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5FHC217-Responsabilidade e apagão

5FHC217-Responsabilidade e apagão

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Published by: Fábio Wanderley Reis on Apr 24, 2012
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12/01/2012

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RESPONSABILIDADE E APAGÃOFábio Wanderley ReisO momento que vivemos no país apresenta um traço peculiar, que permite refletir sob luz nova a respeito de certos temas políticos recorrentes.Pois juntam-se nele o relevo adquirido pelo problema da ética na política,incluído o suposto “denuncismo” que é motivo de enfáticas manifestações eadvertências alarmistas do próprio presidente da República, e a clara evidênciade imprevidência governamental que se tem com a crise do apagão.O interesse dessa junção consiste em que ela apresenta crucialrelevância para a questão da ética do líder político. Em ocasiões anteriores,como na aula magna proferida em Brasília em 1998, o presidente FernandoHenrique recorreu ao contraste entre duas éticas, a “ética das convicções” e a“ética da responsabilidade”, sustentando que esta última seria a ética própriado estadista a que ele mesmo aderiria, atento às consequências de suas ações para a coletividade. Enquanto a ética das convicções se inclina à afirmaçãomais ou menos rígida ou inflexível de princípios, a ética da responsabilidadedestaca a idéia de que ações apegadas aos princípios podem ter consequênciascatastróficas, assim como ações em princípio questionáveis podem ter consequências benéficas: os fins justificam os meios, como propõe a fórmulaantiga.Como apontei em outro lugar, a posição em favor da ética daresponsabilidade pode ser questionada em termos do solapamento que traria para a idéia mesma de uma política eticamente orientada. Se os princípios podem ter a sua vigência suspensa em dado momento em função deconsiderações instrumentais quanto à realização eficiente de determinadosfins, cabe esperar que novas considerações do mesmo tipo justifiquem novassuspensões dos princípios, ou novas quebras de ética, no futuro. Expomo-nos,assim, ao risco de que se anulem as razões para que se confie nas promessas,nos programas, na palavra empenhada, e de que se instaure o oportunismocomo norma. Mas a situação atual coloca em especial destaque uma outradimensão que então salientei como problemática, a saber, a de que a avaliação
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das consequências envolve, ao lado do aspecto do zelo com que é executada(que se situa ele próprio no terreno moral), também um aspecto de naturezacognitiva ou intelectual: se a questão é ter em conta as consequências, quemassegura a acuidade em seu exame, quem afiança que determinada avaliaçãoé, do ponto de vista cognitivo ou factual, a avaliação correta? Se o governantecertamente dispõe de maiores informações sobre uma variedade de assuntos,isso está longe de justificar a presunção arrogante de lucidez e clarividência. Notoriamente, a defesa presidencial da ética da responsabilidade tinhacomo referência saliente as críticas dirigidas a suas alianças políticas. Nesseaspecto, a idéia proposta era a de que as exigências realistas da“governabilidade” justificavam concessões mais ou menos importantes no plano simbólico e institucional e a associação com lideranças ética eideologicamente discutíveis. Como diz agora Fernando Henrique, na recenteentrevista a Tereza Cruvinel, foi-lhe necessário “avançar com o atraso, umaironia da história”. Se era fatal, contudo, que o atraso cobrasse seu preço no plano simbólico e institucional, a ironia maior consiste em algo que foi objetode advertências por parte de alguns já no primeiro momento eleitoral dasalianças “realistas”, na campanha de 1994: o preço cobrado à“governabilidade”, ou os custos mesmo administrativos que as alianças provavelmente envolveriam. Os fatos que vimos presenciando deixam bemclara, por um lado, a dificuldade de governar com o Congresso tomado por denúncias de corrupção e atos ilícitos que, tendo em membros da coligaçãogovernista não só os principais autores, mas também o alvo, não podem senãoameaçar o governo. Mas, por outro lado, é também o próprio presidente daRepública, no afago aos correligionários do PSDB, quem põe na conta dosatrasados aliados carlistas e pefelistas o crédito pelo grande desastreadministrativo do apagão.Bela ética da responsabilidade! Tivemos antes, na política cambial, aevidência de precárias apostas governamentais relativamente ao cenáriointernacional, substituindo-se à regra de elementar prudência que recomendatratar de prevenir-se contra o pior, especialmente num contexto carregado deincertezas. Vemos agora um governo que entrega áreas economicamenteestratégicas a aliados incompetentes e pouco confiáveis, olha para o lado e faz
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