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DIREITO AGRÁRIO 05 - POLÍTICA AGRÁRIA E REFORMA AGRÁRIA

DIREITO AGRÁRIO 05 - POLÍTICA AGRÁRIA E REFORMA AGRÁRIA

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POLÍTICA AGRÁRIA E REFORMA AGRÁRIA
A expressão “Política Agrária” tem um sentido amplo, compreendendo apolítica agrícola e a política fundiária e reforma agrária. A ConstituiçãoFederal, ao tratar destes temas, a partir do artigo 184 até o art. 191(Cap. IIIdo Título VII), apresentou um título extenso, podendo ter reduzido o conteúdoà denominação de Política Agrária. Contudo antes disso o Estatuto da Terra,Lei no 4 .504/64, já havia regulamentado o tema:
Art. 1º Esta Lei regula os direitos e obrigações concernentes aosbens imóveis rurais, para os fins de execução da Reforma Agrária epromoção da Política Agrícola.§ 2º Entende-se por Política Agrícola o conjunto de providências deamparo à propriedade da terra, que se destinem a orientar, nointeresse da economia rural, as atividades agropecuárias, seja nosentido de garantir-lhes o pleno emprego, seja no de harmonizá-lascom o processo de industrialização do País.
Conceito: A política agrária é, na verdade, a ação do poder público no meioagrário, no sentido de estabelecer a melhor forma de distribuição, uso eexploração da terra, a concessão dos recursos e instrumentos necessários,visando a organização da produção, a comercialização da produção, aprodutividade, a preservação ambiental, o desenvolvimento sócio-econômicodo meio rural e o bem estar da coletividade.Este conceito, como é evidente, comporta interpretação e aplicação práticadiferenciadas, levando-se em conta principalmente a visão de quem está nopoder, a concepção de sociedade de cada grupo ou classe social e dosinteresses que busca defender. Os interesses dos grupos sociais na sociedadenão são uniformes. Assim, independentemente do ordenamento jurídicodisponível para a implementação das políticas para determinado setor, nocaso o rural, as políticas, as estratégias e os objetivos perseguidos sãovariados.
Reforma Agrária
Conceito e finalidade, conforme o Estatuto da Terra: O legislador seencarregou de inserir no artigo 1º. parágrafo 1º, da Lei no 4 .504/64, adefinição legal de reforma agrária. No artigo 16 do mesmo diploma legal, porsua vez, inseriu a finalidade essencial da reforma agrária, indicando que estavisa promover a justiça social, o progresso e o bem-estar do trabalhador rurale o desenvolvimento ecomico do pais. É claro que estas finalidadesdeveriam ser implementadas acrescentando-se, ainda, a prática daconservação dos recursos naturais renováveis e a preservação do meioambiente, preocupações mais novas e cada vez mais importantes nos diasatuais.
 
Art. 1º Esta Lei regula os direitos e obrigações concernentes aosbens imóveis rurais, para os fins de execução da Reforma Agrária epromoção da Política Agrícola.§ 1º Considera-se Reforma Agrária o conjunto de medidas que visema promover melhor distribuição da terra, mediante modificações noregime de sua posse e uso, a fim de atender aos princípios de justiçasocial e ao aumento de produtividade.Art. 16. A Reforma Agrária visa a estabelecer um sistema de relaçõesentre o homem, a propriedade rural e o uso da terra, capaz depromover a justiça social, o progresso e o bem-estar do trabalhadorrural e o desenvolvimento econômico do País, com a gradualextinção do minifúndio e do latifúndio.
As definições e finalidades inseridas na Lei no 4.504/64, respondem a umavisão de desenvolvimento, com fortes influências externas e, por outro lado,tinham, na ocasião da elaboração do Estatuto da Terra, uma finalidade clarade servir de resposta às reivindicações, às pressões dos movimentos sociaise, principalmente, perante as iniciativas próprias de solução do problemaagrário que vinham ocorrendo ao arrepio da lei, como era o caso das ligascamponesas e outros movimentos sociais de reivindicação dos camponeses.Objetivava-se, então, apresentar um instrumental legal sobre a reformaagrária, dando uma satisfação à sociedade, de forma a desestimular aatuação dos movimentos sociais.A realização da reforma agrária, como já dito, pode comportar procedimentosdiversificados, concebendo-a como intervenção pontual e momentânea naestrutura fundiária, ou como prática constante a acompanhar as políticas dosgovernos. Em outras palavras, independente do conteúdo legislativo sobre otema, a necessidade ou não de realização de uma reforma agrária, ou o tipode reforma agria a ser implementada, eso diretamente ligadas àconcepção de desenvolvimento que permeia o pensamento do grupo detentordo poder.O que se pode perceber a partir de 1964, é que os militares, apesar doinstrumental legal disponível, optaram por incentivar um modelo dedesenvolvimento agropecuário baseado nos grandes projetos monocultores,capazes de absorver um pacote tecnológico completo e com direçãoprioritária para o mercado externo. Neste modelo, portanto, não cabia ademocratização da estrutura fundiária brasileira. Aliás, no período dosgovernos militares, ocorreu uma enorme e crescente concentração dapropriedade da terra no Brasil e, por outro lado, milhões de trabalhadorese/ou pequenos produtores rurais perderam suas terras e seus espaços detrabalho no meio rural exatamente em conseqüência da política desenvolvidapelo governo, resultando no maior êxodo rural da história do país e o inchaçodas cidades e demais conseqüências dali resultantes.
 
Nos seis anos do último governo militar (1979-1984), a ênfase detoda a ação fundiária concentrou-se no programa de titulação deterras. Nesse período, foram assentadas 37.884 famílias, todas emprojetos de colonização, numa média de apenas 6.314 famílias porano. A ação fundiária no período 1964-1984, revela uma média deassentamento de 6.000 famílias por ano.Em 1985, o governo do Presidente José Sarney elaborou o PlanoNacional de Reforma Agrária (PNRA), previsto no Estatuto da Terra,com metas extremamente ambiciosas: assentamento de um milhão e400 mil famílias, ao longo de cinco anos. No final de cinco anos,porém, foram assentadas cerca de 90.000 apenas.Média de 18.000 famílias por ano.
A cada de 80 registrou um grande avanço nos movimentos sociaisorganizados em defesa da reforma agrária e uma significativa ampliação efortalecimento dos órgãos estaduais encarregados de tratar dos assuntosfundiários. Quase todos os Estados da federação contavam com este tipo deinstituição e, em seu conjunto, ações estaduais conseguiram beneficiar umnúmero de famílias muito próximo daquele atingido pelo governo federal.
No governo de Fernando Collor (1990-1992), o programa deassentamentos foi paralisado, cabendo registrar que, nesse período,não houve nenhuma desapropriação de terra por interesse socialpara fins de reforma agrária. O governo de Itamar Franco (1992-1994) retomou os projetos de reforma agrária. Foi aprovado umprograma emergencial para o assentamento de 80 mil famílias, massó foi possível atender 23 mil com a implantação de 152 projetos,numa área de um milhão 229 mil hectares.No final de 1994, após 30 anos da promulgação do Estatuto da Terra,o total de famílias beneficiadas pelo governo federal e pelos órgãosestaduais de terra, em projetos de reforma agrária e de colonização,foi da ordem de 300 mil
, estimativa sujeita a correções, dada a diversidadede critérios e a falta de recenseamento no período 1964-1994.A política governamental implementada entre os anos de 1995 a 2002resultaram na desapropriação de mais de 3.500 imóveis, incorporando àreforma agrária uma área de, mais de 18 milhões de hectares e beneficiandoaproximadamente 450 mil falias. Levando em conta estes dados ecomparando-os com o mero de trabalhadores rurais potenciaisbeneficiários da reforma agrária, tendo em conta que a média anual debeneficiados foi de, aproximadamente 70 mil famílias de trabalhadores, ogoverno levaria mais de 60 anos para concluir a reforma agrária, isto se nãoaparecessem novos trabalhadores beneficiários e se neste período não maisocorresse o êxodo rural.Nos últimos anos, apesar do maior volume de ações voltadas para a questãoda reforma agria, o governo continuou oscilando entre atender as

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