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com licença poética - Adelia Prado

com licença poética - Adelia Prado

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Discentes: Victoria Pereira da Silva RA: 1104250-8Washington Mattos PolottoRA:1104099-8Curso: Licenciatura em Letras, noturno – 2º ano
Análise interpretativa do poema “Com licença poética”, de Adélia Prado, relacionado àsteorias de Paul Valéry e Theodor W. Adorno
Adélia Prado é uma escritora mineira que busca retratar por meio de seus textos o cotidianocom perplexidade e encanto, relacionados sempre a sua religiosidade e permeados pelo aspectolúdico característicos da poetisa. Na literatura brasileira, a poetisa representou a revalorização do feminismo e da mulher como ser pensante, levando em conta que Adélia incorpora os papéis de intelectual e mãe, esposa edona-de-casa, por isso sendo considerada por alguns como a que encontrou o equilíbrio entre ofeminino e o feminismo, movimentos cujos conflitos não aparecem em seus textos.Com licença poéticaQuando nasci um anjo esbelto.desses que tocam trombeta, anunciou:vai carregar bandeira.Cargo muito pesado pra mulher,esta espécie ainda envergonhada.Aceito os subterfúgios que me cabem, sem precisar mentir. Não sou tão feia que não possa casar,acho o Rio de Janeiro uma beleza eora sim, ora não, creio em parto sem dor.Mas o que sinto escrevo. Cumpro a sina.Inauguro linhagens, fundo reinos- dor não é amargura.Minha tristeza não tem pedigree, já a aminha vontade tem alegria,sua raiz vai ao meu mil avô.Vai ser coxo na vida é maldição pra homem.Mulher é desdobrável. Eu sou.
 
Este é um dos primeiros poemas do livro “Bagagem”, e procura definir a imagem da poetisa. Neste poema, o eu-lírico feminino assume sua sina de mulher-poeta, de forma simples eexplicitando as antíteses do universo feminino e suas diferenças diante do universo masculino.O poema se inicia descrevendo o momento do nascimento do eu-lírico: “Quando nasci umanjo esbelto, / desses que tocam trombeta, anunciou: / vai carregar bandeira.”. Neste trecho podemos notar que é feita uma alusão à bíblia, no trecho em que o arcanjo Gabriel faz a anunciaçãoà Maria, como se deus tivesse atribuído esse cargo ao eu-lírico, e sua poesia fosse apenas parainspirar e puramente o que ela sente (isso é reforçado no 11º verso), parecendo conflitar com a ideiade Valéry (1999) de que o trabalho do poeta está em sua capacidade de “construir” e “combinar” palavras, produzindo emoção e resultando em poesia. O eu-lírico ao afirmar que sua sina de poetisafoi dada por deus e não por escolha dele, nega o seu trabalho ao fazer poesia, como se na verdadefosse a voz de uma divindade falando no poema, retomando o choque entre Aristóteles, que trata o poeta como “criador de sua obra”, e Platão, que trata o poeta como “meio utilizado pelo poema para se manifestar”. No entanto, o eu-lírico também assume que seu cargo é pesado, e, portanto,árduo, concordando com a ideia de Valéry, de que o poema tem que ser trabalhado. Ainda nestetrecho, também notamos uma paródia do poema de “Sete faces”, de Carlos Drummond de Andrade,como podemos comparar com os três primeiros versos drummondianos “Quando nasci, um anjotorto / desses que vivem na sombra / disse: Vai, Carlos! ser 
 gauche
na vida.” É relevante notar também a visão positivista de Prado, ao contrário do poema de Drummond, em que o eu-lírico dizque está abandonado por Deus e finaliza justificando que está comovido por causa da lua e doconhaque. No poema de Adélia Prado, o anjo é esbelto e anunciou sua sina: carregar bandeira.Bandeira nesse verso pode ser interpretado como uma alusão ao poeta Manuel Bandeira e à suaimportância para a poesia nacional (e o peso de carregar a sina de poeta) ou como ideia que servede guia, símbolo a um movimento, completando a ideia de guia presente tanto na alusão a ManuelBandeira como na alusão bíblica. Nos próximos versos, o eu-lírico reforça a responsabilidade de ser poetisa: “Cargo muito pesado pra mulher, esta espécie ainda envergonhada.” como se ser poetisa fosse ainda mais difícildo que ser poeta, devido a mulher ser uma espécie ainda tímida, não reconhecendo seu verdadeiro potencial, que permitiria se igualar a homens e fazer poesia. Nos próximos versos, o eu-líricoassume suas dificuldades e fala sobre alguns medos comuns às mulheres na época: “Aceito ossubterfúgios que me cabem, / sem precisar mentir.”. O eu-lírico se mostra conformado suacondição, sem mentir, transformando essas dificuldades em características dele próprio. Emseguida diz “Não sou tão feia que não possa casar, / acho o Rio de Janeiro uma beleza e / ora sim,ora não, creio em parto sem dor. / Mas o que sinto escrevo. Cumpro a sina.” neste trecho, o eu-lírico ao mesmo tempo em que fala de alguns de seus pontos positivos que a façam uma mulher “boa” para os requisitos da época, fala também dos medos das mulheres, de não casar e da dor do parto. Revela também que escreve o que sente, e por isso cumpre a sua sina, como se sua poesiafosse puramente sentimental, e seu único trabalho como poetisa fosse sentir.

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