I. Breve Introdução
Com este trabalho pretende-se tratar o problema da relação imediata entre ambiente edesporto e, referir as várias consequências que este poderá trazer para o ambiente.
II. Ambiente e Desporto: influência e complementaridade
Nos termos da Constituição da República Portuguesa (CRP), ao Estado cumpremtarefas de promoção do bem-estar e qualidade de vida dos cidadãos e de proteção daNatureza (artigo 9.º alíneas d) e e)). A tutela dos valores do ambiente surge associadaà qualidade de vida (artigo 66.º da CRP).O Homem é um ser sofisticadamente natural, a expressão da sua personalidadeprocura continuamente campos de expansão. A prática do desporto é uma dessas vias,quer em razão da aparência física, quer em virtude da tendência de sensata percepçãoda ligação entre a atividade física e saúde. Tendo em conta esta relação, o Estado devesensibilizar a sociedade para a importância da prática desportiva, apoiando todas asiniciativas, públicas e privadas, e sobretudo seduzindo os jovens para o desporto(artigos 79º/2 e 70.º/1 alínea d) e n.º 2 da CRP, e 6.º a 8.º da Lei 5/07, de 16 deJaneiro). Além do expresso acolhimento constitucional de um direito fundamentalsocial ao desporto
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, surge evidente a aliança da prática desportiva no âmbito deproteção do direito ao livre desenvolvimento da personalidade, por vezes emcumulação com a liberdade de circulação e sempre em correlação estreita com odireito à saúde (artigos 26.º/1, 44.º/1 e 64.º/2 b) da CRP). Este direito, como qualqueroutro, é passível de conformação e mesmo restrição, atendendo aos parâmetrosinscritos no artigo 18.º da CRP, em articulação com outros direitos e interessesconstitucionalmente valorados
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Cfr. José Carlos VIEIRA DE ANDRADE,
Os direitos fundamentais e o Direito doDesporto
, in
II Congresso do Direito do Desporto
, Coimbra, 2007, pp. 24 segs.
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Sobre a restrição a este direito, veja-se José Carlos VIEIRA DE ANDRADE,
Os direitosfundamentais
, pág. 31, referindo-se expressamente aos condicionamentos impostos emfunção da proteção do ambiente).Um decisão que revela a necessidade de ponderação de bens na conformação do direito aodesporto (nomeadamente, tiro ao alvo) pode ver-se no Acordão do Tribunal Constitucional139/2006, no qual se avaliava a eventual violação do princípio da proporcionalidade noestabelecimento de uma distância obrigatória de 800 metros entre o local de origem dos tirose habitações limítrofes. O Tribunal considerou a restrição adequada e não excessiva em facedo objetivo de salvaguarda da integridade física das pessoas.