TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO1ª CÂMARA
Processo TC nº 01.638/10
Objeto: Atos de Admissão de Pessoal – Concurso PúblicoRelator: Cons. Umberto Silveira PortoResponsáveis: Sr. Geoval de Oliveira Silva (ex-prefeito)Sra. Maria Eleonora Soares (prefeita)
RELATÓRIO
Trata-se do exame da legalidade dos atos de admissão de pessoal decorrentes de concursopúblico promovido pela Prefeitura Municipal de Damião, homologado em 29 de abril de 2009,com objetivo de prover cargos públicos, criados pela Lei Municipal nº 105/2008. Ao analisar a documentação constante do processo em tela, a Auditoria, em seu relatório inicialde fls. 522/531, constatou algumas irregularidades, sobre as quais, foram notificados o Sr. Geovalde Oliveira Silva e a Sra. Maria Eleonora Soares, ex-prefeito e atual prefeita do Município deDamião, respectivamente, que apresentaram defesa de fls. 538/656, concluindo o órgão deinstrução por nova notificação da gestora, para
proceder
a um levantamento do percentual dedeficientes existentes no quadro de pessoal do município, e enviar a publicação das Portarias nºs92/09 e 93/09, que nomeiam, respectivamente, Nivaldo Izidro Alves e Maria da Luz Gomes de Medeiros.Devidamente notificada, a responsável apresentou documentos de fls. 663/667 e 677/682,encaminhando as Portarias solicitadas, bem como a Portaria nº 04/11 de um candidato deficiente(fls. 682) para o cargo de Auxiliar de Serviços Gerais. A Auditoria, após análise das defesas apresentadas (fls. 669/670 e 684/685), entendeu pelosaneamento da irregularidade referente às Portarias nºs 92/09 e 93/09, no entanto, ressalvou anecessidade do Poder Executivo Municipal fazer um levantamento do percentual de deficientes noquadro de pessoal do Município, a fim de considerar ou não a possibilidade de nomear candidatosaprovados como deficientes, não sanando, desta forma, a irregularidade apenas com a nomeaçãode um candidato deficiente, o que não interfere, no entanto, na concessão de registro aos atosde nomeação do pessoal listado em relatório inicial (fls. 530/531), bem como de Leandro José daSilva (fls. 682). Ressaltou, ainda, o fato de que a maioria dos aprovados não foi nomeada, apósquase 02 (dois) anos da data da homologação do concurso, agravado pelo fato de haver 19(dezenove) pessoas contratadas, inclusive para cargos disponibilizados no certame (fls. 684).Instado a se manifestar, o Ministério Público Especial, através do Parecer nº 01.307/11(fls. 686/688), ressaltou a orientação doutrinária e jurisprudencial prevalecente, que assevera anecessidade de se reservarem vagas aos portadores de deficiência em cada concurso públicorealizado e, no tocante à demora na nomeação dos demais candidatos aprovados, o lapsotemporal mencionado não consuma, por ora, qualquer ilegalidade na gestão de pessoal, todavia anotícia de que há contratado temporariamente na estrutura do funcionalismo da comuna é indíciode desrespeito aos princípios da administração pública constantes no art. 37 da Constituição daRepública, bem como de eventual burla a regra constitucional da acessibilidade aos cargospúblicos por meio de concurso, pugnando, por fim, pela:a)
concessão de registro
dos atos de admissão em apreço;b)
formalização de processo específico para apurar eventuais desvios na gestãode pessoal no quadro da
Prefeitura
Municipal de Damião
, respeitantes àexistência de contratados temporariamente ocupando funções que deveriam estar sendodesempenhadas por candidatos aprovados no presente certame e que aguardam nomeação.É o relatório
nº
TC – Sala das Sessões da 1ª Câmara, em 03 de maio de 2.012.
Cons.
UMBERTO SILVEIRA PORTO
Relator