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Assassinato do PM Francisco Sá Carneiro - envolvimento dos americanos e portugueses.

Assassinato do PM Francisco Sá Carneiro - envolvimento dos americanos e portugueses.

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Published by António Neto
A confissão de Fernando Farinha Simões
A confissão de Fernando Farinha Simões

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05/04/2012

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CONFISSÃO ASSINADA DE FERNANDO FARINHA SIMÕES
(operacional da CIA que preparou o crime de Camarate)
 
Eu, Fernando Farinha Simões, decidi finalmente, em 2011, contar toda a verdade sobreCamarate. No passado nunca contei toda a operação de Camarate, pois estando a correr o processo judícial, poderia ser preso e condenado.Também porque durante 25 anos não podia falar, por estar obrigado ao sígilo por parte daCIA, mas esta situação mudou agora, ao que acresce o facto da CIA me ter abandonadocompletamente desde 1989. Finalmente decidi falar por obrigação de consciência. Fiz o meu primeiro depoimento sobre Camarate, na Comissão de Inquérito Parlamentar, em1995. Mais tarde prestei alguns depoimentos em que fui acrescentando factos e informações.Cheguei a prestar declarações para um programa da SIC, organizado por Emílio Rangel, quenão chegou contudo a ir para o ar.Em todas essas declarações públicas contei factos sobre o atentado de Camarate, que nuncaforam desmentidos, apesar dos nomes que citei e da gravidade dos factos que referi. Em todos esses relatos, eu desmenti a tese oficial do acidente, defendida pela Polícia Judiciáriae pela Procuradoria-geral da Republica. Numa tive dúvidas de que as Comissões de Inquérito Parlamentares estavam no caminho certo,pois Camarate foi um atentado. Devo também dizer que tendo eu falado de factos sobre Camarate tão graves e doenvolvimento de certas pessoas nesses factos, sempre me surpreendeu que essas pessoastenham preferido o silêncio. Estão neste caso o Tenente Coronel Lencastre Bernardo ou o Major Canto e Castro.Se se sentissem ofendidos pelas minhas declarações, teria sido lógico que tivessem reagido. Quanto a mim, este seu silêncio só pode significar que, tendo noção do que fizeram,consideraram que quanto menos se falar no assunto, melhor. Nessas declarações que fiz, desde 1995, fui relatando, sucessivamente, apenas parte dos factosocorridos, sem nunca ter feito a narração completa dos acontecimentos.Estavamos ainda relativamente proximos dos acontecimentos e não quis portanto revelar todosos pormenores, nem todas as pessoas envolvidas nesta operação.
 
 Contudo, após terem passado mais de 30 anos sobre os factos, entendi que todos osportugueses tinham o direito de conhecer o que verdadeiramente sucedeu em Camarate. Não quero contudo deixar de referir que hoje estou profundamente arrependido de terparticipado nesta operação, não apenas pelas pessoas que aí morreram, e cuja qualidadehumana só mais tarde tive ocasião de conhecer, como do prejuízo que constituiu, para o futurodo país, o desaparecimento dessas pessoas.Naquela altura contudo, Camarate era apenas mais uma operação em que participava, pelo quenão medi as consequências. Peço por isso desculpa aos familiares das vítimas, e aos Portugueses em geral, pelasconsequências da operação em que participei. Gostaria assim de voltar atrás no tempo, para explicar como acabei por me envolver nestaoperação. Em 1974 conheci, na África do Sul, a agente dupla alemã, Uta Gerveck, que trabalhava paraa BND (Bundesnachristendienst) - Serviços de Inteligência Alemães Ocidentais, e ao mesmotempo para a Stassi.  A cobertura legal de Uta Gerveck é feita através do conselho mundial das Igrejas (uma espéciede ONG), e é através dessa fachada que viaja praticamente pelo Mundo todo, trabalhando aomesmo tempo para a BND e para a Stassi. Fez um livro em alemão que me dedicou, e que ainda tenho, sobre a luta de liberdade doPAIGC na Guiné Bissau. O meu trabalho com a Stassi veio contudo a verificar-se posteriormente, quando estava já atrabalhar para a CIA.  A minha infiltração na Stassi dá-se por convite da Uta Gerveck, em 1976, com a concordânciada CIA, pois isso interessava-lhes muito. Úta Gerveck apresenta-me, em 1978, em Berlim Leste, a Marcus Wolf, então Director da Stassi. Fui para esse efeito então clandestinamente a Berlim Leste, com um passaporte espanhol, queme foi fornecido por Úta Gerveck. 0 meu trabalho de infiltração na Stassi consistiu na elaboração de relatórios pormenorizadosacerta das “toupeiras" infiltradas na Alemanha Ocidental pela Stassi.Que actuavam nomeadamente junto de Helmut Khol, Helmut Schmidt e de Hans JurgenWischewski. Hans Jurgen Wischewski era o raponsável pelas relações e contactos entre a AlemanhaOcidental e de Leste, sendo Presidente da Associação Alemã de Coopenção e Desenvolvimento
 
(ajuda ao terceiro Mundo), e também ia às reuniões do Grupo Bilderberg.  Viabilizou também muitas operações clandestinas, nos anos 70 e 80, de ajuda a gupos delibertação, a partir da Alemanha Ocidental. Estive também na Academia da Stassi, várias vezes, em Postdan - Eiche. Relativamente ao relato dos factos, gostaria de começar por referir que tenho contactos, desde1970, em Angola, com um agente da CIA, que é o jornalista e apresentador de televisão PauloCardoso (já falecido). Conheci Paulo Cardoso em Angola com quem trabalhei na TVA - Televisão de Angola na altura. Em 1975, formei em Portugal, os CODECO com José Esteves, Vasco Montez, Carlos Miranda eJorge Gago (já falecido). Esta organização pretendia, defender, em Portugal, se necessário por via de guerrilha, osvalores do Mundo Ocidental.  Através de Paulo Cardoso sou apresentado, em 1975, no Hotel Sheraton, em Lisboa, a umagente da CIA, antena, (recolha de informações), chamado Philip Snell. Falei então durante algum tempo com Philip Snell. O Paulo Cardoso estava então a viver no Hotel Sheraton. Passados poucos dias, Philip Snell, diz-me para ir levantar, gratuitamente, um bilhete de avião,de Lisboa para Londres, a uma agência de viagens na Av. De Ceuta, que trabalhava para aembaixada dos EUA. Fui então a uma reunião em Londres, onde encontrei um amigo antigo, Gary Van Dyk, da Áfricado Sul, que colaborava com a CIA. Fui então entrevistado pelo chefe da estação da CIA para a Europa, que se chamava JohnLogan. Gary Van Dyk, defendeu nessa reunião, a minha entrada para a CIA, dizendo que me conheciabem de Angola, e que eu trabalhava com eficiência. Comecei então a trabalhar para a CIA, tendo também para esse efeito pesado o facto de teranteriormente colaborado com a NISS - National Intelligence Security Service ( Agência Sul Africana de Informações). Gary Van Dyk era o antena, em Londres, do DONS - Department Operational of NationalSecurity (Sul Africana). Regressando a Lisboa, trabalhei para a Embaixada dos EUA, em Lisboa entre 1975 e 1988, atempo inteiro.

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