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Eutanasia

Eutanasia

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A eutanásia (2006) de Angel Rodriguez Luño
A eutanásia (2006) de Angel Rodriguez Luño

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06/02/2013

 
A eutanásia
(2006)
1
 
Angel Rodrigues Luño
1.
 
Definição e tipos de eutanásia
A eutanásia evoca a ideia de uma morte digna e serena. Na linguagem actual o termoeutanásia pode ser utilizado com significados e finalidades muito diferentes, que vão dareivindicação da faculdade de recusar ou suspender uma terapia inútil e onerosa por um paciente terminal à justificação da supressão intencional da vida de uma pessoa que tem umadoença incurável
2
.Como tal, é necessário, antes de mais, precisar o que entende a teologia moral por eutanásia.Esta é «uma acção ou omissão que, por sua natureza, ou nas suas intenções, procura a morte,com o objectivo de eliminar toda a dor. A eutanásia situa-se, então, ao nível das intenções edos métodos usados»
3
. Esta definição de eutanásia encontra-se articulada em duas frases. A primeira frase procura fornecer uma descrição analítica, da qual se entende que a eutanásia éuma escolha deliberada de causar ou antecipar a morte, que pode ser realizada através deacções que por si causam directamente a morte (por exemplo, a administração de um veneno),ou por acções que em outras ocasiões poderiam ter, e de facto têm, uma finalidade terapêuticaou paliativa, mas que, neste caso concreto, são escolhidas conscientemente como meio decausar ou antecipar a morte; em ambos os casos age-se com a motivação de querer colocar umfim ao sofrimento. A segunda frase: «a eutanásia situa-se, então, ao nível das intenções e dosmétodos usados», realça o facto de a eutanásia consistir sempre na presença simultânea do propósito deliberado de causar a morte e da acção ou omissão que
hic et nunc
é a escolhida para a realizar 
4
. Em qualquer dos casos, o conceito de eutanásia implica a vontade de causar a
1
Parte de uma obra em preparação.
2
Cfr. D. Tettamanzi,
 Eutanásia. L’illusione della buona morte
, Piemme, Casale Monferrato 1985; E. Sgreccia,
Manuale di bioetica
, vol. I, 461-506; E. Schockenhoff,
 Etica della vita. Un compendio teologico
, 313-317,342-353; C. Lega,
Manuale di Bioetica e deontologia medica,
Giuffrè, Milano 1991, 275-317; D. Lamb,
 L’ettica alle frontiere della vita. Eutanasia e accanimento terapeutico
, Il Mullino, Bolgna 1998. Sobre a morte e a atitudehumana em relação a esta cfr. Ph. Ariés
 , L’uomo e la morte dal Medioevo ad oggi
, Laterza, Bari 1979; E.Kubler-Ross,
 La morte e il morire
, Cittadela, Assisi 1982; P. Laín Entralgo,
 Antropologia medica
, Paoline,Cinisello Bálsamo 1988, 365-391.
3
Congregação para a Doutrina da Fé,
 Declaração “Jura et Bona” sobre eutanásia
, 5-V-1980. Ver também“Evangelium Vitae”, nº 65 e Catecismo da Igreja Católica nº 2277. A definição da Declaração “Jura et Bona” foi pacificamente aceite pela Teologia moral.
4
É preciso notar que a Encíclica
 Evangelium Vitae
introduz uma ligeira variante na definição de eutanásia.Enquanto o texto latino da declaração
 Jura et bona
diz: «Nomine euthanasiae significatur actio vel omissio quae
 
morte. Trata-se de uma acção ou omissão que aqui e agora tem o objectivo de causar a morteindolor de um ser humano, a fim de lhe evitar o sofrimento, seja a seu pedido, seja pelaconsideração que à sua vida falta a qualidade mínima para que mereça o qualificativo dedigna.Referida à vontade do paciente distingue-se entre eutanásia voluntária, não voluntária einvoluntária. A eutanásia voluntária é pedida pelo próprio doente, que deseja libertar-se dosofrimento ou de um estado de invalidez que julga insuportável. Eutanásia não voluntária éaquela praticada a doentes que não têm a capacidade de exprimir a sua vontade (pessoas emcoma, recém-nascidos, doentes mentais). Fala-se, finalmente, de eutanásia involuntáriaquando esta é realizada contra a vontade do doente. No que respeita ao estado do doente distingue-se entre eutanásia
neonatal 
, realizada sobrecrianças disformes ou incuráveis;
terminal 
, realizada a doentes terminais ou em fase agónica;
 social ou económica
, realizada a doentes tidos como socialmente improdutivos;
eugénica
, para pessoas com doenças hereditárias ou realizada como um programa de melhoramento daraça.Quanto ao modo de a realizar, é possível distinguir a eutanásia realizada mediante uma acçãoque causa a morte ou mediante a omissão de uma cura necessária para a vida. O facto de hojea morte ser muitas vezes excessivamente medicalizada, e que existam meios técnicos para prolongar precariamente a vida, torna por vezes difícil a distinção entre a eutanásia e a recusalegítima ou suspensão de cuidados inúteis ou desproporcionados, ou seja, a recusa do que hojeé comummente denominado como obstinação terapêutica.
suapte natura vel consílio mentis mortem affert, ut hoc modo omnis dolor removeatur. Euthanasia igitur involuntatis propósito et procedendi rationibus, quae adhibentur, continetur», Evangelium Vitae diz: «Sub nomineEuthanasiae vero proprioque sensu accipitur actio vel omissio quae suapte natura et consílio mentis mortemaffert ut hoc modo omnis dolor removeatur. “Euthanasia igitur in voluntatis propósito et procedendi rationibus,quae adhibentur, continetur” (Jura et Bona, II)». A edição latina do Catecismo da Igreja Católica, de 15 deAgosto de 1997, posterior à Evangelium Vitae, retoma a formulação de “Jura et Bona”: «Sic actio vel omissioquae, ex se vel in intentione, mortem causat et dolorem supprimendum, occisionem constituit dignitati personaehumanae et observantiae erga Deum viventem, eius Creatorem, contrariam». A nós parece que a encíclicaEvangelium Vitae não quis oferecer uma noção de eutanásia diferente da que foi proposta pela Declaração Juraet Bona, e retomada depois pela edição típica do Catecismo. A encíclica de João Paulo II simplesmente retocou adefinição do ponto de vista linguístico, não conceptual e substancial, com o objectivo de delimitar de modoexplícito a extensão precisa de um pronunciamento moral de grande valor doutrinal (cfr. Evangelium Vitae nº65, 4), cuja exacta compreensão requeria não tanto a descrição das diversas modalidades de actuação daeutanásia directa, mas a explicitação das condições de consciência pessoal sob as quais a eutanásia constituisempre uma culpa moral grave. Como tal, ao afirmar que o pecado da eutanásia consiste numa acção ou omissãoque « suapte natura et consílio mentis mortem affert ut hoc modo omnis dolor removeatur», a EncíclicaEvangelium Vitae procura afirmar que o pecado da eutanásia requer que a causa da morte, além de ser escolhidadeliberadamente, deva ser também o fim querido pelo sujeito agente, por desespero, por razões económicas, por desprezo da vida humana, etc. O texto afirma claramente que na eutanásia se pressupõe que a motivaçãosubjectiva é «ut hoc modo omnis dolor removeatur».
 
A referida «Declaração sobre a eutanásia» propõe alguns critérios úteis para um juízo, quenão são mais que a aplicação ao nosso problema do princípio moral segundo o qual não existeo dever moral de recorrer ou de manter os meios terapêuticos desproporcionados. Estescritérios são quatro:1) «Na falta de outros remédios, é lícito recorrer, com o consenso do doente, aos meioscolocados à disposição pela medicina mais avançada, ainda que estejam ainda num estádioexperimental e não estejam isentos de algum risco. Aceitando-o, o doente poderá assim dar um exemplo de generosidade para o bem da humanidade».2) «É também lícito interromper a aplicação de tais meios, quando os resultados nãocorrespondem à esperança neles depositados. Porém, ao tomar uma tal decisão, é necessárioter em conta a vontade do doente e dos seus familiares, bem como o parecer de médicosverdadeiramente competentes; estes poderão, sem dúvida, julgar melhor que qualquer um se oinvestimento de meios e de pessoal é desproporcionado em relação aos resultados previsíveise se as técnicas realizadas impõem ao paciente sofrimentos e mal-estar maiores que os benefícios que delas se possam extrair».3) «É sempre lícito contentar-se com os meios normais que a medicina pode oferecer. Não se pode, como tal, impor a ninguém a obrigação de recorrer a um tipo de cuidados que, embora já em uso, todavia ainda não esteja isento de perigos ou seja muito oneroso. A sua recusa nãoequivale ao suicídio: significa a simples aceitação da condição humana ou o desejo de evitar  pôr em acção um dispositivo médico desproporcionado aos resultados que se poderiamesperar, ou mesmo a vontade de não impor custos demasiadamente pesados à família ou àsociedade».4) «Na iminência de uma morte inevitável, não obstante os meios usados, é lícito emconsciência tomar a decisão de renunciar a tratamentos que ofereceriam somente um prolongamento precário e penoso da vida, todavia sem interromper os cuidados normaisdevidos a um doente em casos similares. Assim sendo, o médico não deve ter motivo para seangustiar, como se não tivesse prestado assistência a uma pessoa em perigo»
5
.Segundo estes critérios, não se pode considerar eutanásia por omissão a recusa de reiterar tratamentos que se demonstraram como inúteis do ponto de vista terapêutico, e que sãoadoptados como a única finalidade de prolongar artificialmente por algum espaço de tempouma vida chegada à fase terminal, por doença ou condição extrema de velhice, razões pelasquais toda a terapia não tem outro efeito que causar novos sofrimentos e retirar a necessária
5
Congregação para a Doutrina da Fé,
 Declaração “Jura et Bona” sobre a eutanásia
, IV.

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