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 TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO2ª CÂMARA
PROCESSO TC Nº 04033/06 
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Origem: Prefeitura de CabedeloNatureza: DenúnciaDenunciante: Procuradoria do Trabalho da 13ª RegiãoDenunciado: José Francisco Régis (Prefeito)Relator: Conselheiro André Carlo Torres Pontes
CUMPRIMENTO DE DECISÃO
. Denúncia sobre gestão depessoal. Procedência. Multa. Prazo para restabelecimento dalegalidade. Cumprimento parcial. Apuração do remanescentena prestação de contas de 2011. Encaminhado à Corregedoria.
ACÓRDÃO AC2 TC 00652/12RELATÓRIO
A Procuradoria do Trabalho da 13ª Região, através do ProcuradorEDUARDO VARANDAS ARARUNA, denunciou o Prefeito de Cabedelo, Senhor JOSÉFRANCISCO RÉGIS, pela prática de irregularidades na gestão de pessoal da edilidade,exercício de 2006.Após a instrução primitiva, a colenda Segunda Câmara decidiu pela via do
Acórdão AC2 TC 1723/07
, dentre outras deliberações vistas às fls. 1525/1526, em:
A)
 
CONSIDERAR PROCEDENTE
a denúncia, determinando ao PrefeitoMunicipal de Cabedelo que, no prazo de 60 (sessenta) dias, proceda à restauração dalegalidade, no tocante à:
A.1)
tornar sem efeito, mediante lei própria e específica, os atos deenquadramento dos agentes comunitários de saúde e de agentes de
 
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combate às endemias, relacionados no quadro demonstrativo de fls.1512/1515 dos autos, porque contrários ao disposto na EmendaConstitucional nº 51/2006;
A.2)
fazer remeter a esta Corte de Contas toda e qualquer documentaçãoalusiva às providências tomadas em atendimento à determinação anterior;e,
A.3)
restaurar a legalidade, no concernente à/ao:
I)
exoneração indevida de3 (três) auxiliares de odontologia;
II)
excesso de servidores em relação aonúmero de vagas criadas por lei; e
III)
existência de pessoas contratadaspor excepcional interesse público para o desempenho de cargos efetivos ede atribuições cometidas a cargos e funções de livre provimento.
B) APLICAR MULTA
,
 
no valor de
R$2.805,10
, ao Prefeito do Município deCabedelo, Senhor JOSÉ FRANCISCO RÉGIS, com supedâneo no art. 56, inciso II, daLOTCEEm abril de 2012, a d. Auditoria emitiu relatório com as seguintesconstatações, em resumo:A exoneração dos
 
agentes comunitários de saúde e dos agentes de combate àsendemias
(A.1)
foi impedida por decisão judicial, permanecendo na folha de pagamentocomo prestadores de serviço.O Prefeito encaminhou a lei que revogou o enquadramento nos citados cargos
(A.2)
. A situação dos auxiliares de odontologia foi sanada
(A.3.I)
. O excesso de servidoresem relação ao número de vagas criadas por lei decaiu de 83 para 14, sendo 13 auxiliares deserviço e 1 nutricionista
(A.3.II)
. A irregularidade permanece quanto a pessoas contratadaspor excepcional interesse público
(A.3.III)
, mas não há indicação, na atualidade, em queproporção.
 
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Os autos não tramitaram previamente pelo Ministério Público de Contas,aguardando-se manifestação oral na presente sessão, nem houve intimação.
VOTO DO RELATOR
É imperioso frisar a necessidade de todo e qualquer gestor público prestarcontas de seus atos, submetendo-se ao controle exercido pelo Tribunal de Contas. Talobrigação decorre do fato de alguém se investir na administração de bens de terceiros. Nocaso do Poder Público, todo o seu patrimônio, em qualquer de suas transmudações(dinheiros, bens, valores, etc.), pertence à sociedade, que almeja testemunhar sempre umaconduta escorreita de seus competentes gestores.O controle deve agir com estreita obediência aos ditames legais que regem asua atuação, os quais se acham definidos na Constituição Federal, na legislaçãocomplementar e ordinária e em normas regimentais, de âmbitos federal, estadual oumunicipal. O princípio constitucional da legalidade impõe ao controle e aos seus jurisdicionados que se sujeitem às normas jurídicas. Nesse diapasão, o augusto SupremoTribunal Federal, em decisão digna de nota, assim já se manifestou:
“Todos os atos estatais que repugnem à constituição expõem-se à censura jurídica - dos Tribunais especialmente - porque são írritos, nulos, desvestidos de qualquer validade. A constituição não pode submeter-se à vontade dos poderes constituídos e nem aoimpério dos fatos e das circunstâncias. A supremacia de que ela se reveste - enquanto for respeitada - constituirá a garantia mais efetiva de que os direitos e liberdades não serão jamais ofendidos”. (RT 700:221, 1994. ADIn 293-7/600, Rel. Min. Celso Mello).
 No ponto, o Tribunal de Contas identificou a necessidade de providências quefossem capazes de sanear irregularidades na gestão de pessoal de Cabedelo. A decisão doTCE/PB apenas reforçou o cumprimento da lei a que todo e qualquer cidadão está obrigado,muito mais em se tratando de gestores do erário, uma vez ser a atenção aos preceitosconstitucionais e legais requisito de atuação regular dos agentes públicos.
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