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Colaboração online, mídia locativae computação ubíqua
Francisco Madureira
Índice
1 O mundo indexado22 Novas formas de controle33 “Context is king”4Enquanto o jornalismo migrava para umanova plataforma de distribuição, há cerca deuma década, tinha início uma jornada sempassagem de volta —a transferência de con-teúdo para a plataforma digital acarretariamais do que um simples “reempacotar”, mastoda uma adaptação de linguagem e a produ-ção própria para um veículo dinâmico e pe-rene.Os anos e as bolhas passaram, e uma infi-nidade de serviços começaram a surgir comas possibilidades da Internet móvel e da Web2.0. Grande parte dos veículos de comuni-cação tradicionais, no entanto, permanecemno dilema entre conteúdo gratuito ou pago
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, enquanto uma torrente de novas formasde comunicação jornalística surgem rumo à
Ensaio produzido em dezembro de 2007, resul-tado de estudos Cibercultura e Convergência em pes-quisas de mestrado na Escola de Comunicações e Ar-tes da USP (Universidade de São Paulo).
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RICHARD PÉREZ-PENHA, “Times to StopCharging for Parts of Its Web Site”, www.nytimes.com/2007/09/18/business/media/18times.html, aces-sado em 10/12/2007
computação ubíqua e à indexação do mundosensível. A tendência acabou por permitirque empresas de software e tecnologia co-meçassem a abocanhar fatias substanciais deum bolo que, antes, só alimentava a mídiatradicional —a publicidade. Google, MSN,Yahoo e AOL já faturaram cerca de US$ 6bilhões em anúncios que antes pertenciam àmídia impressa e televisiva
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.Nestecampoemparticular, oconteúdoco-laborativo —seja ele jornalístico ou não—começa a ganhar relevância no cenário daWeb. Não apenas como experimento hac-ker, mas também como alternativa de negó-cio —ainda em versão beta, o Google Knols
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pretende remunerar usuários para a constru-ção de uma enciclopédia a la Wikipedia. Se-gundo Manber:
 Há milhões de pessoas que possuem conhe-cimento útil que adorariam compartilhar, ehá bilhões de pessoas que podem se benefi-ciar com isso. Acreditamos que muitos não
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ROBERT WEISMAN, “Old media seek toknow Google, not just fear it”, www.boston.com/business/technology/articles/2007/12/16/old_media_seek_to_know_google_not_just_fear_it/, aces-sado em 16/12/2007
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UDI MANBER, “Encouraging people to contri-bute knowledge”, googleblog.blogspot.com/2007/12/ encouraging-people-to-contribute.html, acessado em15/12/2007
 
2 Francisco Madureira
compartilham este conhecimento atualmentesimplesmente porque não é simples o sufici-ente fazê-lo.”
Sejamasempresasdediaouasgigantesda tecnologia, as organizações que primeirocompreenderem os impactos que a computa-ção ubíqua e a mídia locativa trarão ao con-sumo de conteúdo nos próximos anos terão apossibilidade de criar novos cenários e reu-nir usuários em torno de jogos colaborati-vos capazes de atrair tráfego e receita. Eiso porquê.
1 O mundo indexado
A evolução tecnológica das últimas décadasfez com que a computação ubíqua deixassede ser uma preocupação de escritores de fic-ção científica como William Gibson
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parase tornar objeto de estudo acadêmico. Teó-ricos como Friedeman Mattern conseguemconstruir um cenário absolutamente realistaao combinarem tecnologias na tentativa decompreender o acesso à informação em al-guns anos. “Essa saturação de nosso mundocom capacidade de processamento de infor-mação anuncia uma mudança de paradigmaem aplicações para computadores —chipspequenos e baratos podem ser embutidos emmuitos objetos do dia-a-dia, podem detectarseu redor com sensores igualmente integra-dos, e podem equipar ‘seus’ objetos com ca-pacidades de processamento dados e comu-nicações.”
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ANDREW LEONARD. “William Gibson:The Rolling Stone 40th Anniversary Interview”.www.rollingstone.com/politics/story/17227831/william_gibson_the_rolling_stone_40th_anniversary_interview, acessado em 17/11/2007
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MATTERN, Friedmann. Ubiquitous compu-ting: scenarios for an informatized world. http:/
Mattern também descreve o processo quelevou a Internet de mero sistema de co-municação interpessoal, nos anos 1980, auma plataforma de processamento de infor-mações que permite o intercâmbio de da-dos entre pessoas e servidores Web, fenô-meno que ganhou a alcunha de Web 2.0
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por Tim O’Reilly. Nesta onda, empresascomo o Google arrogam-se a missão de “in-dexar o mundo”, ou, nas palavras da pró-pria empresa: “organizar as informações domundo e torná-las universalmente acessíveise úteis”
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.A combinação destas duas tendências fazacreditar que será impossível aos veículos decomunicação, em geral, e aos jornalistas emparticular competir com a geração de con-teúdo por usuários de tecnologia —6 bilhõesde repórteres em potencial, e uma miríadede equipamentos “inteligentes” e capazes decaptar, processaredistribuirinformaçõesporsi próprios. Torna-se não apenas possível,como provável, que o jornalismo instanta-neísta que Ignacio Ramonet denuncia emseu “A Tirania da Comunicação” tende a sersubstituído por um emaranhado de conteúdogerado por usuários, câmeras digitais espa-lhadas por locais públicos e softwares quecombinam informações para gerar boletinsde
hardnews.
www.vs.inf.ethz.ch/publ/papers/ECCMatternUbicompEng.pdf, acessado em 28/08/2007
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TIM O’REILLY. What Is Web 2.0.http://www.oreillynet.com/pub/a/oreilly/tim/news/2005/09/30/what-is-web-20.html, acessado em16/12/2007
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http://www.google.com/intl/en/corporate/index.html
www.bocc.ubi.pt 
 
Colaboração online, mídia locativa e computação ubíqua
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2 Novas formas de controle
Mas um mundo absolutamente indexado,matemático e preciso, ligado a uma visãoutilitarista ou consumista da informação, pa-rece encontrar semelhanças com um mundomassificado, o
fait accompli
de Galloway eWard. É sobre a fragilidade (e, por que não,adebilidade)destemundoquealertaAlexan-derGallowaycomsuacríticaaoprotocoloquanto mais padronizado um sistema, maisfácil torna-se o controle da forma como aspessoas o manipulam. A “apropriação” ine-xiste. Galloway cita como exemplo a propa-gação de vírus:
Como a Internet é tão padronizada, os vírus podem se propagar rapidamente explorandovulnerabilidades técnicas. Como a Internet é globalmente interconectada, um simples ví-rus pode ter grandes repercussões. Porque a Internet é tão robusta, os vírus podem des-viar de problemas e barreiras. E como a In-ternet é tão descentralizada, é praticamenteimpossível eliminar os vírus depois que elessão lançados.”
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Galloway cita a cultura hackers como umacontracultura digital, uma fuga da ditadurado protocolo —sem o qual, o próprio chegaa reconhecer, a Internet não teria ganhadoa dimensão que ganhou. Com isso, o au-tor coloca em debate uma crise que consi-dera mundial, mas que aqui traremos parao âmbito das empresas de mídia, do jorna-lismo: o choque entre poderes centralizados,verticais; e redes distribuídas, horizontais.Ícone da disputa, para o autor, foi o ataqueaoWorldTradeCenter, emsetembrode2001—de um lado, diz Galloway, “uma torre, um
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GALLOWAY, Alexander. Global networks andeffects on culture. The Annals, January, 2005.
centro, um ícone, um pilar, um foco”; de ou-tro, um grupo terrorista, normalmente des-crito como “celular, em rede, modular, ágil”.Está construído, portanto, um cenário emque cada vez mais os grandes veículos de co-municação tornam-se alvos fáceis para umacultura de construção e consumo de con-teúdo cada vez mais descentralizada. Provaclara é um fenômeno para o qual veículosespecializados como a revista AdvertisingAge
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 já começam a chamar a atenção —ofim da homepage. Em um mundo em quemais de 50% das pessoas usam buscadorescomo ponto de partida na navegação para,por exemplo, fazer compras, as homepagesgigantes, cheias de conteúdo —como as dosgrandes portais de conteúdo brasileiros, porexemplo— estão com os dias contados. Nolugar, aparecem os serviços de personaliza-ção de conteúdo da Web 2.0, que tornam oconteúdo “portátil”, via RSS e widgets, paraque os leitores possam interagir com ele emqualquer lugar; permitem votação e comen-tários em todas suas instâncias; e exigemabarcar inclusive a concorrência como fontede referência para si próprio ao imaginar quelinks em sites externos ao seu aumentam arelevância de seu conteúdo.Eis então a “apropriação”, a entrega de umconteúdo bruto para o usuário, que, como tãobem ilustra Lawrence Lessig em sua pales-tra “How creativity is being strangled by thelaw”, cria uma cultura de ler-e-escrever, par-ticipa na criação e na recriação de conteúdoao combinar elementos de fontes diversas,adicionar sua própria percepção acerca dotema e devolver conteúdo a um ambientemidiático participativo, em que concepçõescomo a de direito autoral fazem tanto sen-
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