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Fagundes Varela - Poesias Completas

Fagundes Varela - Poesias Completas

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09/08/2013

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 FagundesVarela
Poesiascompletas
 
VOZES DA AMERICA
MAURO, O ESCRAVO(
FRAGMENTOS DE UM POEMA)
 A SENTENÇAINa sala espaçosa cercado de escravosNascidos nas selvas, robustos e bravos,Mas presos agora de infindo terror;Lotario pensava, Lotario o potente,Lotario o opulento, soberbo e valente,De um povo de humildes tyranno e senhor.IINas rugas da fronte fatídica e rudeNão tinham-lhe as rosas de longa virtudeDo tempo os vestígios lavado em perfumes;Mas ah ! fria nuvem de horror as cobria,Nublava-lhe o rosto, mais negros faziaDos olhos ardentes os férvidos lumes.IIINo inverno da vida, dos tempos passadosNinguem lhe sabia. Boatos ousadosErguiam-se ás vezes; mas ah! que diziam?Lotario era grande; seus bosques passavamDas serras além; seus campos brotavamRiquezas immensas que a tudo cobriam.IVDepois é tão facil na sombra nocturnaO insecto esmagar-se, de voz importuna,Que o ouvido nos enche de tedio e de nojo!Um gesto... uma espera... na estrada uma cruz...Só sabem-no as selvas, os fossos sem luzE as serpes que a plaga percorrem de rojoVNa sala espaçosa Lotario pensava.Roberto, seu filho, de um lado esperava
 
Tremente, ancioso, que o pai lhe fallasse.A turba de servos immoveis, silentes,Os braços cruzados, as frontes pendentes,A voz aguardava que as ordens dictasse.VI- Conduzam-me o escravo!... Lotario bradou.O bando de humildes a sala deixouÁs torvas palavras do torvo senhor.Lotario sombrio voltou-se a seu filho,A quem, dos olhares, corria, no brilho,A chamma sinistra de um genio trahidor.VII- Socega, Roberto, lhe disse; é forçosoQue eu puna o africano feroz, revoltoso,Que ousou levantar-se da lama a teus pés.Roberto curvou-se. O pai, se afastandoSentou-se, e os sobr
olhos fataes carregando,Em scisma profunda perdeu-se outra vez.VIIIMomentos passados, um surdo ruidoErgueu-se da escada, por entre o tinidoDe ferreas cadêas batendo no chão,E os servos de volta, trazendo o culpadoTristonho, olhos baixos, o dorso arqueado,No centro pararam do antigo salão.IXSilencio profundo! nem um movimentoSe via no grupo, que, tremulo e attento,A voz esperava que alçasse o senhor;Lotario media severo o captivo,E as faces do filho tyrannico e altivoCobriam-se aos poucos de vivo rubor.X- Escravo, aproxima-te. Ao mando potente,Moveu-se o inditoso brandindo a corrente,E erguendo a cabeça fitou seu juiz;Que traços distinctos! que nobre composto !Que lume inspirado saltava do rosto,Dos olhos doridos do escravo infeliz!

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