Read without ads and support Scribd by becoming a Scribd Premium Reader.
 
1
UNIVERSIDADE DE MOSCOUPESQUISA SOBRE HISTÓRIA DA COB/AIT:Escrito por Vadim Damie .Traduzido
do original russo,
por
 
Ernesto Castanheira
 Primeira Parte:O anarco-sindicalismo no Brasil, entre as duas grandes guerras mundiais (1918 a 1923).Enviadas: Terça-feira, 13 de Março de 2012 17:29
PRIMEIRA PARTE
 Anarquistas Brasileiros: sobre a ilusão pessoal do Bolchevismo
Brasil entrou para aprimeiraguerra mundial na sua última etapa em 1914. Noseu território aconteceram um bom número de manifestações anti-militaristas, muitas
das quais organizadas por anarquistas. Foi constituida a “comissão de agitação contra aguerra”
que
 juntamente com a “Confederação Operária Brasileira” (COB), orga
nizaçãonacional feita em 1906, conduziu em 1916 a uma manifestação anti-guerra na cidade doRio de Janeiro, assim como também em São Paulo. Em Porto Alegre foi fundada a
“Liga Antimilitarista”, e o seu local sofreu uma agressão por parte dos cadetes da es
colado exército, os quais queimaram livros e mesas. Em 1916 a COB protestou contra oserviço militar obligatório.A luta antimilitarista estimulou o crescimento do contacto e da cooperação entreos anarquistas da América Latina. Desta forma, entre 18 e 20 de Outubro de 1915, tevelugar no Rio de Janeiro, o Congresso anarquista da América do Sul, no qualparticiparam delegados do Brasil, Argentina, e Uruguay. Igualmente entre 14 e 16 deOutubro de 1915, realizou-se o Congresso Internacional pela Paz, com participantes daArgentina (F.O.R.A.), Chile e Uruguay.A guerra fez crescer no Brasil o número de desempregados, subindo os preçosdos productos alimentícios e provocando a sua escassês. Foi organizado no Rio deJaneiro, pela iniciativa dos anarquistas
o “Comitê proletário de defesa popular”, uma
grande concentração contra o encarecimento e a especulação sobre os productosalimentícios, o qual acabou com o ataque do povo indignado às lojas, à semelhança doque se passaria na cidade de Santos. As manifestações e protestos em defesa dos
 
2
dirteitos dos trabalhadores tiveram o seu apogeu em 1917 no tempo da greve geral emSão Paulo, Santos e Rio de Janeiro. Em São Paulo surgi
u o
Comitê de Defesa do
Proletariado”, em junho
-julho de 1917, devido à morte de um trabalhador que tevecomo consequência uma poderosa greve que paralizou a cidade. Esta greve teve aadesão de mais de 150 mil pessoas, 50% dos trabalhadores industriais do país. Aexigência dos trabalhadores em greve era a implementação da jornada laboral de 8 horasdiárias. O movimento lançou-se no interior da região e no Rio de janeiro (onde a
“Federação Operária
do Rio de Janeiro, Anarco-
sindicalista” fez uma greve de
solidariedade), tomou a forma de manifestações insurrecionalistas. A cidade de SãoPaulo foi controlada durante alguns dias pelos trabalhadores. Em 1918 os anarquistas
Brasileiros fizeram em diferentes cidades “comitês populares”, os quais conduziram a
luta contra o encarecimento de vida.O periodo entre 1917 e 1920 foi de crescimento das lutas dos trabalhadores,encabeçadas pelos anarquistas e anarco-sindicalistas. Eles deram um possante impulsoàs ligas e organizações autónomas de trabalhadores nos bairros. Sobre a pressão degreves e motins foi empreendida a negociação forçada levando a cedência das grandesexigências dos grevistas. Entre os anos de 1917 e 1919 os anarquistas organizaram umasérie de manifestações e greves na esperança de alcançar a necessária greve geral, com aesperança de derrubar o sistema capitalista. Em diferentes greves durante os anos de1917 e 1921 no Brasil, participaram entre 200 a 250 mil pessoas.O governo de Venceslau Brás e os governos estaduais, responderam ao aumento
dos protestos com repressão, e com o desterramento massivo de centenas de “agitadores
ext
ranjeiros”. Aparentemente o libertário Brasileiro Edgar Leuenroth entre outros
anarquistas foram arrestados por organização de greves. Uma vez mais a repressãoprovou ao Estado que não podia parar a popularização dos movimentos Anarquista eTrabalhador. O Brasil era nesses tempos um dos centros dos movimentos Anarquista eanti-guerra. Surgiram maior quantidade de jornais anarquistas e sindicalistas, e foi
fundado o jornal “a Plebe” em 1917.
 Muitos anarquistas Brasileiros saudaram a revolucão Russa. Eles receberam osBolcheviques como se fossem seus companheiros, repartindo a finalidade anarquista de
comunismo sem governo, concordando com a “dictadura do proletariado”, como
medida temporaria na luta contra os proprietarios, capitalistas e outros elementos queambicionavam recuperar o poder.Eles censuraram a intervenção militar dos estados capitalistas na Russia, e
entoaram com entusiasmo a “Internacional”.
 Em 1918 o centro revolucionário do Brasil era a capital, Rio de Janeiro. Alí actuavam um grande número
de organizações, em primeiro lugar, a “
Federação (união)
geral dos trabalhadores” com a participação de 80 mil trabalhadores e empregados,
assim como Aliança Anarquista e outras organizações. Pelos dados cedidosposteriormente pelo boletim anarco-sindicali
sta “Die Internacionale”, a fundação da
chamada pro-anarquista seu deu quando a Federação dos trabalhadores, contava naaltura com 150 mil afiliados.
 
3
Os anarquistas do Rio de Janeiro viram na revolução Russa o caminho para arealização do ideal sindicalista. E. Leuenroth e Elio Negro (António Candêias Duarte)
lançaram uma brochura intitulada “o que é o Maximalismo ou Bolchevismo?”, na qual
declaram que o maximalismo é o caminho para a realização do Comunismo Libertário,que traria a todas as pessoas a paz, a prosperidade e a liberdade. A nova sociedadedeveria de consistir nas assembleias sindicais e conselhos locais.Os anarquistas do Rio-de-Janeiro fizeram um chamamento à fundação de
“conselhos comunais” em todos as cidades, bairros e vilas rurais, os seus
delegados
deveriam de criar o “comissariado central do povo”, que eligiria o comitê executivo e ascomissões especiais. O “Conselho central da comissão do povo” comporia a
administração geral 
da República Comunista”.
 Em 1918 anarquistas da capital criaram o centro preparatório para a sublevação.Na primeira reunião, no apartamento de J. da Oiticica, participaram entre outros,Manuel Campos, João da Costa Pimenta, Astrogildo Pereira, Álvaro Palmeira, CarlosDias e José Romero. Na semana seguinte aconteceram mais alguns encontros. Mas umavez, por traição do tenente J.E. Ajos o plano da insurreição foi conhecido pelapolícia.Este plano previa a intervenção de uns milhares de trabalhadores, explosão decentrais electricas, telefónicas e telégrafas, assim como a greve geral no bairro deBotafogo, ocupação, do palácio presidencial, ataque dos trabalhadores do bairro de SãoCristóvão contra os armazéns militares, tomada por milhares de trabalhadores da fábricade cartuchos no Realengo, ataque do destacamento de Manuel Campos à esquadra dapolícia, etc... Os anarquistas na cidade de Santos expressaram o seu apoio à insurreição.A 18 de Novembro de 1918 começa no Rio-de-Janeiro, Niterói, Petropolis eMage uma greve no setor textil, dando início à agitação nas ruas, e ameaçandotransformar-se numa sublevação.O vice-presidente D.Moreira, convocou uma reuniãona qual decidiu atribuir poderes extra-ordinários à polícia. As autoridades conseguiramevitar um levantamento popular na maioria dos sitios. No bairro de São-Cristovão ostrabalhadores rebentaram um carro com soldados, em seguida, lançaram dinamite àguarda e foram assaltar o armazém militar. No sangrento combate participaram cerca de500 pessoas, incluíndo muitos trabalhadores da indústria metalúrgica e da construção,assim como os estudantes, que tiveram uma activa participação nas barricadas.A sublevação dirigiu um apelo aos soldados:
“Soldados e marinheiros são filhos do povo”!
 Assim quando os soldados e marinheiros se unam ao povo, os ricos e politicosperderão toda a força e não haverá mais senhores na terra. Soldados e marinheiros!Patriotismo e disciplina, são palavras que os nossos opressores utilizam para nosenganar. Somente existe um patriotismo e uma disciplina, que é a de lutar pelalibertação das classes segregadas e humilhadas. Somente há um caminho para isso: aunião de soldados e marinheiros com o povo trabalhador e o establecimento de umcomitê de soldados e trabalhadores, o qual deve tomar para sí a direção de todos os
assuntos da sociedade.”
 (NOTA DO TRADUTOR:
O escritor somente leu este comunicado traduzido jáem Russo, e eu traduzi-o diretamente do Russo, assim que o conteúdo pode estar muitodiferente do original. Pedimos-vos que procurem o comunicado original, e oreescrevam no lugar de este.
)
Search History:
Searching...
Result 00 of 00
00 results for result for
  • p.
  • Notes
    Load more