escrever, par-ticipa na criação e na recriação de conteúdoao combinar elementos de fontes diversas,adicionar sua própria percepção acerca dotema e devolver conteúdo a um ambientemidiático participativo, em que concepçõescomo a de direito autoral fazem tanto sen-
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