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Grazia.tanta@gmail.com4 maio 2012 1
 
A dívida portuguesa total – canibalização de um povo
Pretende-se com este primeiro texto - entre vários que irão ser divulgados em breve -proceder a uma abordagem abrangente da dívida e outras responsabilidades que impendemsobre os residentes em Portugal e que, no fundo, oneram e irão onerar durante gerações, amultidão de trabalhadores e ex-trabalhadores, tomados pelo poder do capital, os receptáculosúltimos e os naturais pagadores das faturas apresentadas pelo capitalismo global
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. Quem seresignar a esta situação está do lado da continuidade da exploração capitalista, por ignorância,por conveniência ou… é masoquista.Não tem, evidentemente, de ser assim e isso, só pode ser evitado numa concertação de povos
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 contra os capitalistas e a sua extirpação, numa luta que custará – não tenhamos ilusões -sangue, suor e lágrimas. Aliás, esses fluidos escorrem já hoje, abundantemente nos quatrocantos da Terra, por ação ou inação criminosas do capitalismo, dos seus mandarins, polícias eexércitos.Ontem já era tarde para reagir. E para reagir é necessário conhecer o inimigo, o terreno docombate, as armas de que detém e como as utiliza. Este texto é um modesto contributo para oefeito, no seguimento de muitos outros já publicados sobre a dívida
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e não só.
A dívida total portuguesa – canibalização de um povo
Sumário:1 - O endividamento da economia portuguesa2 - Endividamento das empresas não financeiras3 - Endividamento das sociedades financeiras4 - Endividamento das administrações públicas5 - Endividamento dos particulares6 – Os direitos de crédito do exterior sobre a sociedade portuguesa7 – Resumo da evolução dos vários tipos de passivos em cada agregado económico8 - Tipos de responsabilidades por agregado económico1 - O endividamento da economia portuguesa
 
A dívida do Estado, do sistema financeiro, das empresas e das famílias é, constituída,parcialmente dentro do país, numa matriz de relações interna, entre as entidades ouagregados atrás considerados e parcialmente, de modo direto, junto de entidades sediadas noexterior. Por outro lado, mesmo quando o mútuo envolve apenas entidades residentes emPortugal, muitas vezes o credor municiou-se previamente no exterior enquanto a situaçãoinversa é muito menos relevante.O Banco de Portugal publica regularmente as contas financeiras de Portugal. Como emqualquer contabilidade procede-se a uma avaliação do ativo e do passivo, consolidando os
 
 
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haveres, direitos e obrigações de empresas não financeiras, do sistema financeiro, dasadministrações públicas e dos particulares; designa-se por consolidado por não relevar asrelações internas no âmbito de cada agregado. Como contas financeiras não contabilizam opatrimónio físico existente em Portugal, como o edificado habitacional ou instalaçõesindustriais, comerciais ou de serviços, os recursos naturais, os bens materiais dos particularesou das empresas. Consideram-se, sumariamente, para além do ouro monetário (não o privadoretido para adorno ou entesouramento), o dinheiro e os depósitos, os títulos, e osempréstimos obtidos ou concedidos.A dimensão do passivo consolidado, distribuído por agregado económico, consta do quadroseguinte;Situação em setembro 2011 - por agregado económico
M euros % total % PIBTotal do passivo financeiro1.392.450 100,0813,8Soc. não financeiras444.234 31,9259,6Soc. financeiras595.130 42,7347,8Adm. Públicas176.827 12,7103,3Particulares176.260 12,7103,0
PIB
171.112 -100,0Fonte primária: Banco de Portugal
Numa primeira observação, verifica-se que o nível de endividamento corresponde aorendimento gerado em mais de oito anos iguais a 2011 e que 74.6% do passivo consolidadocabe às empresas, com a maior relevância a pertencer ao sistema financeiro, comoredistribuidor dos seus meios próprios, dos depósitos e do crédito que obtém, nomeadamenteno exterior. O Estado, no conjunto das suas vertentes, apesar do permanente saque a que ésubmetido pela atuação do mandarinato, somente representa 1/8 do passivo global, tantoquanto os particulares, as famílias, acusadas de toda a irresponsabilidade, de toda a incúria naconstituição de dívida.A repartição por tipo de débito ou responsabilidade referente a setembro do ano transato é aseguinte:Situação em setembro 2011 - Por tipo de débito
M euros % total % PIBTotal do passivo financeiro 1.392.450 100,0 813,8Empréstimos 437.926 31,5 255,9
- de curto prazo (2010) 47.186 - 27,3- de longo prazo (2010) 350.469 - 203,0
Títulos excepto ações 189.307 13,6 110,6Dinheiro e depósitos 278.940 20,0 163,0Acções e participações 339.495 24,4 198,4Outros passivos 146.782 10,5 85,8PIB 171.112 - 100,0Fonte primária: Banco de Portugal
 Deste ponto de vista, os empréstimos (não titulados) aproximam-se de 1/3 do passivoconsolidado, com grande predomínio, no seu seio dos débitos pagáveis em mais de cinco anos.Por seu turno, a dívida titulada e os “outros passivos”, em conjunto representam tanto quantoos empréstimos. A massa monetária, corresponde a poder aquisitivo que se pode efetivar e,portanto, constituir um “crédito” latente sobre a economia portuguesa, tal como as ações e
 
 
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participações em empresas que também constituem direitos cujo exercício é meramentepotencial e em prazo incerto.Depois destas segmentações iniciais cujo objetivo é o dimensionamento dos débitos eresponsabilidades da economia portuguesa, procede-se seguidamente a uma avaliação dasresponsabilidades face ao exterior.A diferença entre ativos e passivos financeiros do conjunto dos agregados económicoscorresponde ao valor dos ativos financeiros líquidos que, no período que se vai analisar – apartir de dezembro de 1995 – é negativa, tem crescido paulatinamente desde então, comalguma estabilização e mesmo um retrocesso em tempos muito recentes. Esse valor negativo,corresponde a responsabilidades dos residentes em Portugal para com o exterior; umaumento (redução) desse valor negativo significa um empobrecimento (enriquecimento) dosresidentes em Portugal, agrupados de acordo com grandes grupos comportamentais –pessoas/famílias, empresas comuns, sistema financeiro e Estado, este no conjunto dos seuscomponentes – e tem como contrapartida um enriquecimento (empobrecimento) do exterior.
Nota: para 2011, valores estimados
 A mudança de orientação no crescente volume dos valores negativos dos ativos líquidos revelauma inversão de tendência que, provavelmente será confirmada para o período decorridodesde finais de 2010, devido à pressão conjunta da suserania UE, do FMI, do BCE. Essamudança, como é bem sentida pela multidão reflete-se em todos os segmentos sociais, compequenas mas significativas excepções – os detentores de capitais líquidos, cuja mobilidade étotal, os protagonistas da economia paralela, os altos dirigentes das empresas de regime ou domandarinato.A estabilização do empobrecimento coletivo face ao exterior manifesta-se em várias classes esegmentos sociais de modo muito desigual. Os principais atingidos são a multidão detrabalhadores e ex-trabalhadores, atingidos por uma avalancha de aumentos de impostos ouredução de deduções, aumentos de preços, redução ou estagnação de rendimentos dotrabalho ou de pensões, despedimentos e desemprego, acompanhados da sádica viapersecutória na contração dos apoios sociais. Também o médio e baixo patronato, em regra,
-120-110-100-90-80-70-60-50-40-30-20-100102030405060708090100110120
        1        9        9       5        1        9        9        6        1        9        9       7        1        9        9        8        1        9        9        9        2        0        0        0        2        0        0        1        2        0        0        2        2        0        0        3        2        0        0        4        2        0        0       5        2        0        0        6        2        0        0       7        2        0        0        8        2        0        0        9        2        0        1        0        0        9    -        2        0        1        1
Activos financeiros líquidos (em % do PIB) -1995-2011
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