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Teste de Avaliação de Literatura Portuguesa barroco

Teste de Avaliação de Literatura Portuguesa barroco

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Sermão da Sexagésima
Sermão da Sexagésima

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01/15/2013

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Teste de Avaliação de Literatura Portuguesa
GRUPO I
Per infamiam et bonam famam
, diz S. Paulo: O pregador há-de saber pregar com fama e sem fama. Mais diz oApóstolo: Há-de pregar com fama e com infâmia. Pregar o pregador para ser afamado, isso é mundo: masinfamado, e pregar o que convém, ainda que seja com descrédito de sua fama?, isso é ser pregador de JesusCristo.Pois o gostarem ou não gostarem os ouvintes! Oh, que advertência tão digna! Que médico há que repare nogosto do enfermo, quando trata de lhe dar saúde? Sarem e não gostem; salvem-se e amargue-lhes, que para issosomos
médicos das almas. (…)
 A pregação que frutifica, a pregação que aproveita, não é aquela que dá gosto ao ouvinte, é aquela que lhe dápena. Quando o ouvinte a cada palavra do pregador treme; quando cada palavra do pregador é um torcedorpara o coração do ouvinte; quando o ouvinte vai do sermão para casa confuso e atónito, sem saber parte de si,então é a preparação qual convém, então se pode esperar que faça fruto: Et fructum afferunt in patientia.Enfim, para que os pregadores saibam como hão-de pregar e os ouvintes a quem hão-de ouvir, acabo com umexemplo do nosso Reino, e quase dos nossos tempos. Pregavam em Coimbra dois famosos pregadores, ambosbem conhecidos por seus escritos; não os nomeio, porque os hei-de desigualar. Altercou-se entre algunsdoutores da Universidade qual dos dois fosse maior pregador; e como não há juízo sem inclinação, uns diziameste, outros, aquele. Mas um lente, que entre os mais tinha maior autoridade, concluiu desta maneira: «Entredois sujeitos tão grandes não me atrevo a interpor juízo; só direi uma diferença, que sempre experimento:quando ouço um, saio do sermão muito contente do pregador; quando ouço outro, saio muito descontente demim.»Com isto tenho acabado. Algum dia vos enganastes tanto comigo, que saíeis do sermão muito contentes dopregador; agora quisera eu desenganar-vos tanto, que saíreis muito descontentes de vós. Semeadores doEvangelho, eis aqui o que devemos pretender nos nossos sermões: não que os homens saiam contentes de nós,senão que saiam muito descontentes de si; não que lhes pareçam bem os nossos conceitos, mas que lhespareçam mal os seus costumes, as suas vidas, os seus passatempos, as suas ambições e, enfim, todos os seuspecados. Contanto que se descontentem de si, descontentem-se embora de nós. Si hominibus placerem,Christus servus non essem, dizia o maior de todos os pregadores, S. Paulo: Se eu contentara aos homens, nãoseria servo de Deus. Oh, contentemos a Deus, e acabemos de não fazer caso dos homens! Advirtamos quenesta mesma Igreja há tribunas mais altas que as que vemos: Spectaculum facti sumus Deo, Angelis ethominibus. Acima das tribunas dos reis, estão as tribunas dos anjos, está a tribuna e o tribunal de Deus, que nosouve e nos há-de julgar. Que conta há-de dar a Deus um pregador no Dia do Juízo? O ouvinte dirá: Não modisseram. Mas o pregador? Vae mihi, quia tacui: Ai de mim, que não disse o que convinha! Não seja maisassim, por amor de Deus e de nós.
Pe
. António Vieira
I1. Explique a analogia entre o pregador e o médico.2. Este excerto estrutura-
se na antítese “contente” vs “descontente”. De acordo com Vieira, osouvintes devem sair do sermão “contentes” ou “descontentes”? Justifique.
 3. De acordo com o excerto, quais as consequências, para o Pregador e para os ouvintes, deum sermão mal orientado?4. Aponte. Exemplificando, três recursos estilísticos que auxiliam na construção retórica destetexto.
 
 
GRUPO II
 
Leia o texto a seguir transcrito. Em caso de necessidade, consulte o glossário apresentado, porordem alfabética, nas Notas.
Era um engraxador aloirado, com 12 anos talvez, fato de macaco roto nos joelhos, olhosde zinco, pescoçopenugento e chancas enormes, que um polícia surpreendera empoleirado num eléctrico, em riscos de cairestatelado no basalto.O guarda, cara de boa pessoa, disfarçado de voz de trovão, agarrou-o pelo braço:
 – 
Seu malandrete! Venha já comigo para a esquadra.Molemente, com a caixa do ofício ao ombro, o engraxador desceu do estribo e, com um desafio mudo nosolhos de metal, deixou-se levar sem resistência.Logo correu muita gente faminta de dor do próximo. Os passageiros do eléctrico ergueram-se ávidos deLágrima. As damas extraíram os lenços das malinhas. E um senhor de idade que seguia num táxi mandou pararo carro para sofrer melhor...Contra o previsto, porém, o garotão não soltava um queixume nem se espojava de protesto, ante o espanto doguarda, que não escondia a sua incompreensão daquele silêncio fora de todas as regras. Que diabo! Um garotonaquelas circunstâncias devia escabujar, chamar pela mãezinha, avermelhar-se de gritos de aflição, varar omundo, espolinhar-se na poeira da rua. Assim não valia!E para o acordar bem, para o trazer à tona dos hábitos, sacudiu-o outra vez com falsa cólera:
 – 
Percebeste? Vou meter-te no calabouço, para aprenderes a não andar agarrado aos eléctricos. Percebeste?Pois sim, rala-te. Nem pio. Apenas os olhos de cinza, secos e refilões.Em redor, começava a criar-se um ambiente de logro. Os passageiros, perdidas as esperanças de assistir aoespectáculo do Lamento e da Lágrima a correr, desabavam os corpos nos bancos, em decepções de fadiga. Eaté o pobre polícia, boa pessoa no fundo, com dois pequenos lá em casa, que pretendia apenas pregar um sustoao malandrim, parecia acabrunhado. Os seus olhos imploravam nitidamente: «Chora, malandro!», «Chora paraeu ter pena!», embora a sua voz trovejasse:
 – 
Olha que vais para o calabouço! Percebeste?Mas o garotão, filho da teimosia dos pedregulhos, das ervas e das manhãs duras de trabalho, mantinha-se firmeno seu silêncio, a olhar, com desprezo distante, para toda aquela matulagem que queria vê-lo chorar, a ele, o
Graxa
.
 – 
Sai da minha frente, meu malandro, se não racho-te!
 – 
acabou por exclamar o polícia em último recurso dedesespero fingido para se livrar daquela complicação.
 – 
Põe-te a cavar.Ala!E outra vez feliz por não prender ninguém, por persistir tudo na monotonia uniforme das mesmas ruas, narepetição sem surpresas do mesmo todos-os-dias, desfez o ajuntamento com dois trovões:
 – 
Vamos! Circulem! Circulem!José Gomes Ferreira,
O Mundo dos Outros
, 4.ª ed., Lisboa, Portugália, 1972
acabrunhado 
: desolado.
basalto 
): rocha negra e muito dura, utilizada, entre outros fins, para fazer o empedrado de ruas.
calabouço 
: cela ou compartimento prisional num posto de polícia.
escabujar 
: espernear.
espolinhar-se 
: rolar no chão.
estribo 
: degrau de entrada de carro eléctrico.
logro 
: engano.
se espojava 
: se rebolava no chão.
 
Apresente, de forma bem estruturada, as suas respostas aos itens.
1.
Descreva o comportamento do garoto que justifica a utilização, pelo narrador, dasexpressões «Contra o previsto» e «fora de todas as regras».
2.
Explicite três dos traços psicológicos do engraxador, fundamentando a sua resposta comelementos do texto.

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