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1ºcapitulo

1ºcapitulo

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07/10/2013

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— Só espero que isto não acabe num banho de sangue.Ao olhar para o fundo da sala, o David confirmou que tinha sido oComissário Hugo Gomes a proferir a frase. Mesmo que não lhe tivessereconhecido a voz, tal previdência áspera só poderia vir do elemento maisgraduado e experiente da equipa.— Desde que seja o sangue deles... — acrescentou o SubcomissárioSérgio Almeida, enterrado na cadeira, pés em cima da mesa de reuniões.— Nem mais — arrematou o segundo Subcomissário do grupo,Eduardo Barros, ao simular um brinde com a garrafa de água.O silêncio voltou a dominar a sala. Apesar de estar ali, com aqueleshomens, ser uma honra para a qual o David passara anos a trabalhar, era-lhe cada vez mais difícil esconder a inquietação que lhe corroía os nervos.Voltou a recostar-se na cadeira e, num gesto que já repetira dezenas devezes desde que ali chegara, tirou o carregador da sua HK MP-5 e voltoua colocá-lo.— Ó Açoriano, isto só fica vazio se carregares no gatilho — oComissário Gomes atirou em tom de chacota. O resultado foi um risocurto, mas generalizado.O David sorriu sem tirar os olhos da pistola-metralhadora. Azomba-ria era algo inerente à categoria de
caloiro
, por isso mais valia aceitá-lacom desportivismo e humor. Além disso, as gargalhadas ajudavam a dis-solver a tensão.Estavam parados naquela sala há quase duas horas, o David já nãosabia como se ajeitar à cadeira. As últimas notícias tinham chegado há trin-ta minutos atrás e, desde então, a única companhia do grupo era a televi-são, com praticamente todos os canais a seguir os acontecimentos emdirecto.
9
1.
OLUÇÃO
P
 RIMÁRIA
 
Ainda por cima, como que a quererem adicionar mais sisudez aoambiente, os restantes elementos, que compunham a equipa, teimavam emnão aparecer.— O que estará a demorar o resto do pessoal? — Inquiriu o Subco-missário Sérgio Almeida.— Não faço ideia, mas convinha que chegassem rápido. Se tivermosde avançar, nem temos Atirador Furtivo — constatou o líder do grupo.— Olha, estão a falar de nós — apontou o Subcomissário Eduardopara o ecrã.O David, o Sérgio e o Comissário Gomes desviaram também a aten-ção para a jornalista, que agora lia as notícias directamente de um papelque alguém acabara de lhe colocar na mesa. Alternando o olhar entre afolha e a câmara, começou a anunciar que as negociações tinham chegadoa um impasse e, por isso, a intervenção do Grupo de Operações Especiaisera praticamente inevitável. Era apenas uma questão de tempo.
“Pois, o problema é que ninguém nos diz quanto tempo”
, pensou oDavid para os seus botões.— Segundo fontes do Ministério da Administração Interna, há umaequipa do Grupo de Operações Especiais da Polícia de Segurança Pública,o G.O.E., pronta a entrar em acção a qualquer momento — explicava a jor-nalista em tom grave. — Aentrada do G.O.E. em cena poderá significar odesfecho da situação, mas poderá também resultar no ferimento ou mortedos reféns, daí a relutância do Governo Português em autorizar o assalto.— Com um bocado de sorte, os terroristas não estão a ver televisão —disse o Subcomissário Sérgio.— Não contes com isso — ironizou o Subcomissário Eduardo.O David voltou a tirar o carregador. Lançou um olhar simulado aoComissário Gomes, à espera da troça, mas a atenção do seu superior tinhasido resgatada pelas palavras da jornalista. Inseriu o carregador de novo.Olhou para o relógio. Eram já oito horas, dali a pouco começaria aescurecer. O Gabinete de Crise estava à espera de quê? Que matassemmais pessoas?
“Há pessoas a morrer”
. Talvez pela primeira vez, desde amanhã daquele dia, a situação assumiu uma nitidez cristalina na mente doDavid. Aemergência e o aparato todo à volta da missão ainda não o tinhamdeixado visualizar os acontecimentos como...
“como uma pessoa nor-mal”.
10
 H 
 ÉLDER
 M 
 EDEIROS 

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