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Os Faraós Negros

Os Faraós Negros

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05/25/2013

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O Egito foi, ao longo de sua história, alvo de diferentes processos de unificação e invasão. Ao contráriodo que usualmente estudamos, essas invasões ocorreram durante outros momentos anteriores àdominação dos romanos no século I ou das nações européias no século XIX. Dessa maneira, as crises ehegemonias no interior da civilização egípcia é um assunto ainda pouco explorado pelos estudoshistoriográficos.Na região sul do Rio Nilo, atual Sudão, um antigo império se formou no período em que o Egito viviaum período de decadência no Médio Império. Entre os séculos XVIII e XVI a.C., os núbios realizarama expansão de suas fronteiras na região do extremo sul do Rio Nilo. O Egito, que dependia daexploração de zonas de exploração aurífera próximas ao Império Núbio, sentiam que a ascensão deum vizinho tão poderoso poderia vir a ameaçar a integridade de seus territórios.Dessa forma, entre os séculos XVI e XIII a.C., o Egito realizou um processo de invasão e domíniosobre os núbios. Sem adotar uma política muito opressiva, os egípcios trouxeram à civilização núbia vários de seus costumes e hábitos. O que parecia ser um claro processo de aculturação dos egípciossobre os núbios, veio mais tarde garantir a preservação de traços importantes da civilização egípcia.No final do século VIII a.C., o Egito estava politicamente fragmentado e sofria o controle dos chefesguerreiros líbios.Em 770 a.C., Piye, rei da Núbia, empreendeu uma investida militar que reunificaria politicamente oEgito. Partindo com tropas para o norte, o exército núbio chegou à cidade egípcia de Tebas, capital do Alto Egito.
 
No fim de uma campanha de um ano, todos os chefes guerreiros do Egito haviam capitulado -incluindo Tefnakht, o líder do delta, que enviou uma mensagem a Piye: "Seja clemente! Não possocontemplar o teu semblante nos dias de vergonha nem me erguer diante de tua chama, pois temo atua grandeza". Em troca da própria vida, os derrotados conclamaram Piye a adorar em seus templos, aficar com suas jóias mais refulgentes e a apoderar-se de seus bons cavalos.O conquistador não se fez de rogado. E então, diante de seus vassalos que tremiam de medo, o recém-sagrado Senhor das Duas Terras fez algo extraordinário: após embarcar seu exército e seu butim, içou velas rumo ao sul, navegou de volta para casa, na Núbia, e jamais voltou ao Egito.Piye tornou-se o primeiro faraó negro do Egito. A ascensão de faraós negros no Egito trouxe à tona asupremacia de uma civilização africana que questionava as idéias dos pensadores e historiadores doséculo XIX, que colocavam os povos africanos enquanto sinônimo de atraso.No ano de 715 a.C., Piye faleceu, deixando o trono sob o domínio de seu irmão Shabaka. Ascendendoao poder, Shabaka assumiu o nome de faraó Pepi II. Entre suas principais ações, Pepi II empreendeuum notório conjunto de obras públicas. A cidade de Tebas, capital do Egito, e o templo de Luxorganharam novos projetos. Em Karnak, ordenou a construção de uma estátua em sua homenagem etratou de construir diques que impedissem a inundação das casas das populações que viviam àsmargens do Rio Nilo.Em 701 a.C., quando as tropas assírias marcharam sobre a Judéia, no atual território de Israel, osnúbios decidiram conter aquele avanço. Preocupados com o avanço do Império Assírio, que na época viviam a ampliação de seus domínios, os núbios formaram um exército que deveria conter adominação assíria sobre as cidades de Eltekeh e Jerusalém.Os dois exércitos chocaram-se na cidade de Eltekeh. E, embora o imperador assírio, Senaqueribe,tivesse se vangloriado da vitória, um jovem príncipe núbio Taharqa, com cerca de 20 anos, filho dofaraó Piye, sobreviveu. O fato de que os assírios, que costumavam não poupar nenhum de seusinimigos, terem deixado escapar o príncipe indica que talvez a vitória não tenha sido total.Seja como for, quando os assírios deixaram Eltekeh e se concentraram diante das portas deJerusalém, o líder da cidade, Ezequias, contava com a ajuda de seus aliados egípcios. Cientes disso, osassírios não puderam conter a provocação, imortalizada no Livro II de Reis, do Antigo Testamento:"Confias no apoio do Egito, esse caniço quebrado, que penetra e fura a mão de quem nele se apóia;pois não passa disso o Faraó, rei do Egito, para todos os que nele confiam" (18:21).Em seguida, de acordo com a Bíblia, ocorreu um milagre: as tropas assírias recuaram. Teriam sidoassoladas por alguma peste? Ou, como sugere Henry Aubin em um livro polêmico, The Rescue of Jerusalem ("O resgate de Jerusalém"), os assírios se afastaram ao ter conhecimento de que omencionado príncipe núbio avançava sobre Jerusalém? Tudo o que sabemos é que Senaqueribe
 
desistiu do cerco e retornou em desgraça a seu reino, onde seria assassinado 18 anos depois,aparentemente pelos próprios filhos.Segundo alguns historiadores, graças à contribuição militar núbia, a civilização judaica usufruiu deum longo período em que consolidou suas principais tradições culturais e religiosas.
 Rei Núbio Taharqa.
Em 690, Taharqa foi alçado ao trono em Mênfis e liderou os impérios do Egito e da Núbia nos 26 anosseguintes. Taharqa ascendera em momento favorável à 25ª dinastia. Em seu governo, as vitóriasmilitares garantiram grande estabilidade aos territórios egípcios. Os chefes guerreiros do delta haviamsido subjugados. Os assírios, após o humilhante confronto em Jerusalém, não queriam ter nada a vercom o soberano núbio. O Egito era dele e de ninguém mais. Além disso, uma seqüência de generososperíodos de chuva deu tranqüilidade a toda população por ele controlada.Durante o sexto ano em que estava no poder, o Nilo encheu-se com as chuvas, transbordando pelas várzeas circundantes e proporcionando espetacular colheita de cereais. A cheia conseguiu até mesmoacabar com os ratos e as serpentes. Não havia a menor dúvida de que o adorado Amon sorria para seueleito.

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