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OESTADODES.PAULO
TERÇA-FEIRA, 1 DE MAIO DE 2012
Notas e Informações
A3
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Notas&Informações
A
o reduzir de umano para seis me-ses o período noqual ex-servido-res públicos quetiveram acesso ainformação privilegiada estãoimpedidos de exercer ativida-des privadas na mesma áreaemqueatuavam nosetorpúbli-co, a Câmara dos Deputadostornou mais realista o projetode lei proposto pelo Executivoque muda as regras para a qua-rentena no governo federal. Além do prazo, que hoje é dequatro meses, o projeto ampliaalistadecargosacujosocupan-tes se aplica a quarentena. Issopode tornar mais eficaz o com- bateaousoindevidodainfluên-cia de antigos altos funcioná-rios do governo ou do conheci-mento por eles acumulados emfavor de interesses privados oucomo forma de obtenção de vantagens financeiras pessoaisou para terceiros.Mas, ao retirar do governo aobrigatoriedade do pagamentoda remuneração do ex-funcio-nário durante a quarentena,condicionando esse pagamen-to a casos excepcionais que se-rão autorizados pela ComissãodeÉticaPública,oprojetoapro- vado pela Câmara – e que aindaserávotadopeloSenado–sujei-ta os ocupantes de altos cargospúblicos, entre eles profissio-nais originários da iniciativaprivada, ao risco de ficar seismeses sem rendimentos.Essa medida pode ter duasconsequências nocivas para aqualidade, a eficiência e a lisu-rano serviçopúblico. Deum la-do, confere enorme poder dearbítrioaum órgão cujosmem- brossão nomeadospelo Execu-tivo, e que decidirá quem podeounãoserremunerado pelogo- verno durante a quarentena, oque abre caminho para favore-cimentos de inspiração políti-co-partidária. De outro, o nãopagamento obrigatório duran-te a quarentena de remunera-ção equivalente ao da funçãoexercida pode afastar de vezdas funções públicas profissio-nais de reconhecida competên-cia que já não se sentem atraí-dos por cargos no governo, oqueresultaria emperda dequa-lidade para a administração.O projeto destina-se a adap-tar a legislação brasileira àsconvenções internacionais àsquais o Brasil aderiu, entre elasa Convenção da ONU contra aCorrupção,ratificadapeloCon-gresso Nacional. Enviado pelogoverno em outubro de 2006,o projeto tinha pareceres favo-ráveisdas Comissões deTraba-lho, de Administração e Servi-ço Público e de Constituição eJustiça e de Cidadania desde2007, mas só no dia 3 de abrilpassado foi apreciado pelo ple-nário da Câmara.Desde sua apresentação, oprojeto vinha sendo criticado,entre outros motivos, pelo pra-zo de um ano para a quarente-na, considerado excessivo. Otexto original recebeu apenasuma emenda, de iniciativa dodeputado Mendes Thame(PSDB-SP), justamente a quereduziu o prazo de quarentenapara seis meses.Durante a quarentena, os ex-funcionários de alto escalão es-tarãoimpedidos deprestar ser- viços a qualquer pessoa ou em-presa com as quais tenham ti-do relacionamento relevantedurante o exercício da função;trabalhar para pessoa ou em-presaquetenhamatividadesre-lacionadas com o órgão para oqual prestaram serviços; eatuar como consultores ou as-sessoresde empresascom inte-resse em decisões do órgão noqual trabalharam.O impedimento temporário doexercíciodefunçõesremunera-dasquepossamconfigurarcon-flito de interesse se aplica a ex-ministrosdeEstado;ocupantesdecargos de “natureza especialou equivalentes”; presidentes ediretores de autarquias, funda-ções públicas, empresas públi-cas ou sociedades de economiamista;eocupantesdecargosdedireçãoeassessoramentosupe-riores, conhecidos no serviçopúblicocomoDAS6e5.Comisso,onúmerodecargoscujosocupantesestãosujeitosà quarentena passará dos atuais92 para cerca de 2,5 mil. Se osexonerados desses cargos fo-rem funcionários de carreira,eles retornarão a suas funçõesoriginais, com os vencimentosdevidos.A justificativa deque anão obrigatoriedade do paga-mentodosvencimentosduran-teaquarentenasedeveàneces-sidade de evitar a expansão dosgastoscomofuncionalismonãotem fundamento, pois há for-masmuitomaiseficazesdoqueessa para se cortar o custo dafolhadepessoal.
N
a maior parte domundo, as pes-soas vivem emcondições cada vez melhores eestão vivendomais. A crescente longevidadeda população tem sido aponta-da como uma das consequên-ciasmaisexpressivasdamelho-ra da qualidade de vida no pla-neta, e esse aspecto altamentepositivo foi enfatizado pelaequipe do FMI que estudou oimpacto do aumento da expec-tativa de vida sobre a econo-mia nos próximos anos.Mas asconclusões a que ela chegousão preocupantes e as reco-mendações que faz para evitarcrisesfuturasprecisamser con-sideradas desde já. A questão interessa a todos. As advertências do FMI valempara os governos, que mantêmsistemaspúblicos deaposenta-doriaeoutrosprogramasdese-guridadesocial; para osempre-gadores que mantêm, em par-ceria com os empregados, pla-nos de complementação deaposentadoria; para as empre-sas que administram fundosde pensão; e para as pessoas,que no período produtivo pre-cisam formar o pecúlio quelhes garanta aposentadoriatranquila – e que ficará tantomais cara quanto mais tempoelas viverem na condição deaposentadas.Os números apontados noestudo
O impacto financeiro dorisco da longevidade
– que fazparte do Relatório de Estabili-dade Financeira Mundial apre-sentado durante a reunião deprimavera do FMI e do BancoMundial – são impressionan-tes. Se, até 2050, as pessoas vi- verem três anos mais do que aestimativamédiadevidaadota-da nos planos de aposentado-ria da maioria dos países, osgastos com previdência social,que já são muito altos, cresce-rão o equivalente a 50% do PIBde 2010 dos países avançadose 25% dos emergentes.O estudo do FMI adverteque os riscos aumentarão len-tamente, mas se não forem en-frentados desde já poderão terefeito altamente negativo so- bre o já precário equilíbrio fi-nanceiro das empresas e dosgovernos, tornando-os aindamais vulneráveis a novos cho-ques, podendoafetar aestabili-dade financeira mundial.Ocenáriotalvez pareça som- brio demais para países, insti-tuições e pessoas que, nos últi-mosanos,seprepararamecria-ram mecanismos para enfren-tar a questão do aumento daidade média da população.Mas, como observa o estudo,os preparativos foram basea-dos em projeções que subesti-maram a longevidade e, por is-so, estão se tornando insufi-cientes para assegurar aposen-tadoria condigna para todos.São poucos os países que re-conhecem os riscos do aumen-to da longevidade. E os que ofazem se deparam com cifrasimensas. O custo da aposenta-doria na maioria dos países já é10% maior do que o previsto.Nos EUA, a maior parte dosfundos de pensão baseia seuscálculos atuariais em estatísti-cas de 1983. O erro pode resul-tar num custo adicional para osistema previdenciário de atéUS$ 7 trilhões no futuro.“Quanto mais se ignorar es-sa questão, mais difícil será re-solvê-lo”, disse Laura Kodres,uma das coordenadoras do re-latóriodoFMIsobreestabilida-de financeira. “O tempo paraagir chegou”, completou, insis-tindona necessidade deos paí-sesajustarem seusregimespre- videnciários,demodoaassegu-rarsuaestabilidadefinanceiraeasaúdedascontaspúblicas. As soluções são difíceis e de-pendemdavisãoedacompetên-cia política dos governos e dadisposiçãodetodososenvolvi-dos – governos, empregadores,fundos de pensão, indivíduos –paradividirosriscos.Umamedidaessencialsugeri-dapeloFMIparaevitaroagrava-mentodoproblemaéareformaprevidenciária que estabeleçaquea idademínima para aapo-sentadoria aumente na mesmaproporção em que aumentar aexpectativa de vida da popula-ção.Oefeitoéduplo:aumenta-seareceita,poisaspessoascon-tribuirão por mais tempo, e re-duz-seocustodasaposentado-rias, pela redução do períodoem que as pessoas gozarão dos benefícios.Será necessário tornar maisflexíveisasregrasdaaposenta-doria em muitos casos, pois,quando não for possível au-mentar as contribuições ou aidade mínima para se aposen-tar,ovalordobenefícioterádediminuir.
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estadão.com.br
Seria bom, muito bom mesmo, parao Brasil e para os brasileiros, que, atéo fim de 2012, tudoacontecesse deacordo com o queo Ministério da Fa-zenda está prevendo e acaba de tor-nar público com a divulgação do do-cumento
Economia Brasileira em Pers- pectiva
. A combinação de dois dosmais relevantes indicadores econô-micos, o PIB e a inflação, seria, nesteano, a melhor pelo menos desde2007, ou seja, antes do início da cri-se global. Em 2012, segundo o Minis-tério da Fazenda, o PIB deve crescer4,5%, bem mais do que o resultadode2011(crescimento de2,7%),e ain-flação ficará em 4,4%, abaixo do cen-tro da meta inflacionária (de 4,5%).Em 2007, o PIB cresceu 6,1% e a in-flação foi de 4,5%.Um desempenho como o previstopelogoverno certamente causaria in- veja num mundo ainda abalado pelacrise na Europa, pelas dificuldadesda economia americana para voltar acrescer de maneira sustentável, peladesaceleração da economia chinesae pelos notórios problemas da eco-nomia japonesa. Tomara que a previ-são do Ministério da Fazenda se con-firme. É prudente, no entanto, exa-minar com atenção essas projeçõese indagar se elas são alcançáveis. A inflação voltou a ser pressiona-da por fatores que pareciam ter per-dido força nas últimas semanas, co-mo os preços dos serviços, que de- vemcontinuar aimpulsionar os prin-cipais índices, pois muitos têm rela-ção direta com a renda – que man-tém o crescimento – e a situação domercado de trabalho – que é boa.Nos próximos meses, novas fon-tes de pressão podem surgir, quan-do os estímulos concedidos nos úl-timos tempos pelo governo e a re-dução da taxa básica de juros (Se-lic) e dos juros cobrados pelos ban-cos começarem a surtir os efeitosesperados. Mesmo assim, o Ministé-rio da Fazenda reduziu sua previ-são de inflação para 2012, que erade 4,7% na versão anterior de sua
Economia Brasileira em Perspectiva
,de fevereiro.O crescimento do PIB, por sua vez, se confirmada a previsão paraeste ano, só será menor do que o de2007, 2008 e 2010. Se as medidas fis-cais e o afrouxamento da políticamonetária produzirem os resultadospretendidospelo governosobre a ati- vidade econômica, é provável que osúltimos meses do ano registrem de-sempenho melhor do que o dos pri-meiros. Essa recuperação deverá semanter e até se intensificar nos anosseguintes, pois, para 2013, o Ministé-rio da Fazenda prevê crescimentode 5,5% e, para 2014, de 6,0%. A despeito da possível melhora noterceiro ou no quarto trimestre, po-rém, mesmo dentro do governo há quem considere provável que, em2012, o crescimento do PIB fiquemais próximo de 4%.Embora tenha sido revista paramenos em relação à projeção feitaem fevereiro, de 20,8% para 20,4%do PIB, a formação bruta de capital –que inclui investimentos em máqui-nas, equipamentos e construção ci- vil – é alta em relação aos dados dosúltimos anos. Em 2001, por exem-plo, era de 16,4%. Mesmo tendo au-mentado, ela nunca passou de 19,5%do PIB, índice observado em 2010,quando o crescimento do PIB foi ex-cepcional (7,5%).Comoque para justificar aaltapre- vista dos investimentos em 2012, oMinistério da Fazenda relaciona emseu estudo grandes projetos, públi-cos e privados, anunciados nos últi-mos tempos ou que constam dosprogramas oficiais. Quanto aos pro- jetos de responsabilidade do setorpúblico, no entanto, convém aguar-dar até que eles saiam do papel e setransformem em coisas concretas, oque nem sempre acontece, e, quan-do acontece, nem sempre ocorre noprazo previsto.Embora reconheça a gravidade dasituação da balança comercial da in-dústria manufatureira – cujo resulta-do, entre 2005 e 2011, passou de umsuperávit de US$ 8,5 bilhões paraum déficit de US$ 92 bilhões –, o go- verno considera que as medidas doprograma “Brasil Maior” conterão oritmo da deterioração. Os proble-mas, no diagnóstico do governo, fo-ram causados fundamentalmentepelas políticas cambiais de outrospaíses. Nada se diz sobre a necessi-dade de restabelecer a competitivi-dade da indústria, com mudançastributárias e trabalhistas, entre ou-tras, além da recuperação da infraes-trutura econômica.
TEMADODIA
POR DECISÃOJUDICIAL, O
ESTADO
ESTÁ SOB CENSURA.ENTENDA O CASO:WWW.ESTADAO.COM.BR/CENSURA
HÁ1.005DIAS
Otimismodogoverno
“Se temos 40 anos, somos velhos para trabalhar; setemos 60, somos novospara nos aposentarmos”
CLÁUDIOMOSCHELLA
/ SÃOPAULO, SOBRE AS DIFICULDADESPARA REINGRESSARNO MERCADO DE TRABALHOarquiteto@claudiomoschella.net
“Se
Lulla
transformar aCPI do Cachoeira emCPI do Perillo, provará que o mensalão existiu”
A.FERNANDES
/ SÃO PAULO,SOBRE O TIRO PELA CULATRAstandyball@hotmail.com
maisdesprotegemdoquebenefi-ciam.Se for para havercotas,en-tão que elas sejam para estudan-tes humildes egressos das esco-las públicas – e de qualquer cor.
RENATO KHAIR
renatokhair@uol.com.brSão Paulo
Quedecepção...
O STF, que nos encheu de orgu-lhoalgunsdiasatrásaoaprovaraleidoabortodeanencéfalos,caiudo mais alto pedestal ao rés dochão com a decisão sobre a ado-ção de cotas para negros e par-dosnasuniversidadesbrasileiras,institucionalizando o racismo.
JAIRFREIRE
assim.soja@gmail.comSão Paulo
Bomsenso
Parabéns pelo brilhante editorial
Justiça com lentes coloridas
(28/4, A3),quetraduzopensamentodetodas as pessoas de bom senso,independentemente de sua cor.
ANTÔNIOMÁRCIO PEREIRA
pereira.marcio@gmail.comJundiaí
SUPREMACORTE
Diferenças
A construtiva análise do desem- bargador Aloísio de Toledo Cé-sar (
Baixa o nível na SupremaCorte
,28/4,A2)levaàreflexão deque tais extremos jamais seriamsequer concebidos na SupremaCorte dos EUA, que inspirou anossa. Quiçá tal abismal diferen-çatenharaízesemnossoemocio-nal, em oposição à racionalidadedo povo norte-americano.
RENATOGUIMARÃESJR.,promo-tordeJustiçadoMinistérioPúblicodoEstadodeSãoPauloaposentado
renatogjr@yahoo.comCampinas
Diminuído o período emque ex-servidores ficamimpedidos de atividadesna iniciativa privada
Riscosdenovaquarentena
Um estudo do FMIadverte para os riscosfinanceiros do aumentoda expectativa de vida
Opreçodalongevidade
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“O Brizolinha está para o Ministério do Trabalho assim como aIdeli Salvatti estava para o Ministério da Pesca.”
ITÁCASTANON
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“A família Brizola precisa tirar o PDT das mãos dos pelegosque o açambarcaram.”
RANDOLPHOGOMES
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“Mas ele entende do assunto ou foi nomeado apenas por serneto de Leonel Brizola?”
MIRIAMTEODORO