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Climatologia e Estudos da PaisagemRio Claro - Vol.2 - n.2 - julho/dezembro/2007, p. 50
RISCO AMBIENTAL: CONCEITOS E APLICAÇÕES
Ricardo de Sampaio Dagnino [1]Salvador Carpi Junior [2]
RESUMO
Este artigo oferece uma discussão conceitual a respeito dos riscos ambientais. Eleapresenta definições de riscos aceitas cientificamente na bibliografia nacional einternacional e, também, noções construídas coletivamente pelos participantes dediversas reuniões públicas de mapeamento de riscos, realizadas dentro do Estado deSão Paulo. Foram analisados conceitos e classificações envolvendo tipos diferentesde riscos, além das relações entre riscos e outros conceitos como vulnerabilidade,impactos ambientais e percepção ambiental. Ao final, os autores consideram que adefinição de risco ambiental mais adequada é formada por uma fusão das noçõesaceitas popularmente, em que se une a percepção das pessoas com os conceitos jáestabelecidos na literatura sobre o tema. Assim, abre-se espaço para aplicar eadaptar os conceitos conforme as características de cada pesquisa e/ou dosobjetivos pedagógicos de cada atividade, bem como para a aplicação dos conceitosde riscos, de acordo com a área estudada e a população envolvida.
Palavras-chave:
Risco Ambiental. Classificação de Riscos. Vulnerabilidade. ImpactoAmbiental. Percepção Ambiental. Mapeamento Ambiental Participativo.
RESUMEN
Este artículo presenta una discusión conceptual con respecto a los riesgosambientales. Presenta definiciones de riesgos aceptadas científicamente en labibliografía nacional e internacional y, también, nociones construidas colectivamentepor los participantes de diversas reuniones públicas de mapeamento de riesgosrealizadas dentro del Estado de Sao Paulo en Brasil. Fueron analizados conceptos yclasificaciones envolviendo tipos de diferentes de riesgo, además de las relacionesentre riesgos y otros conceptos como vulnerabilidad, impactos ambientales ypercepción ambiental. Al final, los autores consideran que la definición de riesgoambiental mas adecuada es formada por una fusión de las nociones aceptadaspopularmente, mediadas por la percepción de las personas, con los conceptos yaestablecidos en la literatura sobre el tema. Así se abre espacio para aplicar y adaptarlos conceptos conforme las características de cada investigación y/o de los objetivospedagógicos de cada actividad, bien como para la aplicación de los conceptos deacuerdo al área estudiada y a la población.
Palabras-clave:
Riesgo Ambiental. Clasificación de Riesgos. Vulnerabilidad. ImpactoAmbiental. Percepción Ambiental. Mapeamento Ambiental Participativo.
 
 
Climatologia e Estudos da PaisagemRio Claro - Vol.2 - n.2 - julho/dezembro/2007, p. 51
Introdução
A abordagem dos riscos ambientais está vinculada a importantes temasintensamente debatidos no meio acadêmico, como a questão da interdisciplinaridadee do papel da ciência e da tecnologia no mundo atual. Sob o ponto de vistapedagógico, o mapeamento de riscos ambientais tem fortalecido seu potencial de seconfigurar, seja como estratégia de ensino formal, no âmbito escolar, seja comoatividade de educação não formal, fora do âmbito escolar.Tanto na pesquisa quanto no ensino destacam-se, também, a vinculação coma temática local/regional/global, com grande potencial para a aplicação em estudosdas escalas dos fenômenos e para as formas de representação espacial dos riscos.Assim, é de grande importância tornar aplicável um conceito de risco que busca aaproximação, por um lado, de uma definição aceita cientificamente e baseada nabibliografia internacional e, por outro, do entendimento popular que transpareceudurante diversas experiências de mapeamento de risco que vêm sendo realizadas ouacompanhadas diretamente, desde meados dos anos 90.As pesquisas em questão foram desenvolvidas na Região de Campinas(SEVÁ FILHO, 1997), bacia hidrográfica do Rio Mogi-Guaçu (SEVÁ FILHO; CARPIJUNIOR, 2001; CARPI JUNIOR, 2001; CARPI JUNIOR; PEREZ FILHO, 2005), nomunicípio paulista de Apiaí (SCALEANTE, 2002) e na bacia hidrográfica do ribeirãodas Anhumas, em Campinas-SP (CARPI JUNIOR
et al.,
2005, 2006, DAGNINO;CARPI JUNIOR, 2006).A ausência de um acordo na terminologia e a necessidade de tratar destetema chegou a inspirar a inauguração de uma nova ciência, desenvolvida ao longo
 
 
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de dois eventos promovidos pela UNESCO – um em 1987 e o outro em 1989(FAUGÈRES
et al.,
1990). Essa “ciência nascente” chamada de Cindínica ouCindinicologia teria por objetivo “estudar e limitar os riscos aos quais estão expostasas populações” (FAUGÈRES, 1991
apud 
REBELO, 2005, p. 66).O presente trabalho busca contribuir com as questões teóricas, metodológicase práticas que envolvem essa ciência emergente que trata dos riscos, em função desua importância para nosso cotidiano e para a futura qualidade de vida das pessoas.
Riscos e suas questões conceituais
Os conceitos de risco têm sido utilizados em diversas ciências e ramos doconhecimento e adaptados segundo os casos em questão. Nessas situações,freqüentemente, o termo riscos é substituído ou associa-se a potencial,susceptibilidade, vulnerabilidade, sensibilidade ou danos potenciais.Neste trabalho, consideramos o risco como a probabilidade de que um evento –esperado ou não esperado – se torne realidade. A idéia de que algo pode vir aocorrer, já então configura um risco. Esse conceito é conhecido na cultura ocidentalhá muitos séculos. Diferentemente disso, culturas como a do Japão, por exemplo,não possuem um equivalente direto para a palavra risco (PELLETIER, 2007).Uma curiosidade sobre este tema é que dentre os ideogramas chineses (figura1) existe um que mescla risco/perigo e oportunidade, o qual Herrera
et al.
(1994, p.19) traduziram como risco, porém, mais recentemente, Gore (2006, p. 10) traduziucomo perigo e oportunidade. Mas o ponto de confluência dos dois autores parece serque a crise traz em si a semente de algo novo, uma mudança, e que, por ser novo,pode significar um avanço para um futuro melhor.
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