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Uroanálise livro

Uroanálise livro

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Published by: Natália Gabriele Hösch on Jun 17, 2012
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11
 
INTRODUÇÃO À URIANÁLISE1.1 HISTÓRIA E IMPORTÂNCIA DA URINÁLISEAntes dos grandes avanços tecnológicos verificados no século XX a urina era oprincipal fluído corpóreo utilizado por médicos no o diagnóstico e o prognóstico depatologias. Entretanto, importância histórica da uroscopia ou uroanálise no diagnóstico temsido tratada de forma depreciativa. Apesar de a uroscopia ter sido usada, muitas vezes, naprática de fraudes a sua utilização adequada teve importante participação no diagnósticomédico, mesmo antes de ser possível a realização da análise química da urina.A análise de amostras de urina para fins diagnósticos já era realizada em 1000 ACpor sacerdotes egípcios que utilizavam amostras de urina para realizar um procedimentoque pode ser considerado como o primeiro teste diagnóstico descrito na literatura. O testetinha como objetivo não apenas confirmar a gravidez, mas também identificar o sexo dofeto e consistia em derramar urina recém emitida sobre uma mistura de sementes de cereais.Caso as sementes germinassem o teste era considerado positivo para gravidez, edependendo do tipo de sementes que germinava seria possível prever o sexo do feto (Lines,1977).O exame de urina, da forma como é realizado atualmente parece ter sidodesenvolvido a
 partir da “uroscopia”, ou observação de características físicas de amostras
de urina conforme de do livro
Os Prognóstico
s”
, descrito por Hipócrates (460-370 AC). Auroscopia desenvolvida por Hipócrates se constituía na observação de verificadas nacomposição da urina durante o curso de estados febris verificados em crianças e adultos.Esta análise incluía a observação de diferenças na cor, no odor e no aspecto do sedimentodas amostras de urina.Para Hipócrates a análise de urina era considerada efetiva não apenas parademonstrar variações no equilíbrio dos quatro humores, mas também na localização dedoenças no corpo com finalidade de realizar um prognóstico (Foster,1961). Contudo,Hipócrates não descreveu detalhadamente as qualidades de amostras de urina que indicam
a ausência de doenças. Ele apenas descreveu que uma urina “boa” é aquela em que o“sedimento é branco, uniforme e pequeno, nem espesso ou fino e de cor apropriada”,conforme consta em “
 Hipocrates: Teory and Practice of Medicine
”(Citadel Prer 
ss,1964).
Em estudo realizado Elknoyan (1988) verificou que nos livros “As Epidemias”Hipócrates descreveu que, “algumas urinas por outro lado não tem valor”. Alem disso,
segundo Alvarez (1999) existem nestes livros, forte ênfase no registro de sinais eocorrências verificadas em pacientes que morreram, com objetivo de a partir destes dados
 poderem ser realizadas previsões ou prognósticos. Em seu livro “Os Aforismos” se verificaque Hipócrates descreveu proposições como por exemplo: número 32, “A urina qu
e é
transparente na sua superfície e apresenta sedimento bilioso indica que a doença é aguda”;número 33, “Quando a urina sofre alterações, um violento distúrbio está ocorrendo nocorpo”; número 34, “Bolhas flutuando na superfície da urina indicam infecçõe
s nos rins e
que a doença será longa” e número 70, “A urina límpida e branca é um mau sinal em casosde loucura”. Estas proposições demonstram que a uroscopia por ele desenvolvida mais
direcionada ao prognóstico de pacientes doentes do que ao diagnóstico de doenças.Tanto Hipócrates como posteriormente Aritóteles (384-322 AC) desenvolveramseus estudos, em parte, pelo menos, a partir da famosa teoria de que a vida é mantida peloequilíbrio dos quatro humores, cada um procedente de uma determinada parte do corpo
 
2humano e tendo diferentes qualidades: (i) o sangue (coração), que é quente e úmido; (ii) afleuma (cérebro), fria e úmida; (iii) a bílis amarela (fígado), quente e seca; e (iv) a bílis(baço), fria e seca. Assim,
 
do predomínio de um destes humores na constituição doindivíduo, resulta um determinado tipo fisiológico ou caráter:
 
o
 
sanguíneo
 ,
o
 
fleumático, ocolérico
 
ou
 
o
 
melancólico.No final do século VI e início do século VII Teophilus de Constantinopla escreveuum texto de urologia cujo objetivo foi preencher lacunas deixadas por Hipócrates e Galeno.Ele considerou as interpretações e os trabalhos destes e de outros inadequados, escrevendoè necessário procurar uma doutrina diferente e não examinar em vão as coisas comoimaginadas por eles, e não l
evar em consideração opiniões e fatos que são duvidosas”. Em“A Urina” ele não apenas define pela primeira vez urina como um filtrado do sangue e
como ela é formada, mas introduziu inovações instrutivas que transformaram a uroscopiaem uma ferramenta diagnóstica de doenças. Entre as inovações introduzidas podemosressaltar: a) a descrição da cor da urina baseado em espectro utilizando dez tonalidadescromáticas que foram divididas em duas categorias (fina e espessa); b) a dedicação decapítulos específicos a varias partículas sólidas divididas por aspecto e cincocores,sedimento normal e aspecto turvo. Ele verificou, ainda, que as propriedades da urinaestão relacionadas com o ar, o nível de umidade, e que a consistência ou cor pode variarcom o tempo após a colheita. Além disso ele introduziu uma padronização na observaçãodas amostras com objetivo de reduzir as variações intra-observador e entre observadores edescreveu que através da analise da urina é possível diagnosticar doenças escondidas emoutros órgãos.Nó século XVI um pequeno grupo de cientistas liderados por TheophrastusBombastus Von Hohenheim, conhecido como Paracelso (1493-1541) insistia em nãoapenas olhar para a amostra de urina, queria obter mais informações da urina edesenvolveram novos métodos para verificar o que ela continha. Alguns destes métodos semostraram úteis, como quando adicionou vinagre a algumas amostras de urina e verificoua precipitação de proteínas (Pagel, 1962). Assim este grupo iniciou o que denominamosatualmente de exame químico da urina.O exame de urina sofreu evoluções ao longo da história. No século XX, entre oscientistas que mais contribuíram para a evolução do exame de urina esta Thomas Addis(1881 a 1949) e o brasileiro Sylvio Soares de Almeida com seu estudo publicado na Revista
do Hosptital das Clínicas, em 1961, com título “Estudos sobre infecções urinárias nãoespecíficas”.
 Atualmente a realização do exame de urina inclui a análise macroscópica (cor,espuma e transparência), o exame físico (densidade), o exame químico (pH, proteínas,glicose, hemoglobina, cetonas, bilirrubina, urobilinogênio, nitrito, esterase de leucócitos) eo exame microscópico (células, leucócitos, hemácias, cilindros, cristais, bactérias, etc.).Mas a padronização de sua realização, apesar de existir em diferentes países, inclusive noBrasil, apresenta diferenças significativas (
 European Urinalysis Guideline,
2000; NCCLS,2001; ABNT NBR 15268, 2005).A solicitação de sua realização inclui razões como: a) auxiliar no diagnóstico dedoenças; b) realizar triagem de populações para doenças assintomáticas, congênitas, ouhereditárias; c) monitorar a progressão de doenças; d) monitorar a efetividade oucomplicação da terapia e, e) realizar a triagem de trabalhadores de indústrias para doençasadquiridas (NCCLS, 2001).
 
3O exame de urina constitui ferramenta importante no: a) diagnóstico eacompanhamento de infecções do trato urinário; b) diagnóstico e acompanhamento dedoenças não infecciosas do trato urinário; c) detecção de glicosúria de grupos de pacientesadmitidos em hospitais em condição de emergência; d) controle de pacientes diabéticos e e)acompanhamento de pacientes com determinadas alterações metabólicas como vômitos,diarréia, acidose, alcalose, cetose ou litíase renal recorrente (
 European UrinalysisGuideline,
2000; NCCLS, 2001).2 ANATOMIA E FISIOLOGIA RENAL2.1 ANATOMIA DO TRATO URINÁRIO E RENALO trato urinário é constituído de dois rins e dois ureteres, da bexiga e da uretra. Aunidade funcional do rim onde a urina é formada é denominada de néfron. Depois deformada, a urina segue pelos ureteres até a bexiga, onde ela é armazenada até ser eliminadaatravés da uretra (Figura 1).O rim de um indivíduo adulto pesa, mais ou menos, 150g, tem a forma de feijão emede, aproximadamente, 12 cm de comprimento, 6 cm de largura e 2,5cm de espessura. Naparte côncava do rim se localiza o hilo por onde os nervos, vasos sangüíneos e linfáticosentram e saem e é por onde sai o ureter que conecta cada rim a bexiga. O rim pode, ainda,ser dividido em três regiões, córtex, medula e pelve. Cada rim contém, aproximadamente,1.200.000 néfrons.Cada néfron começa como uma área dilatada denominada de glomérulo, seguido dotúbulo contornado proximal, da alça de Henle e do tubo contornado distal.Apesar de todos os corpúsculos renais se encontrarem na região da córtex renalexistem dois tipos de néfrons denominados de corticais e justaglomerulares. A diferençaentre esses dois tipos de néfrons começa pela localização. Os néfrons corticais apresentamo corpúsculo renal e, também, as partes posteriores localizadas na região cortical, enquantoos néfrons justaglomerulares tem o glomérulo, tubo contornado proximal e tubo contornadodistal localizado nesta região, enquanto a alça de Henle se localiza na região medular.O glomérulo é formado quando a arteríola aferente se divide em uma rede da alçasconstituída de 4 a 8 alças capilares na forma de tufo, cujo diâmetro é de, aproximadamente
200μ de diâmetro. O tufo capilar glomerular invagina o epit
élio da cápsula de Bowman demodo ele tenha apenas uma camada de células epiteliais em seu redor. Assim, o gloméruloé constituído de capilares e uma membrana basal recoberta de células epiteliaisespecializadas denominadas de podócitos que estão separadas da cápsula remanescente porum espaço denominado de espaço de Bowman. A cápsula de Bowman é constituída de umasimples camada de células escamosas sustentadas por uma lâmina basal e uma fina camadade fibras reticulares.O túbulo contornado proximal é constituído por células epiteliais que apresentaminvaginações e interdigitações com células vizinhas e sua superfície luminal é provida demicrovilosidades que formam uma escova, ampliando a superfície de contato e facilitando areabsorção tubular. No interior das células tubulares proximais se encontra bomba de sódioe potássio e grande quantidade de mitocôndrias, o que característico de células envolvidasem transporte ativo de solutos.Existem três tipos de alças de Henle, a cortical, a curta e a longa. As alças corticaisnão entram na região da medula renal e são parte dos néfrons corticais, cujos glomérulos

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