Os túmulos são abertos e o coração do cadáver é trespassado com o auxílio de umaestaca, a cabeça cortada à machadada e o caixão cheio de cal viva. Processos verbais, sãoredigidos e assinados pelos oficiais do rei e autenticados pelas autoridades locais.Em 1776, D. Agustin Calmet, padre beneditino e abade de Senóvia, redigiu o seu
Tratado sobre
as
aparições dos espíritos, reencarnações, anjos, demônios,
e
vampiros daSilésia
e
da Morávia,
dedicado ao príncipe Carlos de Lorena, Bispo d’Olmütz.Relata-nos ele: «Citam-se e ouvem-se testemunhas, examinam-se situações,observam-se os corpos exumados procurando sinais vulgares, como a mobilidade, aflexibilidade dos membros, a fluidez do sangue, a incorruptibilidade do corpo. Se tais pormenores forem na verdade observados concluir-se-á que são eles quem molesta osvivos, pelo que são entregues ao carrasco a fim de que ele os queime.» E mais adiante,adverte do perigo que paira: «Este mal que espalha o terror, castiga particularmente aHungria, a Polônia, a Silésia, a Morávia, a Áustria e a Lorena. Quem de- le nos livrará, poisnão deixará de aumentar caso não se puser cobro a tal situação?»E conclui por fim: «No meio de tudo isto, não vejo senão trevas e dificuldades, cujasolução deixo aos mais hábeis e ousados.»Superstições, alucinações, lendas ou presenças autênticas vindas de além túmulo? Acaça está aberta...Quando se estuda o vampirismo pode dizer':"se que se trata de uma via tenebrosa, deum culto da noite cuja divindade central seria o não morto visto que o vampiro cultiva a sua personalidade demoníaca. Ele ama o seu próprio corpo e tenta, por todos os meios mágicos,evitar a sua desintegração.Os adeptos deste culto mudam de nome segundo as regiões, os dialetos, os costumes.O jesuíta Gabriel Rzazcynsi explica em 1 721: «Há mortos que mesmo no túmuloconservam a avidez de devorar e que, à boa maneira dos espectros, fazem as suas vítimas pela vizinhança; os polacos dão-Ihe o nome especial de
Upiers
e
Upiercza.
A Europacentral foi, durante muito tempo, o feudo destes senhores da.noite, capazes de interromper o processo de decomposição do corpo, suspensos entre a vida e a morte nessas zonas deobscuridade que as antigas religiões povoavam de diabos, de demônios. Nas províncias da Alemanha, em Hasse, Wurtenberg, Brunswick, afirmava-se que ocadáver-vampiro, uma vez saído do caixão, tinha o poder de se transformar em ave noturnae voar durante a noite à procura das suas vítimas.Mais perto de nós, o professor Vukanovic assinalou danos causados pelos vampirosna Sérvia, nos anos de 1933,1940, 1947 e 1948, principalmente na província de Kosovo-Motohija.Em 1970, o feiticeiro inglês David Farrant foi condenado, sem apelo nem agravo, acinco anos de 'prisão por violação e profanação de sepultura. E no prosseguimento denumerosos testemunhos acerca de uma «presença» no cemitério de Highgate, no Norte deLondres, que Farrant e os seus adeptos tentaram um ritual de invocação do vampiro. Os jornais ingleses seguiram esta rocambolesca aventura durante várias semanas. Falou-se nocaso de um caixão arrombado, de um cadáver decapitado por Farrant, de símbolos mágicos pintados sobre as sepulturas, de obsessões, de pesadelos que apavoravam os habitantes deHighgate, de animais degolados pelas veredas do cemitério, etc.
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