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TRIBUNAL DE JUSTIÇA
PODER JUDICIÁRIOSão Paulo
Registro: 2012.0000061033ACÓRDÃO
Vistos, relatados e discutidos estes autos de Apelação nº 9103134-12.2008.8.26.0000, da Comarca de São Paulo, em que são apelantes ALEXANDREDUARTE NERY e LIDIANE FERREIRA ROCHA sendo apeladosCOOPERATIVA HABITACIONAL DOS BANCARIOS DE SAO PAULOBANCOOP e COOPERATIVA HABITACIONAL DOS TRABALHADORES DESAO PAULO.
ACORDAM
, em 10ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça deSão Paulo, proferir a seguinte decisão: "Deram provimento ao recurso. V. U.", deconformidade com o voto do Relator, que integra este acórdão.O julgamento teve a participação dos Exmos. Desembargadores JOÃOCARLOS SALETTI (Presidente), ELCIO TRUJILLO E COELHO MENDES.São Paulo, 14 de fevereiro de 2012.
João Carlos SalettiRELATOR
Assinatura Eletrônica
 
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Apelação nº 9103134-12.2008.8.26.0000
APELAÇÃO CÍVEL nº 9103134-12.2008.8.26.0000 (antigos 994.08.063478-3;597.683-4/0-00)
COMARCA-SÃO PAULO
30º Ofício, Processo nº 225682/2007
APELANTES-ALEXANDRE DUARTE NERY e LIDIANE FERREIRA DAROCHAAPELADAS-COOPERATIVA HABITACIONAL DOS BANCÁRIOS DESÃO PAULO BANCOOP e COOPERATIVAHABITACIONAL DOS TRABALHADORES DE SÃO PAULO -CHT
VOTO Nº 16.006
CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIAPARA REALIZAÇÃO DE PROVA PERICIALDesnecessidade Questão de direito informada porelementos de fato constantes dos autos Partes, ademaisque, ouvidas, concordaram com a antecipação do julgamento Preliminar rejeitada.COMPRA E VENDA DE IMÓVEL CooperativaExigência de valor dito resultante de rateio de apuraçãofinal do custo do empreendimento Prestações ajustadasinteiramente pagas Não demonstração da procedência dadespesa acrescida Laudo de auditoria que, ao contrário,revela irregularidade no lançamento contábil, aludindo àfalta de documentos comprobatórios de despesas de umexercício todo, e de ausência de projeto executivo acomprovar correspondência de gastos realizadosExigência indevida Ação declaratória de inexigibilidade julgada improcedente Sentença reformada para acolher opedido, imitidos os autores na posse do imóvel.Apelação provida.
A r. sentença de fls. 579/585, integrada pela decisão de fls. 601, julgouimprocedente ação declaratória de inexigibilidade de débito e de imissão na possecom pedido de tutela antecipada.Apelam os autores (fls. 605/620). Alegam não pretender modificaçãodas cláusulas pactuadas, nem desqualificação do sistema de autofinanciamento apreço de custo; ajuizaram a ação porque as rés lhes exigiam, a título de diferença decusto de obra, absurdos R$ 36.716,89, correspondentes a 50% do valor originário,sem comprovação documental de sua licitude, como exige o princípio da boa-féobjetiva; a causa de pedir não se relaciona à possibilidade da cobrança do rateio final,mas ao modo de apuração do valor sem comprovação; cumpriram todas as
 
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Apelação nº 9103134-12.2008.8.26.0000
obrigações e, não obstante efetuados regularmente pagamentos ordinários, as rés, emassembléia seccional de 24.09.2005, informaram a necessidade de aporte financeiro;tal aprovação não representa o rateio final, que já pagaram. Ademais, o julgamentofoi
extra petita
, pois contemplou aspecto diverso da exordial, ao decidir que ascláusulas e condições não seriam abusivas ou ilegais a ponto de justificar aintervenção judicial; o pedido fez referência apenas ao modo de apuração do rateiofinal, na medida em que não apresentados documentos comprobatórios da licitude eexistência do déficit; não foi objeto do pedido a modificação do pacto, mas adeclaração de inexigibilidade do valor sem comprovação; não bastasse a teratologiada motivação da sentença, ainda revelou desacerto ao fazer menção de que seria lícitaa cobrança de resíduo final.Acrescentam que a improcedência da ação somente poderia serdeclarada após perícia, requerida às fls. 570, pela qual se poderia constatar o efetivoempenho dos valores cobrados como diferença final, e sua correlação com o projetodo empreendimento; como a perícia constitui elemento essencial à solução da lide,requer a
conversão do julgamento em diligência (art. 130 CPC)
; sem prejuízo, opreço estimado à época do lançamento do empreendimento atingia aproximados R$87.000,00; considerando-se o padrão CUB do SINDUSCON, à época da aquisição(2002), atingiria o máximo de R$ 114.624,67, mas já pagaram, a preço de custo, R$136.988,05. Ainda, as rés não impugnaram especificamente a matéria argüida nainicial (art. 302 CPC), pois a ação visa declarar a inexigibilidade dos valores,devendo as alegações dos autores serem presumidas como verdadeiras; elas deixaramde comprovar a licitude da sua exigência, de quem era o ônus da prova (art. 333, II,CPC), principalmente porque afirmaram possuir os documentos; não pode serafastado o relatório juntado da auditoria ELCE, reconhecido pelas rés que oreproduziram, pois, em decorrência dele a ação foi proposta, em vista das váriasirregularidades ali consignadas. Buscam, assim, o provimento do recurso para que aação seja julgada procedente, declarando-se inexigíveis os valores apontados pelasrés e quitadas as obrigações contraídas pelos autores, imitindo-os na posse daunidade que adquiriram e, mediante o reconhecimento de relação consumerista,condenando-se as rés ao ônus da sucumbência.As rés responderam (fls. 632/651).
É o relatório.1.
Rejeito a preliminar suscitada pelos apelantes, de conversão do julgamento em diligência para realização de perícia, porquanto desnecessária para asolução desta lide, que versa matéria de direito já informada por elementos de fatoconstantes dos autos.Por outro lado, e de qualquer modo, o Juízo determinara às partes queespecificassem as provas que pretendiam produzir, justificando-as (fls. 565).
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