Prólogo
Jamais vou esquecer aquela úmida e tempestu-osa manhã de janeiro de 1998 em que Frank aterris-sou em Taveuni, uma pequena ilha do arquipélagoFiji. Trovejara a noite inteira, e, antes do café da ma-nhã, os donos do Maravu Plantation Resort tiveramde cuidar do conserto de um problema na instalaçãoelétrica. Como a câmara frigorífica corria perigo, ofe-reci-me para ir de carro a Matei buscar os novos hós-pedes, que chegariam à linha de mudança de data no vôo da manhã, vindos de Nadi. Angela e Jochen Kiessaceitaram agradecidos minha ajuda, e Jochen me elo-giou dizendo que numa situação crítica sempre se po-dia contar com um britânico.O sério norueguês chamou minha atenção as-sim que entrou no jipe em companhia de um casal deamericanos. Tinha cerca de quarenta anos, estaturamediana e cabelos louros, como a maioria dos escan-dinavos, mas olhos castanhos e um semblante um tan-to abatido. Apresentou-se como Frank Andersen, elembro que cheguei a pensar que talvez pertencesseàquela rara categoria de seres humanos que a vida to-da se sentem oprimidos na Terra pela brevidade daexistência e pela falta de espírito. Essa suposição sedissipou quando, naquela mesma noite, soube que eleera biólogo evolutivo. Para quem já tem certa predis-posição à melancolia, a biologia evolutiva deve seruma ciência bem pouco reconfortante.