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02/02/2013

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 TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO
PROCESSO TC Nº 01089/08
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Origem: Prefeitura Municipal de Lagoa SecaNatureza: Denúncia – Verificação de Cumprimento de AcórdãoResponsáveis: Edvardo Herculano de LimaRelator: Conselheiro André Carlo Torres Pontes
DENÚNCIA
. Município de Lagoa Seca. Acórdão.Procedência. Fixação de prazo pararestabelecimento da legalidade. Recomendações.Determinação de juntada de cópia da decisão à PCAde 2009 da municipalidade. Verificação deCumprimento. Omissão. Não cumprimento.Aplicação de multa. Nova determinação.
ACÓRDÃO 00672/12RELATÓRIO
Nos presentes autos, foi examinada denúncia formulada contra a PrefeituraMunicipal de Lagoa Seca pelo Sindicato dos Trabalhadores Públicos Municipais do Agresteda Borborema – SINTAB, por meio de sua Presidente, Sra. TEREZINHA DE JESUS F. DESOUSA. Noticiou a denunciante supostas irregularidades quanto à evasão escolar, ao mau usode recursos oriundos do FUNDEF e à existência de um excessivo número de prestadores deserviços, durante a gestão do Sr. EDVARDO HERCULANO DE LIMA na PrefeituraMunicipal.Depois de toda a instrução processual, os membros desta colenda 2º Câmara,lavraram o Acórdão AC2 TC 236/11, por meio do qual decidiram: a)
CONSIDERARPROCEDENTE
a denúncia; b)
ASSINAR
o prazo de 60 (sessenta) dias para adoção demedidas necessárias ao restabelecimento da legalidade, sob pena de nova multa e de glosa dadespesa irregular; c)
RECOMENDAR
à Administração Municipal de Lagoa Seca para queobserve de forma estrita as disposições constitucionais e infraconstitucionais, evitando areincidência de falhas em ocasiões futuras; d)
DETERMINAR
a juntada de cópia destadecisão e dos relatórios da Auditoria aos autos do processo de PCA da mesma Prefeitura,relativa ao exercício 2009 para que se apure a ocorrência ou permanência das irregularidades
 
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apuradas nestes autos; e)
COMUNICAR
o teor do julgamento desta ao denunciante citado,no endereço por ele declinado.Apesar de ter sido devidamente intimado acerca da decisão supra, conforme seobserva à fl. 383, o gestor responsável quedou-se inerte.A fim verificar o cumprimento da decisão proferida, os autos foramencaminhados à Corregedoria deste Tribunal, a qual, em relatório inserido às fls. 391/392,concluiu que o AC2 TC 236/11 não foi cumprido.De volta ao gabinete do atual Relator, sem que tenha havido tramitação ao
Parquet 
de contas, agendou-se o processo para a presente sessão, efetuando-se as intimaçõesde estilo.
VOTO DO RELATOR
Consoante se observa dos autos, após toda a instrução processual, os membrosdeste Órgão Fracionário julgaram procedente a denúncia formulada em face da gestãomunicipal de Lagoa Seca, sob a responsabilidade do Sr. EDVARDO HERCULANO DELIMA. Assim o fizeram em razão de a Auditoria ter constatado irregularidades relativas àevasão escolar, ao mau uso de recursos oriundos do FUNDEF e à existência de excessivonúmero de prestadores de serviçso contratados pela edilidade.Ante a situação verificada, assinou-se o prazo de 60 (sessenta) dias para adoçãodas medidas necessárias ao restabelecimento da legalidade, sob pena de aplicação de multa eglosa da despesa irregular. Ainda, determinou-se a juntada de cópia da decisão prolatada e dosrelatórios da Auditoria aos autos da PCA do Município, relativas ao exercício de 2009.Decorrido o prazo fixado, não houve qualquer manifestação por parte dogestor interessado, razão pela qual os autos foram enviados à Corregedoria para verificação decumprimento. Depois de examinar a matéria, lavrou-se relatório no qual se conclui pela nãocumprimento da decisão.Do relatório produzido, colhe-se a informação de que o Município de LagoaSeca efetuou despesas com pessoal acima do limite estabelecido na Lei de ResponsabildiadeFiscal durante o exercício de 2009. Esta ultrapassagem, inclusive, consistiu numa das máculas
 
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apontadas no relatório inicial da Auditoria, quando da análise das contas anuais relativasàquele período de gestão (Processo TC n.º 05326/10).Além da informação supra, confrontando os dados integrantes dos relatóriosiniciais das contas anuais relativas aos
exercícios financeiros de 2008 e 2009
, observa-se queos valores dispendidos com contratação temporária mantiveram-se praticamente estáveis, naordem de R$ 1.122.735,97 e R$ 1.090.884,00, respectivamente. Por outro lado, consultando oSistema SAGRES,
relativamente ao exercício de 2010
, observa-se
aumento
dos valoresconcernentes à contratação por excepcional interesse público, cujos pagamentos alcançaram acifra de R$ 1.237.505,08.Neste norte, é forçoso reconhecer que não foram adotadas as medidasnecessárias ao restabelecimento da legalidade, tais quais determinadas por essa Corte deContas. A decisão do profeirda apenas reforçou o cumprimento da lei a que todo e qualquercidadão está obrigado, muito mais em se tratando de gestores do erário, uma vez ser a atençãoaos preceitos constitucionais e legais requisito de atuação regular dos agentes públicos. Aconduta em direção oposta a essa premissa é tão grave que a legislação a tipifica como crime.Veja-se:
Código Penal. Art. 319 - Retardar ou deixar de praticar, indevidamente, ato deofício, ou praticá-lo contra disposição expressa de lei, para satisfazer interesse ou sentimento pessoal:Pena - detenção, de três meses a um ano, e multa.
Outro não é o tratamento dado pela Lei de Improbidade Administrativa (LeiNacional nº 8.429/92):
 Art. 11. Constitui ato de improbidade administrativa que atenta contra os princípios da administração pública qualquer ação ou omissão que viole os deveres dehonestidade, imparcialidade, legalidade, e lealdade às instituições, e notadamente: I - praticar ato visando fim proibido em lei ou regulamento ou diverso daquele previsto, na regra de competência; II - retardar ou deixar de praticar, indevidamente, ato de ofício;

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