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Silva, Ricardo. Maquiavel e o conceito de liberdade em três vertentes do novo republicanismo

Silva, Ricardo. Maquiavel e o conceito de liberdade em três vertentes do novo republicanismo

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RBCS Vol. 25 n° 72 evereiro/2010  Artigo recebido em novembro/2008  Aprovado em dezembro/2009 
MAQUIAVEL E O CONCEITO DELIBERDADE EM TRÊS VERTENTESDO NOVO REPUBLICANISMO
*
Ricardo Silva 
Introdução
Não é nova a interpretação qe apresenta opensamento político e Maqiavel como o maisnotável exemplar o ressrgimento a concepçãorepblicana e liberae. Já em meaos o séclo XVI, pocas écaas epois a morte e Maqia-vel, Giovani Bsini, m repblicano opositor osMéici, retratava-o como “o mais extraorinárioamante a liberae” (
apud 
Baron, 1961, p. 217).um séclo mais tare, escritores como James Har-rington e John Milton chamavam a atenção paraas preerências repblicanas o ator os
Discorsi 
,ao mesmo tempo em qe se inspiravam em saslições para a jsticação as pretensões o parla-mento contra a coroa no contexto revolcionárioinglês. No séclo as lzes, pocos anos antes aeclosão a Revolção Francesa, Rossea ava ain-a mais ênase à integriae repblicana e Ma-qiavel, armano qe mesmo em
O Príncipe 
, saobra aparentemente mais pró-monárqica, o ator,“ngino ar lições aos reis, e-as ele, e granes,aos povos” (Rossea, s/, p. 78).
1
Conto, ao longo e qase cinco séclos, ainterpretação repblicana o pensamento políti-co e Maqiavel jamais oi orte o bastante parase sobrepor ao retrato convencional, qe chega aapresentar o forentino como m os mais inescr-plosos conselheiros e tiranos e toos os tempos.Tal visão o sentio moral e político as iéias e
* Versão anterior este artigo oi apresentaa no 32ºEncontro Anal a Anpocs. So grato aos coorena-ores e participantes o GT Teoria Política: além aemocracia liberal?. Agraeço também aos colegas oNEPP/uFSC, especialmente a Gstavo Altho, pelasiscssões em torno o tema este artigo e pelo axí-lio na tração as citações.
 
38
REVISTA BRASILEIRA dE CIÊNCIAS SOCIAIS - VOL. 25 N° 72
Maqiavel enraizo-se rmemente no solo o sen-so comm, e no contexto acaêmico e meaos oséclo XX pôe contar com o enosso enático einfentes teóricos. Para Leo Strass, por exemplo,a imagem mais correta o “blasemo” Maqiavelseria mesmo a e m “proessor o mal” (Strass,1958, p. 9).Foi somente a partir a segna metae o sé-clo passao qe (ao menos nos meios acaêmicos)o “lósoo a liberae” começo a ganhar reco-nhecimento em etrimento o “conselheiro e ti-ranos”. Implsionaa inicialmente pela pblicaçãoe estos no campo a história o pensamentopolítico, a interpretação repblicana e Maqiavelpasso a insinar-se também no campo a teoria po-lítica normativa. Vertentes infentes o atal
repu-blican revival 
na teoria política vêm reivinicanoa herança e Maqiavel, ao mesmo tempo em qevêm oereceno novos elementos para a releitraos ses textos.
2
Otra hierarqia vem seno rei-vinicaa para o conjnto a obra maqiaveliana.
O Príncipe 
já não aparece mais como a visão ato-rizaa os ieais políticos o ator, e obras otroramenos reqüentaas e valorizaas, como a
Históriade Florença
e, sobreto, os
Discorsi 
, vêm passanopara o primeiro plano as exegeses.Observao e longa istância, o Maqiavelrepblicano parece íntegro o bastante para come-çar a se sobrepor ao Maqiavel as vilanias prin-cipescas. Porém, visto mais e perto, o novo Ma-qiavel pere oco e nitiez. Se há acoro entre osneo-repblicanos sobre o ato e qe o pensamentoe Maqiavel se orienta pela eesa o ieal a li-berae, há, conto, inmeras iscorâncias so-bre o signicao o próprio conceito e liberaepor ele aotao, bem como sobre a natreza asormas institcionais qe constitem e assegram aliberae nma repblica. Em qe consiste, anal,o ncleo o repblicanismo maqiaveliano?Neste artigo, examinaremos três tipos e res-postas para esta qestão. Primeiramente, exami-naremos a interpretação qe avoga qe o ncleoo repblicanismo e Maqiavel consiste no ali-nhamento o ator com ma concepção positivae liberae, m moo e conceitar a liberaeinspirao em Aristóteles e em ses “segiores” ro-manos, como Cícero e Salstio. Intérpretes comoHans Baron e John Pocock contribíram ecisiva-mente para essa maneira e conceber o princípioconstittivo o repblicanismo e Maqiavel.Em segia será examinaa a interpretaçãoqe parte o princípio e qe Maqiavel era, naverae, mais cético acerca a isposição os ci-aãos para o comportamento virtoso o qe asinterpretações e Baron e Pocock nos azem spor. Atores como Qentin Skinner, Marizio Viroli ePhilip Pettit etêm-se na emonstração e qe aiéia e liberae aotaa por Maqiavel, longe eeqivaler à concepção positiva os neo-atenienses,representava ma moaliae e liberae negati-va, inspiraa na herança constitcional a antigaRoma. Porém, em contraste com as vertentes omi-nantes a traição liberal, a concepção e liberaenegativa os repblicanos neo-romanos” não acei-ta a oposição entre liberae e lei. Pelo contrário,armam qe as boas leis são impresciníveis paraa constitição e a mantenção a liberae, e qeesta teria sio a crença namental o repblica-nismo maqiaveliano.Por m, investigaremos m tipo e resposta ànossa qestão qe procra raicalizar o elementoemocrático (poplar) o repblicanismo e Ma-qiavel. Em ma série e estos recentes, JohnMcCormick vem argmentano qe mais o qema teoria a repblica como o império a lei, há,em Maqiavel, ma “teoria a emocracia” apro-priaa para restabelecer a
accountability 
nas rep-blicas emocráticas contemporâneas; ma teoriaa emocracia eqipaa para sperar as limitaçõesas teorias ominantes, tanto nas versões liberaise minimalistas, como nas versões participativistas ecomnitaristas.Examinaremos mais etalhaamente essas trêsleitras e Maqiavel, partino a hipótese e qea comparação entre elas, além e revelar eviênciastextais e contextais enriqeceoras e nossa com-preensão histórica as iéias e m ator clássico,representa m proceimento qe nos remete inevi-tavelmente a ebates centrais na teoria política con-temporânea. Em qe pese nossa convicção sobre asvantagens o casamento entre a história intelectale a teoria política, iríamos, em beneício a pre-cisão, qe a orientação aqi sbjacente não é a ohistoriaor as iéias, qe se pergntaria o qe Ma-
 
MAQuIAVEL E O CONCEITO dE LIBERdAdE...
39
 
qiavel “estava azeno” ao escrever ses textos (c.Skinner, 1988). A orientação é otra, embora, emcerto sentio, a pergnta seja a mesma: O qe oshistoriaores e teóricos o neo-repblicanos estãoazeno ao interpretarem a herança e Maqiavel?
 A virtude dos cidadãos
de moo geral, o Maqiavel “conselheiro etiranos” aparece em interpretações qe tomam asmáximas contias em
O Príncipe 
como oco eatenção. Por otro lao, o Maqiavel repblicano éqase sempre aqele qe os intérpretes encontramnos
Discursos sobre a primeira década de Tito Lívio
os
Discorsi 
. Não por acaso, ma as estratégias osintérpretes repblicanos e Maqiavel consiste emminimizar a importância o livro e espelho parapríncipes e salientar a importância o livro eica-o ao esto as repblicas. Não se trata e maestratégia e simples execção, ma vez qe a cele-briae e Maqiavel eve-se, incomparavelmente,mais à recepção e
O Príncipe 
o qe à recepção eqalqer otra e sas obras. Tal estratégia arg-mentativa envolve m esorço e contextalizaçãoqe se refete até mesmo em isptas acerca a cor-reta atação os textos maqiavelianos. As interpretações qe atribem ma ientiaemonarqista – e mesmo tirânica – às iéias e Ma-qiavel costmam reerir-se aos
Discorsi 
à sombrae
O Príncipe 
, obscreceno ierenças essenciaisentre as as obras e apresentano ambas comortos e ma mesma intenção o otrina. Mes-mo qano são reconhecias as istinções, tenta-se emonstrar qe a composição os
Discorsi 
(oe parte eles) antecee cronologicamente a e
OPríncipe 
. Chabo, por exemplo, em livro original-mente pblicao em 1922, sgere qe “se poetomar como certo qe, à época em qe Maqia-vel começo a trabalhar em
O Príncipe 
, o primei-ro livro os
Discorsi 
já estava, em grane meia,nalizao (Chabo, 1958, p. 31). Maqiavel teriacomeçao a escrever o livro sobre as repblicas noverão e 1513, interrompeno a reação qanonovas experiências lhe revelaram a intiliae amantenção e ortes compromissos repblicanosno contexto e corrpção e ecaência em qe seencontrava Florença. A interrpção a reação os
Discorsi 
teria sio imeiatamente segia a com-posição e
O Príncipe 
, ocorria no segno semes-tre o mesmo ano e 1513.Esses meses – e jlho a ezembro – teste-mnham o nascimento o tratao
De Princi- patibus 
, por nós conhecio como
O Príncipe 
. As
 
notas
 
marginais sobre Lívio são eixaas
 
e lao. Na ltima elas, incientalmente, jápoemos iscernir ma atite mental poco
 
sal. Encontramos ois o três capítlos in-teiros em qe o povo, qe
 
constiti o espíritovivo os
Discorsi 
, é sbstitío pelo inivíosolitário, enqanto o heróico confito e classese e partios se transorma no confito internoe m homem cjos pensamentos ningémpoe conhecer (
Idem
, p. 12).Somente algns anos mais tare, Maqiavel re-tomaria a reação o livro sobre as repblicas, nmtom bem menos exaltao o qe aqele qe mar-co a escritra os primeiros capítlos. A concl-são qe se epreene a hipótese e Chabo é a eqe
O Príncipe 
é a obra qe representa o momentomais esenvolvio e maro o pensamento polí-tico e Maqiavel, ao passo qe os
Discorsi 
seriamo resltao e m conjnto e “notas marginais”,escritas em ierentes épocas e sob o implso eierentes motivações. Qano conrontao com arealiae e as exigências e sa própria época, Ma-qiavel interrompe o elogio o passao e granezae liberae a Roma antiga e volta-se para a bscae solções mais “realistas”.deve-se a Hans Baron a contestação mais con-vincente a infente tese e Chabo para o estabe-lecimento as atas e composição as as princi-pais obras e Maqiavel. Não há via, segnoBaron, sobre o ato e
O Príncipe 
ter sio escritono ano e 1513. Mas não passaria e ma sposi-ção eqivocaa, aina qe engenhosa, a sgestão eChabo e qe parte os
Discorsi 
ora escrita antesisso. O ato e Maqiavel azer reerência a maobra sobre repblicas no segno capítlo a ei-ção e
O Príncipe 
não signica necessariamente qeos
Discorsi 
– o parte eles – estivessem prontos em1513. Baron procra renir eviências e namen-

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