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Eis o meu pobre elefantepronto para sair à procura de amigosnum mundo enfastiadoque já não crê em bichose duvida das coisas.
Já sabemos. Da crise das instituições. Da crise da arte. Da inexistênciada comunicação. Do fim da história, das ideologias, das alternativas.Da pós-modernidade.Sabemos de uma Escola de Comunicações e Artes fragmentada. Perdida. Sabemos de alu-nos de uma escola pública que nos dizem su-cateada. De um movimento estudantil quemais parece um quebra-cabeça em que aspartes brigam entre si, sem nunca encaixar.E a gente, no meio de redemoinho, ou à mar-gem de tudo. Ou os dois. A gente sem saber se entrou na universidade pelo diploma ou pe-la cerveja, se faz francês, se entra pra umaONG, empresa, ou se larga o curso e vai vi-ver da especulação imobiliária, que parecedar muito dinheiro nessa cidade, com seusprofessores sempre jogando na sua cara quevocê não vai ganhar muito mesmo. Aí você fica sabendo que o sistema financeiromundial está ruindo. Aí você fica sabendo quedo lado da USP há uma favela. Que dentroda USP há professores picaretas, alunos que
HHaabbiittaatt
não se importam. Que a univerdidade que você pensava ser a melhor do país aprovou o ensino a distância (são computadores ensinandoprofessores a ensinar). E você não fica sabendo que um dia o CALCjá foi protagonista no Movimento Estudantil.
EEaaíí?? V ooccêêaazzooqquuêê??
Também não sabemos, assim exatamente. Discutimos ponto a pontoos problemas que serão expostos nessa carta. A gente fez pensandona ECA, na USP, no mundo. Parece muito e parece pouco. E pode dar vontade de ficar em casa pensando nos tempos em que os muros esta-vam claros e erguidos.Mas os muros ainda estão aí. E mais clarosdo que nunca. O estranho é que agora elesparecem estar entre nós – nas desigualdadessociais, nas diferenças, na competição doen-tia, na neurose estagnadora.O nosso elefante é só nossa maneira de fazer um furo nas paredes – pra respirar e ver o ou-tro. Um passar de carta pela fresta da porta –sem nem saber se há alguém do outro lado.Construir o centro acadêmico como Drum-mond construiu seu elefante: dos nossos par-cos recursos, de matéria tão pura e frágil. Deuma vontade que não podemos figurar, exce-to por nossas mãos, juntas.Pensando a ECA e o mundo, pensando o eue os outros. Sabemos que não temos respos-tas definitivas. E que temos todas. Sabemosque temos tudo a fazer e que pode resultar em pouco. E que talvez, nosso desajeitadoelefante, se desmanche, ali mesmo, na Prai-nha.Mas então recomeçaremos.Hoje, convidamos os alunos a construirmos juntos uma chapa e um ele-fante. Uma universidade e um mundo diferente.
 
 Vai o meu elefantepela rua povoada,mas não o querem ver nem mesmo para rir da cauda que ameaçadeixá-lo ir sozinho.
Fala-se por aí numa teoria de que uma minoria de pessoas protagonizaas ações no mundo, enquanto o
resto
é apenas
figurante
. No entan-to, a atribuição desses papéis muda conforme o referencial – afinal, nin-guém se considera figurante de sua própria vida. A gestão de umcentro acadêmico é a legítima representante dos estudantes de uma es-cola, mas reúne uma mínima parte deles, que devem procurar envolver todos em seu protagonismo. O CALC deve ser uma entidade o maisaberta possível a todos os estudantes da ECA, que não é feita de
figu-rantes
.Temos consciência de que nossos braços não podem envolver todos,mas podem dar as mãos. Acreditamos que o sentimento de representati-vidade dos alunos em relação ao C.A. constrói-se dia-a-dia. Na dire-ção dessa relação recíproca, abriremos mais canais de contato com osecanos. Incentivaremos essa troca de informações e questionamentosatravés do e-mail, do blog do CALC e, principalmente, do contato dire-to com a gestão, seja nas reuniões do C.A. – que são abertas a todos,não é preciso bater pra entrar! - ou em qualquer canto da ECA.Nossa escola tem muitos
cantos
(metafóricos e materiais) que preci-sam de constante interligação. Por isso, continuaremos promovendo reu-niões mensais entre os Representantes Discentes (RDs) de cada curso emanteremos um diálogo estreito com os Grêmios das Artes e EAD. Além disso, promoveremos
reuniões ampliadas
do CALC (de acordocom a demanda) para a discussão de projetos pontuais e de pautas,não apenas da gestão, mas de outros assuntos trazidos por estudantesque, não necessariamente, estejam sempre presentes no C.A.Nosso elefante é uma construção sem arremate final, aberta e ávida pe-lo debate e envolvimento nas novas questões que afetem os estudantes,a universidade, a comunicação e as artes, no cotidiano dos alunos.Num momento em que não se sabe se muitos andam alienados ou de-sacreditados em relação à política e ao engajamento na busca de seusideais, o CALC não pode se tornar 
figurante
sob o ponto de vistados estudantes. Deve ir à contra-mão, agregando-os e tornado-se pro-tagonista junto a eles.
SSiimmbbiioossee
Como um elefante, grande e espalhafatoso, lida com toda uma faunade mamíferos, aves e répteis, em um meio às vezes convidativo, àsvezes hostil?Pensar na relação do centro acadêmico com outras entidades requer ocuidado de pensar na responsabilidade e na dificuldade de manter amobilização estudantil na universidade, quando alunos muitas vezesnão pararam para pensar na política dentro da USP ou preferempensar no futuro profissional e em outras tensões da nossa vida afora.Se o centro acadêmico representa os estudantes e é uma articulaçãodo movimento estudantil, o que deve orientar nossas ações?Não é possível pensar o espaço da ECA sem considerar as diversasentidades que deram corpo às necessidades dos estudantes. Hojeconvivemos com Atléticas, grêmios, empresas júnior, Redigir e outrasformas de se organizar. Há, ainda, a mobilização para além dascomunicações e das artes, o DCE e então chegamos à UNE, àConlute.Enxergamos como legítimas essas entidades, porém buscamosreciprocidade na nossa relação com as mais variadas instâncias.Buscamos uma relação de igualdade e cooperação, reconhecendo etendo como reconhecido cada esfera de atuação. Apreciamos, também, as iniciativas das executivas e da Fenearte.Procuramos colaborar com o possível, seguindo a lógica de valorizar o que é importante para os ecanos e para o pensamento crítico sobrenossas atividades dentro da universidade.
CCoommuunniiddaaddee

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