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INTRODUÇÃO À GESTÃO AMBIENTAL DE RESÍDUOS
CASSIANA MAZZER
1
OSVALDO ALBUQUERQUE CAVALCANTI
2
1.Farmacêutica da empresa Solabia do Brasil. Rua 52.001, s/n - Zona 52 - Lote 237-C Distrito deFloriano - CEP 87105-000 - Maringá - PR - Brasil. Endereço eletrônico:2.Professor Departamento Farmácia e Farmacologia. Av. Colombo, 5790, Bloco P02. CEP 87020-900 Maringá/ParanáAutor responsável e-mail:
cassianamazzer@hotmail.com
INTRODUÇÃO
Os danos ambientais causados pelas catástrofes queocuparam a mídia, nestes últimos anos, são insignificantes,quando comparados aos danos cumulativos, na maioria dasvezes, imperceptíveis, provocados pela grande quantidadede poluentes menores disponibilizados ao meio ambientede maneira constante e gradativa.Vivemos num ecossistema no qual os recursos sãolimitados, mas cujo crescimento é ilimitado, e onde os recur-sos existentes são fortemente inter-relacionados e interde-pendentes. Uma postura exaustivamente consumista e des-cartável poderá inevitavelmente comprometer a qualidadede vida da espécie dominante.As descobertas dos inúmeros danos ambientais re-sultantes das práticas inadequadas das disposições dosresíduos têm aumentado o conhecimento e a preocupaçãoda população do planeta sobre esta questão. Nos últimosanos, esta preocupação tem sido manifestada e concretiza-da, através da promulgação de uma série de legislações fe-derais, estaduais e municipais.Com a legislação ambiental cada vez mais rígida, osprejuízos advindos de seu não-cumprimento podem apre-sentar um custo muito elevado aos infratores. Paralelamen-te, a conscientização do consumidor impulsiona-os a ad-quirir produtos que sejam considerados “verdes/limpos”,“ambientalmente corretos”, ou seja, produtos que, além deapresentarem boa qualidade, possuam uma linha de produ-ção que não gera comprometimento ambiental. Esses as-pectos vêm incentivando, a cada dia, a indústria a procurarsistemas eficazes que provoquem a redução de seus impac-tos ambientais, com custo de mercado compatível (Macêdo,2000).Empresas estão procurando adotar o Sistema de Ges-tão Ambiental (SGA). Esse sistema de gestão ambientalpermite à empresa controlar permanentemente os efeitosambientais de todo o seu processo de produção, desde aescolha da matéria-prima até o destino final do produto edos resíduos líquidos, sólidos e gasosos, levando-a a ope-rar da forma mais sustentável possível.Em um mercado globalizado, competitivo, consumi-dores, cada vez mais exigentes e alicerçado por uma legisla-ção comprometida com os anseios sociais futuristas, a ges-tão ambiental passou a ter caráter marcante e decisivo naescolha de produtos. Empresas tecnologica e culturalmentehabilitadas no efetivo controle dos seus processos, apre-sentam seus custos reduzidos, uma vez que consomemmenos matéria-prima e insumos, geram menos subprodu-tos, reutilizam, reciclam, lucram com seus resíduos e gastammenos com o manejo e controle da poluição e recuperaçãoambiental. As empresas ganham competitividade, por meioda gestão ambiental, tanto para a sua sobrevivência nomercado internacional, quanto para controle dos aspectosambientais, garantindo a sustentabilidade do processo de
 
Infarma 
 ,
 
v.16, nº 11-12, 2004
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desenvolvimento e, conseq
ü
entemente, a melhoria da qua-lidade ambiental e de vida da popula
çã
o.Neste contexto, a certifica
çã
o volunt
á
ria tem sidoacreditada como instrumento capaz de referendar a credibi-lidade das empresas frente ao comprometimento ambiental.A aplica
çã
o deste processo tem permitido aumento na ca-pacidade de competir no mercado tanto nacional como in-ternacional, um verdadeiro passaporte para os produtos.A certifica
çã
o tem sido implementada como par
â
me-tro na decis
ã
o de compra do cliente, por gerar credibilidade.Tem sido observada uma melhoria da qualidade dos proces-sos, produtos e da pr
ó
pria organiza
çã
o, com efetiva melho-ria dos processos, evitando e prevenindo a ocorr
ê
ncia dedefici
ê
ncias (falhas), reduzindo custos com retrabalho, per-das, desperd
í 
cios e inspe
çõ
es. Apesar desta avalanche nabusca pela certifica
çã
o volunt
á
ria, compartilhamos com aargumenta
çã
o que a certifica
çã
o n
ã
o sirva apenas comoprop
ó
sito publicit
á
rio, mas como mecanismo habilitado nagarantia e manuten
çã
o da seguran
ç
a e qualidade dos pro-dutos, servi
ç
os ofertados, e compromisso ambiental (RO-SENBERG, 2000).
DESENVOLVIMENTO
Conforme observamos, a sociedade dotada de umaconsci
ê
ncia comprometida e voltada a garantir a manuten-
çã
o da qualidade de vida das futuras gera
çõ
es, tem busca-do mecanismos capazes de estimularem a cria
çã
o de normase diretrizes comprometidas com a implementa
çã
o de umapol
í 
tica nacional s
é
ria, atrelada
à
s tend
ê
ncias internacio-nais e fundamentada no avan
ç
o do conhecimento t
é
cnico-cient
í 
fico da humanidade. Objetivando minimizar a produ-
çã
o de res
í 
duos e garantindo aos res
í 
duos obrigatoriamen-te formados, destino seguro e adequado, permitindo prote-
çã
o dos recursos naturais e meio ambiente.Iniciativas voltadas a atender estas expectativas t
ê
msido constantemente publicadas. Especificamente, legisla-
çã
o voltada
à
 
á
rea de sa
ú
de foi recentemente publicada: aResolu
çã
o RDC n
°
. 33, em cinco de mar
ç
o de 2003, sendoesta voltada
à
necessidade de prevenir e reduzir os riscos
à
sa
ú
de e o meio ambiente, propondo gerenciando do desti-no correto dos res
í 
duos dos servi
ç
os de sa
ú
de.Esta norma, em seu Cap
í 
tulo IV, prev
ê
a responsabi-lidade dos profissionais que, devidamente habilitados, de-ver
ã
o executar as atribui
çõ
es concernentes. Abaixo, est
ã
ocitados alguns conceitos b
á
sicos mencionados nesta Re-solu
çã
o, especial aten
çã
o dos profissionais farmac
ê
uticosdever
á
recair sobre manejo dos res
í 
duos concernentes aoGrupo B (Qu
í 
micos) B1
res
í 
duos de medicamentos ou in-sumos farmac
ê
uticos (produtos hormonais, antibacterianos,citost
á
ticos, antineopl
á
sicos, imunossupressores, anti-re-troviaris...):
1.Classifica
çã
o dos res
í 
duos do servi
ç
o de sa
ú
de,segundo a Resolu
çã
o 33, de 25 de fevereiro de 2003
:
Grupo A (potencialmente infectantes) - res
í 
duoscom a poss
í 
vel presen
ç
a de agentes biol
ó
gicosque, por suas caracter
í 
sticas de maior virul
ê
nciaou concentra
çã
o, podem apresentar risco de in-fec
çã
o;
Grupo B (qu
í 
micos) - res
í 
duos contendo subs-t
â
ncias qu
í 
micas que apresentam risco
à
sa
ú
dep
ú
blica ou ao meio ambiente, independente desuas caracter
í 
sticas de inflamabilidade, corrosi-vidade, reatividade e toxicidade;
Grupo C (rejeitos radioativos)
s
ã
o considera-dos rejeitos radioativos quaisquer materiais re-sultantes de atividades humanas que contenhamradionucl
í 
deos em quantidades superiores aoslimites de isen
çã
o especificados na norma CNEN-NE-6.02
 
Licenciamento de Instala
çõ
es Radia-tivas
, e para os quais a reutiliza
çã
o
é
impr
ó
priaou n
ã
o prevista;
Grupo D (res
í 
duos comuns)
s
ã
o todos os res
í 
-duos gerados nos servi
ç
os abrangidos por estaResolu
çã
o que, por suas caracter
í 
sticas, n
ã
o ne-cessitam de processos diferenciados relaciona-dos ao acondicionamento, identifica
çã
o e trata-mento, devendo ser considerados res
í 
duos s
ó
li-dos urbanos - RSU.
Grupo E
perfurocortantes
s
ã
o os objetos einstrumentos contendo cantos, bordas, pontosou protuber
â
ncias r
í 
gidas e agudas, capazes decortar ou perfurar.Os res
í 
duos tamb
é
m s
ã
o classificados de acordo como estado f 
í 
sico em: res
í 
duos s
ó
lidos, efluentes l
í 
quidos eemiss
õ
es gasosas.
 2.
RES
Í
DUOS S
Ó
LIDOS2.1Defini
çã
o
Para os res
í 
duos, a defini
çã
o legal encontra-se naResolu
çã
o Conama 5, de 05/08/93, que se aplica aos res
í 
du-os s
ó
lidos gerados nos portos, aeroportos, terminais ferro-vi
á
rios e rodovi
á
rios e estabelecimentos prestadores deservi
ç
o de sa
ú
de. Esta resolu
çã
o serve de par
â
metro aodefinir res
í 
duo s
ó
lido como sendo:
Res
í 
duo em estados
ó
lido e semi-s
ó
lido, que resultam de atividades da comuni-dade de origem: industrial, dom
é
stica, hospitalar, comercial,agr
í 
cola, de servi
ç
o e de varri
çã
o
.
2.2Gera
çã
o de res
í 
duos s
ó
lidos
Os res
í 
duos s
ó
lidos est
ã
o entre as principais preo-cupa
çõ
es da sociedade. O crescimento da popula
çã
o, o de-senvolvimento industrial e a urbaniza
çã
o acelerada, atrela-dos
à
postura individualista da sociedade, v
ê
m contribuin-do para o aumento do uso dos recursos naturais e para agera
çã
o dos res
í 
duos. Na maioria das vezes, esses res
í 
duoss
ã
o devolvidos ao meio ambiente, de forma inadequada,levando
à
contamina
çã
o do solo e das
á
guas, trazendo v
á
-rios preju
í 
zos ambientais, sociais e econ
ô
micos.O problema do volume de res
í 
duos s
ó
lidos est
á
liga-
 
69
Infarma 
 ,
 
v.16, nº 11-12, 2004
do
à
produ
çã
o industrial de bens de consumo e intimamen-te ligado ao crescimento populacional e, em todos os pa
í 
-ses, os problemas decorrentes s
ã
o semelhantes (Barros,2002).Jardim et al (1995) citam que o aumento da popula-
çã
o mundial implica no aumento do uso das reservas doplaneta, da reserva de produ
çã
o de bens e tamb
é
m da gera-
çã
o de lixo.Segundo Paulella & Scapim (1996),
... tanto nos pa-
í 
ses industrializados, como nos pa
í 
ses em desenvolvimen-to, aumenta, ano ap
ó
s ano, a quantidade de res
í 
duos e deprodutos que se tornam lixo, e apenas o Jap
ã
o e a Alemanhat
ê
m diminu
í 
do a quantidade de lixo por habitante
.Trabalhos apontam o aumento do volume do lixosem tratamento, no Brasil, e a eleva
çã
o de seu teor t
ó
xico.Esta situa
çã
o tem sido comparada a uma bomba rel
ó
gio,que poder
á
explodir, a qualquer momento. Os res
í 
duos s
ó
li-dos t
ê
m recebido tratamento de segunda categoria e aindan
ã
o existe voca
çã
o e uma consci
ê
ncia pol
í 
tica dos gover-nantes, parlamentares e demais autoridades, efetivamentecomprometida com a implementa
çã
o de pol
í 
ticas preventi-vas e corretivas (Barros, 2002).
2.3Separa
çã
o e acondicionamento dos res
í 
duos s
ó
lidos
A empresa geradora dos res
í 
duos deve ser respon-s
á
vel pela separa
çã
o entre res
í 
duos perigosos e res
í 
duoscomuns. Ap
ó
s a identifica
çã
o e a sua separa
çã
o, os res
í 
du-os devem ser colocados em recipientes adequados, paraque se possa ter a sua coleta, tratamento e destina
çã
o final,de acordo com suas caracter
í 
sticas (SIQUEIRA, 2001).
2.4Coleta, armazenagem e transporteColeta interna
É
aquela realizada, dentro do local gerador do res
í 
-duo, que consiste no recolhimento do lixo da lixeira, no fe-chamento dos recipientes e no transporte at
é
o local deter-minado para armazenagem, at
é
que se fa
ç
a a coleta externa(Siqueira, 2001).
Armazenagem
O termo armazenagem refere-se
à
guarda tempor
á
riados res
í 
duos, at
é
que seja feita a coleta externa (Siqueira,2001).
Coleta externa
Consiste no recolhimento do res
í 
duo armazenado,at
é
o ve
í 
culo transportador, trabalho este realizado pelo pro-fissional da empresa de coleta de lixo (Siqueira, 2001).
Transporte
Os ve
í 
culos utilizados para o transporte tamb
é
m dis-p
õ
em de certas especifica
çõ
es e autoriza
çõ
es dos
ó
rg
ã
oscompetentes, inclusive com vistorias regulares, para quen
ã
o haja problemas at
é
a destina
çã
o final dos res
í 
duos (Si-queira, 2001).
2.5Gest
ã
o de res
í 
duos s
ó
lidos
Conforme Paulella & Scapim (1996), a gest
ã
o de res
í 
-duos deve estar alicer
ç
ada sobre condi
çõ
es ambientais ade-quadas, em que sejam considerados todos os aspectos en-volvidos, desde a fonte geradora at
é
a disposi
çã
o segura,assim como os aspectos de reciclagem m
á
xima dos res
í 
du-os, buscando, inclusive, incorporar as mudan
ç
as dos pa-dr
õ
es de produ
çã
o e consumo.Na Agenda 21 (Confer
ê
ncia das Na
çõ
es Unidas so-bre Meio Ambiente e Desenvolvimento. Rio de Janeiro,1992), documento elaborado por 178 pa
í 
ses na
 Rio-92
, aquest
ã
o dos res
í 
duos s
ó
lidos recebeu aten
çã
o especial pelaimport
â
ncia que a produ
çã
o crescente de dejetos dessanatureza vem assumindo. O cap
í 
tulo 21, se
çã
o II -
Buscan-do Solu
çõ
es para o Problema do Lixo S
ó
lido
, foi integral-mente dedicado a esta quest
ã
o.A busca de solu
çõ
es integradas e compat
í 
veis comos princ
í 
pios b
á
sicos expressos na Agenda 21 (minimiza-
çã
o dos res
í 
duos; reciclagem e reutiliza
çã
o; tratamento am-bientalmente seguro; disposi
çã
o ambientalmente segura;substitui
çã
o de mat
é
rias-primas perigosas e transfer
ê
ncia edesenvolvimento de tecnologias limpas) deveria nortear, emn
í 
vel mundial, as a
çõ
es governamentais, organiza
çõ
es egrupos setoriais respons
á
veis pela gest
ã
o de res
í 
duos.Segundo Leite (1997), o conceito de gest
ã
o de res
í 
-duos s
ó
lidos abrange atividades referentes
à
tomada dedecis
õ
es estrat
é
gicas e
à
organiza
çã
o do setor para essefim, envolvendo institui
çõ
es, pol
í 
ticas, instrumento e mei-os. Uma vez definido um modelo de gest
ã
o de res
í 
duoss
ó
lidos, deve-se criar uma estrutura para o gerenciamentodos res
í 
duos.
2.6Gerenciamento de res
í 
duos s
ó
lidos
A
US EPA – United States Environmental Protecti-on Agency
(1989), define que um gerenciamento integradode res
í 
duos s
ó
lidos
é
aquele que completa o uso de pr
á
ticasadministrativas de res
í 
duos, com manejo seguro e efetivo,fluxo de res
í 
duos s
ó
lidos urbanos, com o m
í 
nimo de impac-tos sobre a sa
ú
de p
ú
blica e o ambiente. Este sistema degerenciamento integrado de res
í 
duos dever
á
conter algunsdos seguintes componentes:
Redu
çã
o de res
í 
duos (incluindo reuso dos pro-dutos);
Reciclagem de materiais (incluindo composta-gem);
Recupera
çã
o de energia por res
í 
duo combust
í 
-vel;
Disposi
çã
o final (aterros sanit
á
rios).De acordo com Barros (2002), a responsabilidade pelogerenciamento dos res
í 
duos s
ó
lidos urbanos
é
da adminis-tra
çã
o p
ú
blica municipal, por
é
m o gerenciamento de outrostipos de res
í 
duos s
ó
lidos
é
de responsabilidade do seu ge-rador.A estrat
é
gia para o gerenciamento dos res
í 
duos in-dustriais, por exemplo, passa pela responsabiliza
çã
o dos

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