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PNE – PL 8035/2010 - Estratégia 17 da Meta 1 –Educação InfantilRestringe Direitos da Criança eDistorce a Concepção de Educação Infantil
 A Estratégia 17, introduzida na atual versão do Relatório, propõeo atendimento na creche e na pré-escola no período da noiteaos filhos e às filhas dos/das trabalhadores/as noturnos e dos/asestudantes da EJA – Educação de Jovens e Adultos.
Recomendação da Rede Nacional Primeira Infância
:Requerimento de DVS para exclusão da Estratégia 17 do ProjetoSubstitutivo do PNE
 Justificação
:Ainda que a medida possa ser vista como adequada para os paiscom crianças pequenas que trabalham ou estudam à noite, elaestá na contramão do direito da criança à educação infantil e àsua saúde física e psíquica, como se comprova a seguir:
1.
O direito dos trabalhadores urbanos e rurais à assistênciagratuita aos filhos e dependentes desde o nascimento atécinco anos de idade em creches e pré-escolas (art. 7º XXV daCF) está intrinsecamente associado ao direito da criança àeducação infantil (art. 208, IV da CF) e, portanto, aosignificado desse direito para o desenvolvimento da criança;
2.
Ora, a educação infantil é a primeira etapa da educaçãobásica e sua finalidade é promover o desenvolvimentointegral da criança na faixa etária do nascimento até cincoanos nos aspectos físico, psicológico, intelectual e social (art.29 da LDB);
3.
Como espaços institucionais, as creches e pré-escolas devemoferecer um ambiente organizado com intencionalidade
 
pedagógica, com a mediação de professores/as, que assegureinterações e convivência social das crianças entre si e delascom adultos, atividades de experimentação e descobertas,que construam conhecimento e promovam odesenvolvimento das linguagens infantis (oral, escrita,corporal, visual, representações gráficas, artísticas etc.) numcontexto lúdico, no qual o brincar seja a atividade dominantee criador de significados;
4.
Essas atividades educacionais só podem ser desenvolvidasem ambiente propício e em horário compatível com a rotinainfantil, pois elas requerem, da criança individualmente e dogrupo, movimento, iniciativa, participação, interação, para oque é preciso estar desperto e com energia;
5.
Ora, à noite as crianças pequenas – assim como a maioria dosadultos – dormem. E precisam dormir, porque é à noite, nashoras do sono mais profundo, que o organismo libera ohormônio do crescimento, dizem os especialistas. As que nãodormem um sono tranquilo e repousante tendem a adoecer.Ficam estressadas, agitadas, inseguras, irritadiças ou,inversamente, hiperativas e com dificuldade de concentração.“Quem tem sono ruim, na quantidade ou na qualidade, tendea ter déficit de crescimento”, diz o pneumologista Maurício daCunha Bueno, do Depto. de Medicina do Sono, do HospitalLírio-Libanês. Mas não resolve ter o número adequado dehoras de sono, afirma o neurologista Israel Roitman, doHospital Albert Einstein. O ideal, segundo ele, é que ascrianças pequenas se deitem entre as 19h30 e as 20h30. Emanexo, citações de pesquisas sobre problemas relativos aosono em crianças pequenas;
6.
Submeter crianças pequenas ao estresse do deslocamento decasa para uma creche ou pré-escola noturna e desta paracasa, ao fim do trabalho ou da aula da mãe (ou do pai),
 
forçando-a a trocar o dia pela noite, é uma violência físicacom grave repercussão sobre seu psiquismo;
7.
Mesmo que, em vez de atividades, se oferecesse à criançaapenas um berço para dormir enquanto sua mãe (ou seu pai)trabalha ou estuda, o transtorno no horário do sono vai lheroubar preciosas e insubstituíveis horas de descanso. Duranteo dia, estará cansada e sem condição de frequentar umacreche ou pré-escola, esta sim, um direito que faz diferençano desenvolvimento infantil;
8.
 Tais crianças, em consequência, seriam penalizadas duasvezes: (a) à noite, no repouso e (b) de dia, pela exclusão daexperiência pedagógica que terão os filhos das trabalhadorase estudantes diurnas.
Observação: O cuidado das crianças cujospais trabalham ou estudam à noite é dacompetência de políticas de assistência socialdirigidas às famílias. Deve-se assinalar,também, que o dever de cuidado e educaçãona família não incide somente sobre a mãe,pois é da competência compartilhada dospais. Daí, a política social deve voltar-se àfamília.Brasília, maio de 2012Rede Nacional Primeira Infância – RNPIwww.primeirainfancia.org.br
Anexo
1.
Da Encyclopedia of Early Childhood Development :
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