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Ao Leme Da Barca de Pedro - Magister

Ao Leme Da Barca de Pedro - Magister

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12/17/2013

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Capitão Ahab, interpretado por Gre-gory Peck no filme "Moby Dick", deJohn Huston, 1956.
Ao leme da barca de Pedro, nomeio do temporal
Há quem censure
Bento XVI
por ter um comando débil. Mas não é verdade.Todos os conflitos deste pontificado nasceram de decisões de governo. Decisõesfirmes e contra a corrente. As intrigas por detrás da expulsão de
Ettore GottiTedeschi
do
IOR 
.de Sandro Magister
Roma, 12 de junho de 2012
 
 – 
É grande adesordem debaixo do céu, numa cúriavaticana dilacerada por conflitos.O conflito mais explosivo combate-se nes-tes dias no campo das finanças. Combati-do sem caridade nem verdade, apesar donome da encíclica de
Bento XVI
, a "Cari-tas in Veritate".Este conflito chocou o mundo pela inaudi-ta brutalidade com que a 24 de maio
Etto-re Gotti Tedeschi
foi expulso do cargo depresidente e membro do
Instituto para asObras de Religião
(
IOR
), o banco do
Vaticano
.Mas o aspecto ainda mais surpreendentedeste e doutros confrontos abertos actual-mente na cúria e na Igreja é que
BentoXVI
está na sua origem primária.Não por debilidade de comando, como emmuitos lugares, e erradamente, se diz.Pelo contrário: por claros e fortes actos degoverno que ele assumiu. Com uma audá-cia consciente das oposições que suscita.
FINANÇAS DO VATICANO.O "MANDATO" DO PAPA
De facto, as verdadeiras razões pelas quaiso conselho de supervisão do
IOR
expul-sou
Gotti Tedeschi
não são as que foramindicadas na moção de censura. São muitodiferentes. São aquelas que já em dezem-bro de há dois anos tinham provocado umprimeiro confronto sério entre o presidentedo
IOR
e o Secretário de Estado,
TarcisioBertone
.Em dezembro de 2010 estavam prontaspara serem promulgadas pelo
Vaticano
novas regras que teriam aberto o caminhopara a admissão da
Santa Sé
na "whitelist" dos Estados europeus com os maiselevados padrões de transparência finan-ceira, e portanto da luta contra a recicla-gem de dinheiros ilícitos.Para redigir estas regras, e em especial alei depois conhecida pelo número 127,
Gotti Tedeschi
e o Cardeal
Attilio Nico-ra
, na época presidente da Administraçãodo Património da Sede Apostólica
 – 
umorganismo vaticano que também tem fun-ções bancárias
 – 
, chamaram os dois peri-tos italianos mais autorizados na matéria,
 Marcello Condemi
e
Francesco De Pas-quale
.Imediatamente, antes ainda de que taisregras fossem promulgadas e antes aindade que estivesse instituída a
Autoridadede Informação Financeira
(
AIF
) previs-ta por essas regras, dotada de poderes ili-mitados de inspecção de cada movimentode dinheiro realizado por qualquer orga-nismo interno ou ligado à
Santa Sé
,desencadeou-se contra ambas inovaçõesuma oposição duríssima.A oposição foi forte sobretudo por parteda direcção do
IOR
. E tinha apoio noCardeal
Bertone.
O director-geral do
IOR
,
Paolo Cipriani
,e os restantes membros da direcção ofere-ciam uma resistência incansável a que seretirasse o segredo sobre as contas deposi-tada no banco, numeradas ou não, algu-mas das quais sob investigação da magis-tratura italiana por suspeita de irregulari-dades. Segundo eles, o sigilo do
IOR
eraum elemento irrenunciável da autonomiado Estado da Cidade do
Vaticano
comoEstado soberano. Era sua convicção que areserva e o carácter de banco "offshore"eram ainda aspectos que tornavam o
IOR
 mais atractivo que outros bancos para asua clientela internacional. E que, semisso, estaria condenado a encerrar.Mas no dia 30 de dezembro de 2010
Ben-to XVI
em pessoa, com um
motu proprio
 – 
isto é, com um acto de governo assinadopessoalmente por ele
 – 
promulgou asnovas regras sem mudar uma vírgula doprojecto que tinha causado tanta oposição.E instituiu a
AIF
com todos os seus pode-res de inspecção, colocando à sua frente oCardeal
Nicora.
Com este motu proprio e com a encíclica"Caritas in Veritate"
Bento XVI
traçouuma linha de rumo claríssima, a caminhoda passagem definitiva das actividadesfinanceiras vaticanas para um regime demáxima transparência, internacionalmentecontrolada e reconhecida.Mas a oposição às novas regras e aospoderes da
AIF
não cessou com a entradaem vigor desejada pelo Papa. Cresceu,mesmo, de intensidade.No passado outono, a Secretaria de Estadoe o Governatorato da Cidade do
Vaticano
,em acordo com a direcção do
IOR
, rees-creveram de novo a lei 127. E no dia 25 de janeiro de 2012, por decreto, fizeramentrar em vigor uma nova versão, quelimitava fortemente os poderes de inspec-ção do
AIF
.
Gotti Tedeschi
e o cardeal
Nicora
contes-taram duramente a inversão de sentido,antes e depois de se ter implementado. Nasua opinião, isso vai custar a não admissãoda Santa Sé à "white list", como já fezpressentir, no passado mês de março, umainspecção ao
Vaticano
do
Moneyval
 
 – 
ogrupo do Conselho da Europa que avaliaos sistemas anti-branqueamento dos váriospaíses
 – 
rematada com um juizo desfavo-rável sobre a segunda versão da lei 127:oito notas negativas contra apenas duaspositivas, enquanto a versão anteriormerecera seis notas a favor, e apenas qua-tro negativas.E agora chegámos à "defenestração" de
Gotti Tedeschi
, acordada entre a direcçãodo
IOR
e Cardeal
Bertone
, contrariamen-te ao que foi dito em público por ummembro dessa direcção, o americano
Carl

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