P O D E R J U D I C I Á R I O
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO
4ª Câmara de Direito Privado
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Apelação nº 0107704-88.2008.8.26.0003 - São Paulo - Voto nº 25.813 - MJosé Wagner de Oliveira Melatto Peixoto
visando ao pagamento do valor de R$ 41.825,86 relativo ao saldo residual dopreço do imóvel, com base na cláusula 16ª (APURAÇÃO FINAL) do 'Termo deAdesão e Compromisso de Participação' firmado com a apelada, assim redigida:
“Ao final do empreendimento, com a obra concluída e tendo todos os ASSOCIADOScumprido seus compromissos para com a COOPERATIVA, cada um deles deverá, excetono que se refere a multas ou encargos previstos no Estatuto, Regimento Interno, nesteinstrumento, ou por decisão de diretoria, ou de assembleia, ter pago custos conforme aunidade escolhida/atribuída, considerados ainda os reajustes previstos no presenteTermo, bem como aqueles previstos na cláusula 4.1 e seu parágrafo único.”
(fl. 39).Pois bem.Verdade que não se pode reconhecer a coisa julgada.Embora a cláusula 16ª do contrato tenha sido declarada nula por sentençaproferida na ação coletiva movida pela Associação dos Adquirentes deApartamentos do Condomínio Residencial Vila Mariana, confirmada por esteTribunal, inexiste notícia do trânsito em julgado. E, ainda que aquela açãoestivesse definitivamente julgada, é certo que não obstaria o prosseguimentodesta demanda em virtude da coisa julgada (art. 267, V, CPC), mas apenasimpediria a rediscussão das questões já decididas.Não obstante, é inviável o manejo da ação monitória.Estabelece o art. 1102-A do Código de Processo Civilque
“A ação monitória compete a quem pretender, com base em prova escrita semeficácia de título executivo, pagamento de soma em dinheiro, entrega de coisa fungívelou de determinado bem móvel.”
.No caso, contudo, inexiste prova da legitimidade ecomposição do suposto débito. A apelante não cuidou de demonstrarminimamente a subsistência da dívida, apresentando os documentos queatestam sua origem, apuração e forma de distribuição entre os cooperados, tudocom a respectiva aprovação da assembleia.Evidente que a cláusula contratual invocada nãoconfigura, por si só, a prova escrita reclamada pela norma legal, porque delasequer se extrai a efetiva existência de saldo residual. Na lição de HUMBERTOTHEODORO JÚNIOR,
“(...) conhece-se, também, o 'começo de prova por escrito', quecontribui para a demonstração do fato jurídico, mas não é completa, reclamando, porisso, outros elementos de convicção para gerar a certeza acerca do objeto do processo.Observa Carreira Alvim que tanto a prova preconstituída, como a casual servem parainstruir a ação monitória. O mesmo, todavia, não se passa com o começo de prova