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Recuperação paralela - texto da Nova Escola

Recuperação paralela - texto da Nova Escola

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Published by: EEEFM POLIVALENTE DE LINHARES I on May 08, 2012
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EEEFM POLIVALENTE DE LINHARES I – 2012
EDUCAR: UMA AÇÃO COLETIVA
 
ESTUDO SOBRE RECUPERAÇÃO PARALELAData: 08 a 10/05/121. Como verificar o que de fato os alunos ainda não aprenderam?
Diagnóstico inicial, provas, observações de atividades realizadas em sala de aula, exercícios desondagem, situações-problema, trabalhos em grupo, tarefas de casa - em conjunto, esses e outrosinstrumentos de avaliação ajudam a enxergar os diferentes saberes de cada um. Olhar apenas a notadas provas é absolutamente insuficiente para averiguar o que foi aprendido. Ainda mais quandosabemos que esse tipo de avaliação nem sempre é preparado de uma forma que permita checar secada conteúdo trabalhado foi de fato aprendido. "Avaliação bem feita e válida é aquela que estárelacionada aos objetivos de ensino e traz perguntas que abordam tudo o que foi ensinado. Ela permiteque o aluno descreva o que aprendeu ou deixou de aprender", afirma Luckesi. "Sem ter clareza sobreas dificuldades de cada um, o professor pensa que terá de trabalhar com muito mais conteúdos do queo necessário e acaba desistindo da recuperação."
2. Como analisar os resultados das estratégias de avaliação?
O QUE FOI APRENDIDOUm bom diagnóstico das aprendizagens mostra o que a criança já sabe e o que falta aprender. Você vaiver que, dentro de um conteúdo, as dúvidas não são tão diferentes.Em relação especificamente às provas, uma boa dica é ler de uma vez a resposta de todos a umamesma questão. É importante fazer anotações sobre as dificuldades encontradas: quem errou, por quê,como, as ideias apresentadas sobre o assunto, quais os equívocos mais comuns etc. Tabular essesdados ajuda a definir em que investir mais força, o que retomar coletivamente e o que trabalhar empequenos grupos (leia mais no quadro abaixo). Ao analisar cadernos, portfólios e trabalhos de casa,você tem um retrato dos diferentes momentos de avanço da turma - o que é fundamental para enxergarexatamente onde está a dificuldade de cada um em compreender o conteúdo e para eleger asestratégias que ajudarão todos a superar os problemas.Nas situações do dia a dia na sala de aula e nas tarefas de casa, é possível checar se problemasdetectados no desempenho em provas se confirmam. "É comum as crianças não saberem utilizar nostestes o conhecimento que têm", ressalta Rosa Maria Antunes de Barros, coordenadora pedagógica daEscola Castanheiras, em Santana de Parnaíba, na Grande São Paulo, e autora de um estudo sobregrupos de apoio em escolas. Se numa atividade um aluno soube fazer algo e nas outras não, éindicativo de que ele domina parte do conteúdo, mas não está seguro disso. É imprescindível falar comele, escutar quais são suas hipóteses, verificar até onde chegou e quanto avançou desde a últimaatividade.
3. Concluí que meus alunos têm dificuldades diferentes. Como lido com isso?
"Fazer agrupamentos é o grande pulo do gato para recuperar as aprendizagens de todos", acreditaRosa Maria. Tendo um diagnóstico bem feito, que aponte exatamente os problemas de cada um emrelação aos conteúdos trabalhados em sala até o momento, é possível dividir a classe. Um grupo seráconstituído pelos que não apresentam problemas e precisam continuar avançando. Os demais devemser divididos em no máximo três agrupamentos, com dificuldades comuns entre os integrantes. Afinal,em determinado tema abordado em aula, não há tantas coisas diferentes que possam gerar dúvidasentre a garotada. Porém, se você detectou que um problema de aprendizagem é comum a grande parteda turma, cabe uma reflexão: será que a metodologia e a estratégia utilizadas foram coerentes com oobjetivo pedagógico? Em seguida, retome o conteúdo com urgência e sobre novas bases. Lembre-sede que avaliar também é checar a qualidade e a eficácia do próprio trabalho.
 
 
4. Quais os critérios mais indicados para formar grupos em sala deaula?
São duas as variáveis que determinam os agrupamentos: as necessidades de aprendizagem e oobjetivo da própria atividade. Além disso, é importante considerar as características pessoais e osvínculos afetivos da turma. Dependendo da tarefa, a garotada fica livre para escolher os parceiros. "Emqualquer dessas situações, é importante deixar claro para todos no que se baseou a organização e osseus objetivos com ela. Eles têm de estar seguros e saber o que é esperado deles", ressalta MariaCelina Melchior.
Os erros mais comuns:
 
- Determinar quem será reprovado antes do fim do ano letivo
. Os alunos com mais dificuldade nãodevem ser abandonados. Ao contrário, eles são os que mais precisam de atenção.
- Separar os que têm dificuldade em uma sala para os "fracos"
. Essa estratégia estigmatiza quemestá de recuperação e não ajuda no processo de aprendizagem.
- Deixar a recuperação para a última semana do ano letivo
. Se para a criança está sendo árduoavançar, uma revisão rápida do programa do ano não funcionará.
- Repetir na recuperação as estratégias já usadas
. É preciso proporcionar outras formas de ensinopara que todos aprendam o conteúdo.
5. De que forma posso organizar o trabalho dentro dos agrupamentos?
Em cada um deles, o estudo pode se dar em subgrupos, duplas ou individualmente, de acordo com asnecessidades de aprendizagem e os objetivos de ensino. Em agrupamentos maiores, são ricas asdiscussões de estratégias para resolver uma questão ou a reflexão sobre o tema estudado. Nas duplas,é válido colocar alguém que tenha maior dificuldade para realizar uma atividade com um colega queentendeu melhor. As dúvidas do primeiro podem ser fundamentais para que o outro avance noconteúdo. Além disso, quem está enfrentando problemas aprende com a ajuda do colega. "Isso, noentanto, não deve ocorrer sempre. É preciso lembrar que quem sabe também precisa continuaraprendendo", explica Maria Celina. Já as atividades individuais ajudam o aluno a se sentir seguro sobreas aprendizagens, já que tem de colocar em jogo todo o conhecimento adquirido. Não esqueça: namaior parte do tempo, todos estarão juntos e vão seguir aprendendo ou revendo os mesmos conteúdos.
6. Como dar conta das diferentes demandas dos grupos sendo uma pessoa só?
O segredo é planejar em detalhes cada aula de recuperação, prevendo tarefas para todas as equipes(leia mais no quadro abaixo). O ideal é propor
sequências
didáticas bem ajustadas às necessidades deaprendizagem de cada uma delas. Na hora de determinar o que fazer e quando, considere os critériosdidáticos a seguir:
Atividades:
Trabalhar com foco nas necessidades dos alunos não significa a toda aula propor algodiferente para cada um. É claro que no reforço não adianta repetir o que já foi realizado pela turma, maspropondo diferentes atividades você contempla mais alunos. Para os que já compreenderam a matéria,apresente tarefas com complexidade um pouco maior. À medida que aqueles que estão comdificuldades caminham, é possível propor a eles o que os avançados fizeram nas aulas anteriores.Construa um banco de atividades, se possível, com colegas da escola. Guarde os arquivos depropostas que surtiram bom efeito em aula para sempre adaptá-las e melhorá-las.
Recursos:
Invista em diversos materiais (vídeos, músicas, revistas, jornais, sites, jogos, mapas, atlasetc.) e estratégias (aulas expositivas, visitas a locais históricos etc.) como ferramentas de ensino.Mesmo em tarefas coletivas, é possível escolher recursos diferentes para cada grupo, semprepensando no que melhor se encaixa em seu objetivo e nas necessidades de cada um.
Tempo:
Quem acompanha a turma de perto identifica os que precisam de um período maior paraentender um conteúdo e já considera isso no planejamento. Às vezes, a criança tem de ficar maistempo num mesmo ponto e contar com uma atenção redobrada, enquanto o restante realiza mais deuma atividade. O segredo é destacar essa flexibilização de tempo no planejamento e garantir que nasaulas coletivas ela siga avançando.
 
 
7. Como retomarconteúdos não aprendidos sem deixar de cumprir o programa?
TRABALHO FOCADO - Atividades em grupo permitem que os saberes dos alunos se completem. Ainformação trazida por um colega muitas vezes é o que falta para a compreensão do conceito.Distribuindo algumas aulas de reforço ao longo da semana de forma que você possa propor desafiospara os que não têm dificuldades e também atividades para a turma completa. Reserve cerca de umahora por dia ou um período de sua carga horária para dar atenção aos agrupamentos. Determinar osobjetivos e as metas para cada um deles é fundamental para não desperdiçar tempo. No restante doseu horário, siga com todos os alunos o programa normal.
8. Como ajudar cada um de acordo com suas necessidades de aprendizagem?
PRONTO PARA AVANÇARQuando o seu trabalho é baseado na avaliação constante e na intervenção imediata nos problemas, oaluno consegue superar as dificuldades e aprender.Uma alternativa é reorganizar a sala, colocando os mais adiantados no fundo, os que estão comdúvidas pontuais no centro e os que apresentam mais problemas próximo a você. Assim, é possívelpassar entre as carteiras, observar todos atentamente e intervir com afinco no trabalho dos que maisprecisam. Verifique como eles fizeram a atividade, peça explicações sobre a resolução, proponha adiscussão entre pares, mostre o que precisam rever etc. "Dessa forma, assim que as dúvidasaparecem, elas são sanadas. Uma pequena intervenção, em certos momentos, é essencial para acompreensão do conteúdo", recomenda Maria Celina.
9. Mandar tarefa de casa como reforço é uma boa estratégia?
Como atividade única e isolada, não. Mas, como complemento do trabalho realizado em classe, sim,funciona e muito bem. Nesse caso, a ideia é sistematizar um conhecimento adquirido. "É precisoselecionar desafios que o aluno tenha autonomia para enfrentar. Ele tem de ter visto o conteúdo emsala, tirado todas as dúvidas e feito exercícios similares com o apoio do professor. A tarefa será apenaspara sistematizar ou refletir sobre o que aprendeu", explica Rosa Maria. De nada adianta prepararatividades para fazer em casa sem orientação. Dificilmente, ele sozinho conseguirá avançar.
10. Qual o papel do titular da turma quando o reforço é no contraturno?
Em escolas que oferecem horários especiais para a recuperação, o papel de quem está diariamentecom a turma é fornecer as informações possíveis ao colega que ficará responsável pelas aulas extras,providenciar as atividades que serão propostas e acompanhar o avanço da garotada. Afinal, é ele quemconhece as crianças e sabe quais conteúdos elas precisam rever, as estratégias de ensino já usadas eque se mostraram insuficientes. "Esse tipo de organização não muda em nada a função do regente desala", ressalta Maria Celina. Há apenas uma exceção a essa regra: crianças não alfabéticas que jáestão em séries avançadas do Ensino Fundamental demandam uma ajuda mais efetiva por parte doeducador de reforço. Além de essa não ser a área do especialista, a tarefa exige mais tempo ededicação do que ele tem disponível. Quando essa situação se apresenta, cabe aos gestores da escolaou da rede encaminhar o caso.
11. Como saber se a recuperação funcionou e todos aprenderam?
Com novas avaliações e análises dos resultados (leia mais no quadro abaixo). "É preciso acompanhar oavanço de cada um de perto e registrar todos os passos", recomenda Luckesi. Analise se os estudantessuperaram obstáculos e sanaram as dúvidas, se participam das discussões com bons argumentos e setêm segurança e destreza para realizar os exercícios. Para se certificar das aprendizagens, você podeapresentar questões semelhantes às das avaliações anteriores e pedir que eles resolvamindividualmente. Retome o diagnóstico inicial e as anotações feitas antes da recuperação e compare odesempenho de todos. Aqueles que superaram as dificuldades devem ser transferidos para o grupo dosque precisam de novos desafios. Com aqueles que ainda não superaram todos os problemasdetectados, o trabalho continua, assim como a avaliação da aprendizagem de novos conteúdostrabalhados, que é contínua.

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