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Amamentação é Direito Da Criança

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 AMBr revista
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Em novembro de 1989, a Assembléia Geraldas Nações Unidas adotou a Convenção sobre osDireitos da Criança.Formada por 54 artigos, a Convençãotem por objetivo preservar o nascimento, cres-cimento, educação e saúde de todas as criançasdo mundo.Mesmo sendo um documento completo eque refletiu o pensamento de todos os países quefazem parte da ONU, as crianças do mundo aindasofrem pelos atos impensados ou incoerentesdos adultos.Sem educação, sem saúde, perseguidas ouabandonadas, boa parte dos futuros adultos ésubmetida a condições de vida degradantes esem perspectivas.No Brasil, apesar das inúmeras iniciativaspúblicas e privadas, nossas crianças tambémsofrem com o descaso e falta de políticaseficientes para garantir seu desenvolvimentosocial.
Números a serem enfrentados -
com-parado com seu desempenho na área socialhá dez anos, o Brasil mudou para melhor. Comrelação a outros países, contudo, revelam-seindicadores ainda muito negativos. Para oatual e próximos governos, a tarefa é dupla:redobrar esforços para aproximar-se dos padrõesinternacionais recomendáveis e, principalmente,reduzir as desigualdades internas que fazem umamesma região apresentar índices comparáveisaos da Europa entre os mais ricos, e semelhantesaos da África, na população pobre.A mortalidade infantil é um dos melhoresexemplos da realidade brasileira. A década de 90começou com o alarmante índice de 48 criançasde até 1 ano mortas para cada mil nascidas vivas.Terminou com 37% a menos, resultado de políti-cas públicas que combinaram atendimento pré-natal, melhorias nas condições de saneamento,programas de aleitamento materno, de combateà desnutrição infantil e de agentes de saúde. Noentanto, a média ainda é de quase 30 mortes pormil nascidos vivos. Em mortalidade infantil, oBrasil passou da classifica-ção “alta e preocupante”da Organização Mundialda Saúde (OMS) para onível “médio e não ideal”(entre 20 e 40).Ao longo da déca-da, entre 1990 e 2000,a taxa de mortalidadebaixou cerca de 30%, odobro do que se conse-guiu no mundo (14%)e 5% a mais do quese obteve na AméricaLatina (25%). Isso querdizer que, nesse perío-do, foram poupadas230 mil vidas.Técnicos do Ministério da Saúde associamo resultado à redução da fecundidade nopaís, ao maior acesso aos serviços de saúde(principalmente o pré-natal) e de saneamento,além do aumento do nível de escolaridade dasmulheres no país.Esses dados mostram o progresso na situaçãoda saúde da criança brasileira, não só na questãoda mortalidade infantil, mas também no declíniode mais de 50% das mortes por diarréia e 20%por pneumonias, na erradicação da poliomielite,no aumento considerável da cobertura vacinal ena prevalência da amamentação e na redução dadesnutrição infantil e do baixo-peso ao nascer.Apesar de todos os avanços, ainda existemgrandes contrastes nas chances de sobrevivênciainfantil.As áreas rurais apresentam o dobro de mor-talidade observada nas áreas urbana. Chama aatenção a mortalidade extremamente alta dascrianças cujas mães não tiveram acompanha-mento tanto no pré-natal como no parto (207por mil nascidos vivos – 10 vezes maior que naárea urbana), situação esta mais freqüente nazona rural.Em 2000, foram hospitalizadas no SistemaÚnico de Saúde (SUS) mais de um milhão e 700mil crianças menores decinco anos com um custode 648 milhões de reais. E éimportante destacar que maisde 60% das causas de hospi-talização foram decorrentesde problemas respiratórios ede doenças infecciosas e pa-rasitárias.Para concretizar as metas, oMinistério vai continuar promo-vendo a melhoria das condiçõesde saúde das mulheres visando agarantia do nascimento seguroe a sobrevivência dos recém-nascidos, tais como: mais quali-dade na assistência pré-natal, nahumanização do parto e do nas-cimento; redução do número de cesarianasdesnecessárias e melhor qualidade na assistênciaprestada a mãe e ao filho, incluindo a promoçãodo aleitamento materno nas primeiras horas apóso parto.
IDH -
uma boa amostra das condições devida de um país, o Índice de DesenvolvimentoHumano (IDH), medido pela Organização dasNações Unidas (ONU), aponta que o Brasil está na73ª posição de um ranking de 173 países. Entre1999 e 2000, o Brasil praticamente não alterouseu índice, passando de 0,753 para 0,757 (quantomais próximo de 1, melhor). O índice é a síntesede três dimensões sociais: longevidade, educaçãoe renda.Pesquisa desenvolvida pela Secretaria dePlanejamento do DF, com base em parâmetrosda ONU sobre IDH, mostra que vivemos entre oparaíso e a miséria. Enquanto o Lago Sul despon-ta como o melhor Índice do mundo, com 0,945,Brazlândia tem 0,761 e precisa de investimentosem educação e saúde.O Distrito Federal ocupa uma posição privile-giada no ranking, com um IDH de 0,849, à frentede muitos países como Argentina, Chile, ArábiaSaudita, e México.
Aleitamento materno: direito da criança à alimentação e à saúde
O Distrito Federal é referência nacional em aleitamento materno e tem legislaçãoespecífica para cuidar da saúde de crianças prematuras e em situação de risco
 
outubro 2003
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O secretário de Planejamento, Ricardo Penna,afirma que com a pesquisa ficou claro que as regi-ões que têm a maior atividade agrícola do DF sãoas que têm menores IDH: Brazlândia e Planaltina.Isso mostrou, acrescenta o Secretário, que o aces-so das crianças da região rural às escolas é ruim eque a longevidade nesses locais também é baixa.
Direito de mamar -
amamentação é partede dois direitos fundamentais da criança: o Direi-to à Alimentação e o Direito à Saúde.O direito à amamentação inclui, por um lado,o direito da mãe de amamentar e, por outro lado,o da criança de mamar.Desde 1992 é comemorada em 120 paísesa Semana Mundial de Amamentação que foiidealizada pela organização não-governamentalWABA (Word Alliance for Breastfeeding Action- Aliança Mundial para Ação em AleitamentoMaterno) com o apoio do UNICEF. O eventotem por objetivos sensibilizar a sociedade parapromover e proteger o aleitamento maternoexclusivo, despertar a consciência de queamamentar é direito humano, estimular ossetores públicos e privados para a necessidade dedisponibilizar condições que permitam a práticado aleitamento materno, proteção e apoio aoaleitamento natural como um indicador básicode saúde e qualidade de vida.No Brasil, a Semana Mundial de Amamen-tação acontece de 01 a 07 de outubro.A mobilização tem sido crescente a cada ano,contando com o apoio efetivo das SecretariasEstaduais e Municipais de Saúde, ONGs, Organis-mos Internacionais, Sociedades de Classe, Hospi-tais Amigos da Criança, Bancos de Leite Humano,Empresa Brasileira de Correios e outros parceirosimportantes.Vários temas já foram discutidos nesses 10anos de comemorações da SMAM: “IniciativaHospital Amigo da Criança” (1992); “Mulher,Trabalho e Amamentação” (1993); “Façao Código Funcionar” (1994); “Amamentarfortalece a Mulher” (1995); “Amamentar –Responsabilidade de Todos” (1996); “Amamentaré um ato Ecológico” (1997); “Amamentar é omelhor Investimento” (1998); “Amamentar– Educar para a Vida” (1999); “Amamentar éum Direito Humano” (2000); “Amamentar naera da Informação” (2001); “Amamentação:Mulheres e bebês saudáveis” (2002) e este anoo tema é “Amamentação: paz em um mundoglobalizado”.A presidente do Departamento Científico deAleitamento Materno da Sociedade Brasileira dePediatria, doutora Elsa Giugliani, informa que esteano a madrinha da Semana de Amamentação éa atriz Luiza Tomé que recentemente deu luz agêmeos. A médica acrescenta que o tema de2003 foi escolhido para promover as relaçõesentre as pessoas – mães e filhos – visando criaruma maior aproximação e disseminar a sementeda paz e justiça.
Tempo de amamentação -
até 2001, aOrganização Mundial da Saúde (OMS) reco-mendava que o aleitamento materno fosseexclusivo até pelo menos os quatro meses. A recomendação mudou: passou para seis meses.Durante esse período, o bebê não deve recebernem água ou chá. A explicação é simples: tudoo que ele precisa está no leite da mãe. Além deservir como alimento, o leite materno protegeo bebê contra doenças e reforça o vínculo entremãe e filho.Ainda na gravidez, a mulher deve tambémser orientada a preparar o mamilo para a ama-mentação. Pesquisas mostramque quanto maior o grau de es-colaridade e renda da mãe, maistempo o bebê mama no peito.Em compensação, a duração doaleitamento materno exclusivoé menor em grandes cidades doque na zona rural.Nos anos 80, segundo dadosdo Ministério da Saúde, o alei-tamento materno exclusivo atéos quatro meses atingia 4% dosbebês de todo o País. No final dadécada de 90, esse número puloupara 40%.Bebês que nascem prema-turos ou doentes não têm forçasuficiente para mamar no peito.Além disso, por causa da condiçãofrágil, precisam ficar internados.Mas bancos de leite humanogarantem que esses pequenosbebês sejam alimentados comleite materno.
Pioneirismo -
o DistritoFederal tem o melhor programade aleitamento materno do paíse um dos melhores do mundo.Além disso, é a única unidade da federação quetem uma lei que determina que todas as criançasprematuras ou em situação de risco, internadasem hospitais públicos ou particulares, sejam ama-mentadas com leite materno. A obrigatoriedadeé determinada pela Lei 454/93.A coordenadora de Bancos de Leite doDistrito Federal, doutora Sônia Maria SalvianoMatos de Alencar, fala com entusiasmo sobreos resultados alcançados pelo programa dealeitamento.Existem hoje, no DF, segundo a pediatra, 14bancos de leite sendo oito em hospitais da redepública, um no Hospital das Forças Armadas, umno Hospital Universitário e quatro em hospitaisparticulares.Em 2002, o DF coletou 19 mil litros de leite emapenas 13 bancos, o 14º foi inaugurado este ano.No mesmo período, São Paulo, com 42 bancos,só recebeu 28 mil litros de leite por doação.A médica ressalta, no entanto, que o sucessose deve principalmente ao constante trabalho deconscientização das mães sobre a importânciada doação. Para isso, foi montada uma rede de
 
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coleta eficiente. Doutora Sônia esclarece que95% do leite que chega aos bancos é coletadona casa das doadoras. “O processo é simples,mas seguro”, afirma. “Toda mulher que estiveramamentando, com saúde em excelentescondições e que esteja disposta a doar, pode ligarpara o hospital mais perto de sua casa e, apóspassar por uma entrevista e avaliação médica,receberá orientações sobre como colher o leite”,informa doutora Sônia. O contato também podeser feito pelo banco de leite do Hospital Regionalde Taguatinga, pelo telefone 352-6900.A Coordenadora de Bancos de Leite do DFexplica que a Vigilância Sanitária tem um papelimportante no cumprimento da Lei 454/93.Segundo a doutora Sônia, os hospitais privadosestão sendo vistoriados e notificados sobre aobrigatoriedade da amamentação com leitehumano de crianças em situação de risco ouprematuras.A pediatra afirma que os hospitais privadosque não têm banco de leite podem e devem fazerassociações com outros que possuem. No DF,somente o Santa Lucia, Santa Luzia, Anchieta eUnimed tem banco de leite.O primeiro banco de leite do DF foi criadono Hospital Regional de Taguatinga e é referên-cia para a rede pública e privada. No dia 19 desetembro passado, o banco de leite do HRT co-memorou 25 anos de fundação com uma série deeventos que incluíram homenagem aos criadoresdo banco e doadores.
Desperdício -
o Brasil perde, por ano, 180milhões de litros de leite materno por causa dodesmame precoce de crianças (antes do seismeses de idade). A estimativa é do pesquisadorJoão Aprígio Guerra de Almeida, coordenador doBanco de Leite Humano do Instituto FernandesFilgueira, no Rio de Janeiro.O estudo mostra, ainda, que o Brasil temum déficit anual de 150 a 170 mil litros de leitematerno.Almeida obteve os dados analisandoas taxas de aleitamento de várias pesquisasrealizadas no país com a média anual denascimentos das últimas duas décadas. Deacordo com dados coletados pelo Ministério daSaúde em 1996, a freqüência de amamentaçãoentre crianças de quatro meses é de 71,7%.“Quantas crianças poderiam ser alimentadas comesse leite? Mesmo com a melhora nas taxas dealeitamento e uma boa rede de bancos de leite noBrasil, a maior do mundo, o desperdício é excessi-vo”, afirma o pesquisador.O desperdício de leite materno é tambémum desperdício de dinheiro para as famílias epara o Estado, mostra o estudo. Pelos cálculosde João Aprígio Guerra de Almeida, para reporo leite desperdiçado, seria necessário gastar US$208 milhões em leite tipo C e US$ 300milhões em leite em pó, na opçãomais barata.O pesquisador lembra que, mes-mo entre mães que amamentam, odesperdício é grande: “uma mulherque tem leite de sobra às vezes jogao resto na pia, quando o leite poderiaser doado”, afirma.Almeida analisou também asrespostas de um grupo de mulheresdo Instituto Fernandes Filgueira - umcentro de referência na assistênciamaterno-infantil no país, ligado àFiocruz - sobre o desmame precocedos filhos. Das mães ouvidas, 77,9%disseram que pararam de amamentarporque “o leite era fraco e não susten-tava os bebês”. Para o pesquisador, omito do leite fraco, que assusta muitasmães, é uma falsa explicação para aresistência materna à amamentação.O leite materno é o alimento maiscompleto para o bebê, sem fatores alérgicos eportador de anticorpos que protegem a criançade infecções. A volta ao trabalho foi citada porapenas 3,4% das mães como pretexto para o des-mame precoce. Outras alegações foram doençanas mamas, doença da mãe, doença do bebê,indicação médica e uso de anticoncepcionais.
Desmame precoce - 
a presidente doDepartamento Científico de Aleitamento Mater-no da Sociedade Brasileira de Pediatria, afirmaque o desmame precoce hoje verificado – a médiade amamentação exclusiva no Brasil é de apenas23,4 dias, contra os seis meses recomendadospela Organização Mundial da Saúde – é recen-te em termos de história: “A espécie humanaevoluiu e se manteve 99,9% de sua existênciaamamentando as suas crianças. Portanto, estágeneticamente programada para receber os be-nefícios do leite humano e do ato de amamentarno início da vida”. Segundo a médica, “em todasas espécies de mamíferos, o desmame ocorrepor determinação genética e instinto. A espéciehumana é a única em que a ‘cultura’ exerce forteinfluência na época do desmame”. E continua:“Acredita-se que a duração da amamentação naespécie humana, sem a influência da cultura, seriapor um período entre três a sete anos. A Organi-zação Mundial da Saúde recomenda dois anos oumais de aleitamento materno, sendo os primeirosseis meses de amamentação exclusiva – quandoa criança recebe somente leite materno, sem ou-tros líquidos ou sólidos, incluindo água e chás. Nosegundo ano de vida, o leite materno continuasendo uma importante fonte de nutrientes, alémde continuar conferindo proteção contra doençasinfecciosas”.
 As vantagens -
para a doutora Elsa Giugliani,talvez o papel mais importante da amamentaçãose dê sobre a redução dos índices de mortalidadeinfantil, graças aos vários fatores existentes noleite materno, que protegem contra uma série dedoenças comuns na infância: “Estima-se hoje queo aleitamento materno poderia reduzir em 50%as mortes por doenças respiratórias e 66% as queocorrem por diarréia no mundo”.Um estudo brasileiro publicado na décadade 80 na prestigiada revista científica inglesa“The Lancet” registrou uma mortalidade infantilpor diarréia 14,2 vezes maior em crianças nãoamamentadas quando comparadas com bebêsamamentados que não recebiam outros leites,
Vantagens do leite materno
O leite materno é o mais completo alimento parao bebê até o 6º mês de vida. Além de alimentar e deproteger a criança contra doenças, a amamentaçãocontribui para o seu desenvolvimento psicomotor eemocional. Veja mais algumas vantagens:O leite materno é de fácil digestão.O leite materno imuniza o bebê contradoenças como diarréia, resfriados, infecções uriná-rias e respiratórias, alergias e problemas na arcadadentária.O ato de mamar auxilia o movimentodos músculos e ossos da face, promovendo melhorflexibilidade na articulação das estruturas que parti-cipam da fala.O ato de mamar estimula o padrão respi-ratório nasal no bebê, facilitando a oxigenação desuas estruturas faciais.A amamentação é uma forma muito espe-cial e fortalecedora do relacionamento entre mãe efilho, que transmite segurança, carinho e amor aobebê.

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