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O Sonho de Demba - Pr. Joed Venturini

O Sonho de Demba - Pr. Joed Venturini

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Published by Sammis Reachers
O Sonho de Demba, escrito pelo Pr. Joed Venturini de Souza, é uma interessante ficção missionária, porém baseada em fatos reais. A ação do enredo se passa na Guiné-Bissau. São 15 páginas que você lê de uma pegada só.
O Sonho de Demba, escrito pelo Pr. Joed Venturini de Souza, é uma interessante ficção missionária, porém baseada em fatos reais. A ação do enredo se passa na Guiné-Bissau. São 15 páginas que você lê de uma pegada só.

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O Sonho de Demba
 Pr. Joed Venturini de Souza
Esta estória missioria é uma obra de fião missioria em fatos eacontecimentos reais da região leste da Guiné-Bissau.Capitulo 1Um arrepio de frio percorreu o corpo magro e pequeno de Demba. Omenino reagiu procurando o pano que lhe servia de lençol. Era curto o pano ele seencolheu mais ainda para poder se cobrir por completo. Um clarão iluminourepentinamente o quarto onde a criança estava e seguiu-se após uns segundos umforte ribombar de trovão. O vento fresco que entrava pela porta aberta levantava poeira que chegava ao nariz de Demba. Ainda deitado ele abriu os olhos. Estavatotalmente escuro. Era alta madrugada, talvez duas ou três horas da manhã. Novorelâmpago clareou o quarto. Demba podia ver a mãe e a irmã numa cama do outrolado do lado do cômodo. O teto de palha que dava um cheiro característico. A casa parecia tremer ao rugir da tempestade. Um novo relâmpago permitiu que o meninovisse um ratinho que saía sorrateiramente do local aonde se guardava o arroz.Demba podia ouvir o ressonar do pai no quarto ao lado, pois as paredes não iamaté o teto deixando que os sons passassem livremente de um cômodo para o outro.O menino sentou-se na esteira que lhe servia de cama. Tinha uns 8 anos, eraextremamente magro com uma bela cor castanha clara e a cabeça redondameticulosamente rapada. O nariz de base larga era arredondado, as bochechasaltas, o sorriso fácil, os olhos enormes, amendoados, de um negro profundo esentimental. Com um ar de sonolência marcado a criança olhou para foi de casaapenas para ver o início da chuva forte, barulhenta, que caía em toalhas sobre ascasas da tabanka (aldeia). Demba deitou-se novamente. Tentou dormir mesmocom o barulho da tempestade e o frio que lhe penetrava o lençol até os ossos.Algumas goteiras começavam a fazer sentir o seu tilintar. Uma era bem perto daesteira do menino que se afastou para evitar o incômodo. Começou a cochilar. Naquele local mágico, entre a realidade e os sonhos, ele reviveu as emoções do diaanterior. E tinham sido muitas.Logo cedo chegara a sua
morança
(conjunto de casas, em regra de ummesmo dono, que abarca sua família alargada) um grupo de homens de umatabanka não muito distante. Eram, na sua maioria, homens
 garandis
(idosos).Todos com um ar severo e gestos estudados. Em especial um deles chamara aatenção de Demba por seu aspecto sério e por parecer ser o líder da delegação.Uma mulher comentara que ele era um homem rico. Tinha muitas vacas e umacandonga (pau de arara). Na sua casa havia até um gerador e uma televisão.Demba ficara muito impressionado. Nunca vira televio, mas tinham lheexplicado que era um rádio grande que mostrava imagens. Era difícil de imaginar,mas, sem dúvida, deveria ser algo fantástico.
 
Os homens tinham se sentado com seu pai que era o chefe da tabanka, eoutros anciãos da aldeia. Longas saudações foim trocadas entre todos os presentesnum ritual que levou mais de uma hora, numa interminável repetição de perguntascerimoniais. Ninguém parecia ter pressa de tratar do assunto que levara aoencontro. Um jovem casado, que se juntara ao grupo, acendera um pequenofogareiro de carvão aonde colocou um pequenino bule colorido com água. Ia fazer 
uarga
, um chá forte adocicado, costume herdado dos árabes do Norte, trazido pelos mauritanos e que tivera grande aceitação entre os fulas, povo de Demba.Logo o cheiro doce do chá enchia o ar e começa o ritual de passar o líquido de umcopinho para o outro de uma distância no ar a fim de esfriar o mesmo. Era umamaneira de se passar o tempo e enganar a fome.Enquanto os homens conversavam sobre assuntos banais, as mulherestrabalhavam quase febrilmente preparando o almoço. Duas delas pilavam o arroznum pilão de 60 centímetros de altura, com pancadas rítmicas, quase musicais.Algumas galinhas foim trazidas aos visitantes para que se pronunciassem sobreseu aspecto. Seriam o
mafé
(acompanhamento). Os hospedados se mostraramsatisfeitos selando assim o destino das aves logo degoladas. Grandes panelasescurecidas pelo tempo foim colocadas no fogo de lenha e em breve se cozinhavao arroz, parte essencial e básica da alimentação fula, que é a etnia predominante naregião leste da Guiné-Bissau.Demba estava curioso. Junto com outros meninos da tabanka ficourondando a reunião dos homens e foim enxotados como as galinhas e cabritos queabundavam no local e andavam soltos por todo lado. Por volta das duas horas datarde o grupo de homens foi orar estendendo esteiras no chão voltadas a leste,repetindo suas monótonas rezas maometanas, prostrando-se com o rosto em terra.Foi só aí que o menino se deixou levar pelos camaradas de brincadeira até o mato para pegar e caçar passarinhos com uma espécie de funda.No regresso da floresta encontrara sua irmã de 15 anos rodeada por outrasmulheres e moças. A garota parecia assustada. Era muito bonita. Tinha uma cor avermelhada com o rosto levemente anguloso, e olhos um tanto oblíquos e narizarrebitado. Os dentes impecavelmente brancos num sorriso gracioso. Era umsemblante exótico, mas certamente belo. Mas sua expressão de medo era por demais evidente para ser esquecida. Instintivamente Demba percebeu o que estavaacontecendo. Aquele grupo de homens viera tratar de um pedido de casamento.Sua querida mana Aminata era a escolhida. A pobre adolescente, a quem asformas femininas nem tinham chegado completamente, deveria se casar.Na roda dos homens o garoto vira os sinais de sua desconfiança. Perto do pai que estava sentado, de pernas cruzadas numa esteira, era possível ver doismontinhos de cola (pequenos frutos medicinais que são produzidos por árvores pequenas e que são muito apreciados em vastas regiões da África). Aquilo era a prova do contrato do. E para surpresa do menino, descobrira também que ointeressado era justamente o homem que tanto o impressionara. Quase sem querer ele reagiu com desgosto. Era um homem velho. Devia ter mais de 50 anos e já
 
tinha quatro esposas. Sua irmã seria apenas mais uma, a empregada das outras, em particular da primeira esposa. Em menos de um ano teria o primeiro filho ao peito e estaria sobrecarregada de trabalho. Mas não era essa a sina da mulher fula?E as outras parabenizavam Aminata e lhe diziam que era uma honra casar com umhomem tão rico.Demba não se agradara nada idéia. Aminata era boa para ele. Certamente bem mais paciente do que o habitual e estava acostumado à presença de sua“mãezinha”, já que a irmã funcionara como verdadeira mãe de criação à falta deatenção da sua mãe. Essa tinha tanto trabalho que não podia dispensar muitotempo aos rebentos da sua numerosa prole.O menino virou-se no sono. O sonho, quase tão real quanto a própriaexperiência, lhe era doloroso e ele não gostava de lembrar a dor estampada norosto da irmã e sua feição assustada. O sonho, porém, se prolongou e se tornouestranho e diferente. Demba se viu num local desconhecido com várias casas parecidas com as tabankas. Logo adiante havia duas casas bonitas, com detalhesde zinco, pintadas de azul e branco. Havia uma placa, mas ele não sabia ler.Aproximou-se mais e ouviu as vozes de inúmeras crianças cantando na sua língua.Diziam: “
 Fii mim mi subii abade Issa
” (Estou seguindo a Jesus). A canção eragostosa e enchia o ouvido. Havia muitas crianças num salão cantandoanimadamente. Demba ouviu então, distintamente, uma voz que lhe dizia: “Aquiencontrarás a verdade”. A frase se repetiu duas ou três vezes, e então o meninoacordou assustado. Era já manhã clara e tudo não passara de um sonho.

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