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Streptococcus

Streptococcus

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11/04/2012

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 1
(continuação da aula anterior)
Cocos Gram positivos:
Micrococcus
 
 
São agentes da população microbiana normal da pele, mucosa e orofaringe;
 
Mecanismos de virulência não são conhecidos, portanto, para já são aparentemente inofensivos eraramente implicados em doença; quando são isolados temos de saber se devemos ou não valorizar, oque depende do contexto clínico;
 
São microrganismos que existem na vida livre, no ambiente, ao contrário dos
Staphylococcus
que vimosna aula anterior;
 
As colónias são muito coloridas, avermelhadas, têm muito pigmento, o que não acontecia com os
Staphylococcus
;
Microrganismos mais frequentemente isolados
Nas estatísticas, os
Staphyloccocus
são os organismos mais frequentemente isolados nos laboratórios demicrobiologia e são a maior fatia dos agentes que nós isolamos no hospital.Em termos de resistência aos antimicrobianos, os
Staphylococcus
já são na sua maioria produtores debeta-lactamases, tanto os
Staphylococcus
 
aureus
como os
Staphylococcus
coagulase negativo, o que ostorna resistentes à maioria dos beta-lactâmicos. Estes só seriam sensíveis, então, àquelas penicilinas quesão resistentes às beta-lactamases, aqui um exemplo é a oxacilina ou meticilina (no laboratório ensaiamos ameticilina, mas equivale à susceptibilidade à oxacilina).Entre nós, a percentagem de resistência à oxacilina é enorme e maior do que a da maior parte dospaíses da Europa; são os tais MRSAs resistentes à meticilina. Resistência à vancomicina ainda não temos,mas estamos com atenção porque de facto pode aparecer. Já apareceu uma ou outra estirpe isolada nomundo mas entre nós ainda não. Ás vezes é o único fármaco que temos disponível e é bastante tóxico, temalguns problemas, mas ainda temos susceptibilidade à vancomicina.
Conclusões
Em suma, os
Staphylococcus
:
 
cocos de Gram positivo;
 
catalase positivo;
 
habitantes normais da pele e das mucosas, embora também aí possam dar problemas e invadir setiverem portas para entrar (fissuras, feridas…);
 
mecanismos de patogenicidade: estruturais (parede do Gram +, cápsula…), mas são sobretudo grandesprodutores, para o meio extracelular, de hemolisinas e outras toxinas…
 
muito resistentes à terapêutica – grande existência de MRSAs, sobretudo a nível hospitalar.(Hoje a aula já é de
Streptococcus
e
Enterococcus
, mas
Enterococcus
só vamos falar na próxima aula.)Dantes metidos no mesmo grupo, os
Enterococcus
eram uma espécie de
Streptococcus
,Mas hoje em dia detectaram-se muito mais diferenças do que semelhanças entre os dois grupos e isso justificou fazer-se um género à parte.Microbiologia
Streptococcus
 
 2
Streptococcus
Objectivos:
Vamos ver as características gerais, algumas particularidades de epidemiologia, os mecanismos depatogenicidade mais importantes, as principais doenças e como fazer o seu diagnóstico.
Características gerais:
 
são cocos Gram positivos; ao contrário dos
Staphylococcus
que estavam permanentemente emaglomerado, aqui vão estar em cadeia ou aos pares (tipicamente, não quer dizer que sejapatognomónico)
 
são capsulados, não esporulados e imóveis (como os
Staphylococcus
)
 
a grande diferença é que são todos catalase negativos (e então quando temos um coco Gram positivo aprimeira coisa que temos a fazer é a catalase, se for positiva é um
Staphylococcus
, se for negativa é um
Streptococcus
ou um
Enterococcus
);
 
grupo diversificado, alguns podem ser comensais outros por si só são normalmente patogénicos einvasores;
 
grande variabilidade na patogenicidade e na susceptibilidade a antimicrobianos; os
Streptococcus
de umamaneira geral são muito susceptíveis aos antimicrobianos ao contrário dos
Enterococcus
que são dosmicrorganismos mais resistentes (estas e outras diferenças justificaram a separação, mas foramsobretudo estudos genéticos que vieram a separar estes dois grupos).
Classificação dos
Streptococcus
:
São os microrganismos cuja classificação e identificação é mais complexa. Em termos de
Staphylococcus
, a identificação era bioquímica, ou seja o comportamento para determinados açúcares edeterminas proteínas. O que vai identificar os
S. aureus
dos outros é a coagulase, que também é uma provabioquímica, mas mesmo dentro dos
Staphylococcus
coagulase negativo fazíamos uma bateria de provasbioquímicas para os identificar. Nos
Streptococcus
a classificação é mais complexa e dizemos que é mista:1.
 
serve-se muito do aspecto das colónias e uma das coisas muito importantes é o padrão hemolíticodos
Streptococcus
, são beta-hemolíticos se provocam uma hemólise total, α-hemolíticos, seprovocam uma hidrólise parcial, ou não hemolíticos (isto ajuda logo a agrupa-los);2.
 
Rebeca Lancefield estudou muito bem a composição antigénica da parede e dividiu-os por váriosgrupos; era bom se pudessemos encaixá-los todos nestes grupos, mas há alguns
Streptococcus
quenão têm antigénios típicos na parede, ou seja não conseguiram ser classificados por estaclassificação, portanto alguns têm o padrão hemolítico e a composição antigénica, outros não têm opadrão antigénico específico;3.
 
ainda algumas provas bioquímicas, mas novamente nem todos são passíveis de serem classificadospor provas bioquímicas.Portanto, uma classificação complexa, mista e normalmente nos laboratórios de rotina baseada nahemólise, antigénios da parede, quando possível, e propriedades bioquímicas.A nível de investigação, a genética dá uma grande ajuda na classificação.
Mecanismos de patogenicidade:
Alguns são parecidos com os dos
Staphylococcus
. Têm uma constituição estrutural idêntica à dos Grampositivos:
 
cápsula, já vimos como era um importante mecanismo;
 
parede com proteínas, carbohidratos e grande quantidade de peptidoglicano, tal como os
Staphylococcus;
 
 
 3
 
têm na sua constituição o ácido lipoteicoico que é muito importante na adesão (o primeiro passo parahaver patogenicidade é haver adesão);
 
têm ainda uma proteína M, que é muito antigénica, ou seja, faz despertar muito uma reacçãoimunológica; há mesmo alguns
Streptococcus
que foram destituídos de proteína M e deixaram de ter potencial de patogenicidade; curiosamente é uma proteína imunogénica que faz com que o nossoorganismo produza anticorpos que muitas vezes vão ter um efeito contraproducente porque para além deneutralizar a proteína, que era o objectivo da produção de anticorpos, vão eles mesmo atacar estruturasdo nosso organismo, portanto, há aparentemente algumas semelhanças antigénicas entre os
Streptococcus
e algumas estruturas do nosso organismo, daí que vamos ter algumas doenças que sãonão só infecciosas mas imunológicas, ou seja, doenças auto-imunes;
 
tal como os
Staphylococcus
(fiquem com a ideia de que Gram positivos = grandes produtores de toxinasextracelulares), são capazes de produzir toxinas terríveis e superantigénicas que vão dar doençassistémicas, mas também enzimas como a estreptoquinase que digere a fibrina, a estreptodornase oudesoxirribonucleases muito responsáveis por destruição do tecido e invasão pela bactéria, hialuronidasesque destroem o tecido conjuntivo e as tais hemolisinas que degradam os glóbulos rubros, neste casotambém designadas por streptolisinas (enzimas produzidas pelos
Streptococcus
; muitos são produtoresde β-hemólise, mas não só, também podem ser produtores de α-hemólise).
Streptococcus pyogenes
do grupo A
O
Streptococcus pyogenes
é um
Streptococcus
do grupo A porque a estrutura antigénica da sua paredeaglutina com o grupo A na classificação de Rebeca Lancefield.
Características gerais:
 
Responsável pelas amigdalites bacterianas que todos nós já tivemos; muitas aparecem-nos com pus nagarganta, exsudados, mas não é muito fácil na clínica descobrir se terá origem bacteriana ou vírica, masé importante colocar a hipótese de ser este
Streptococcus
, fazer o diagnóstico e tratar cedo para evitar ascomplicações que vamos ver;
 
o maior reservatório é a mucosa oral e nasal;
 
não se sabe bem porque é que podemos ser portadores do
S. pyogenes
e não há problema nenhum,mas de repente, por alguma quebra no sistema imunológico, ele consegue levar a sua avante e infectar;
 
há muitos serótipos e isso é importante porque nós vamos produzir anticorpos contra um serótipo dos
S. pyogenes
, o que pode impedir de termos este tipo de infecções, mas depois podemos ter outra infecçãopor um
S. pyogenes
serologicamente diferente;
 
é um dos agentes mais agressivos;
 
estão descritas várias proteínas: proteína F (ligação à fibronectina), proteína M (que para além deantifagocítica, é também muito imunogénica);
Patologia causada por S. pyogenes:
 
faringite/amigdalite (+ frequente nos jovens e nas crianças) com aspecto exsudado, pus, portanto sãococos piogénicos; quando se olha para a garganta e se vêm bolas de pus é a favor de ser uma doençabacteriana, mas também pode não ser… uma colheita é importante para distinguir;
 
infecções da pele (o impétigo), erisipelas, celulite, fasceíte;(estas doenças também poderiam ser provocados pelos
Staphylococcus
, sobretudo o
aureus
; aqui asdiferença são sobretudo as faringites/amigdalites que são mais devidas aos
Streptococcus
do quepropriamente ao
aureus
)
 
também pode dar doenças sistémicas como pneumonia, bacteriemia e febre no pós-parto.

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