Sono e envelhecimento –
Geib et alii
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R. Psiquiatr. RS,
25 '
(3): 453-465, set./dez. 2003
ção noturna e quedas
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. Essa sintomatologiapermite afirmar que sono e repouso são fun-ções restauradoras necessárias para a preser-vação da vida, o que por si só justifica a neces-sidade dos profissionais de saúde atualizaremseus conhecimentos acerca das alterações fisi-ológicas que ocorrem no sono com a velhice,assim como sobre os fatores que interferem nosono saudável, tais como doenças clínicas, co-morbidades psiquiátricas e eventos psicossoci-ais.Ressalta-se que, embora os idosos geral-mente relatem suas queixas relacionadas aosono, muitos não o fazem
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por não concebê-las como disfunções, mas como eventos nor-mais do processo de senescência. Isso contri-bui para o subdiagnóstico e o aumento noconsumo de drogas hipnóticas, nem sempreprescritas e consumidas com observância àsensibilidade farmacodinâmica da idade
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e àsalterações no desempenho diário do idoso. Mar-sh
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constatou que cerca de 40% de todas asdrogas hipnóticas são usadas por pessoas aci-ma de 60 anos de idade (12% da população),um consumo muito maior do que em qualqueroutra faixa etária. Essas drogas não são isen-tas de efeitos colaterais ou de interação medi-camentosa e são consumidas concomitante-mente com muitos medicamentos(polifarmácia), prescritos ou não, o que contri-bui para aumentar as influências exógenas so-bre o processo saúde-doença. Uma boa noitede sono foi associada com melhor performancecognitiva em idosos que dormem bem e naque-les que não utilizam drogas hipnótico-sedati-vas
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.Atualmente, a exemplo de outras dificulda-des relacionadas à idade, como memória e cog-nição, a tendência é de considerar as perturba-ções do sono e suas implicações comoacontecimentos
anormais
associados ao enve-lhecimento. Devem, pois, merecer uma criterio-sa avaliação diagnóstica e intervenções tera-pêuticas, incluindo medidas nãofarmacológicas, que possam melhorar a quali-dade de vida na velhice, pois, embora as altera-ções afetem a profundidade e a duração dosono, os idosos
saudáveis
mantêm a capacida-de de dormir e restaurar a energia funcional.Por outro lado, a incapacidade para dormir foicorrelacionada com a gravidade da diminuiçãocognitiva e, freqüentemente, de abandono decuidados domiciliares prestados pela famíliaaos pacientes demenciados
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. Além disso, osdistúrbios do sono são também a maior causade abuso de medicação psicotrópica
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. Em vistadisso, as queixas relativas ao sono, que ten-dem a aparecer com maior freqüência na tercei-ra idade, merecem ser avaliadas e encaradascomo problemas – quer sejam decorrentes doprocesso de senescência ou caracterizadoscomo doenças orgânicas ou psiquiátricas - umavez que seu aparecimento ou exacerbação po-dem ser prevenidos com a devida valorização,investigação e intervenção.Na perspectiva de contribuir com a promo-ção de um sono restaurador e com o bem-estardiurno da população geriátrica, por meio deuma atuação profissional qualificada, o artigotem por objetivos: revisar as mudanças no pa-drão de sono relacionadas com o envelheci-mento normal; discorrer sobre as disfunçõesdo sono em idosos saudáveis e apresentar al-gumas estratégias de manejo clínico das mes-mas nos aspectos preventivo e terapêutico.1. PADRÕES DE SONO NOENVELHECIMENTOO sono tem sido definido como um estadofisiológico complexo, que requer uma integra-ção cerebral completa, durante a qual ocorremalterações dos processos fisiológicos
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e com-portamentais, como mobilidade relativa e au-mento do limiar de respostas aos estímulosexternos. É um estado descontínuo organizadoem fases que se diferenciam por traçados ele-troencefalográficos específicos.Dois fatores controlam a necessidade fisio-lógica de sono: a arquitetura intrínseca e oritmo circadiano de sono e vigília.
a)Arquitetura do sono
Para um estado ótimo de vigília, o adultorequer uma média de 7- 8 horas de sono em umperíodo de 24 horas, com despertares noturnosque representam até 5% do tempo total nacama
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. Os ciclos de sono nessa faixa etáriacaracterizam-se por apresentar um padrão noqual o indivíduo passa 30% sonhando, 20% emsono profundo e 50% em sono leve. Essesciclos de sono são observados em traçadoseletroencefalográficos, cujas característicaselétricas, comportamentais e funcionais permi-tem classificar o sono em duas fases: 1)
NREM:
caracterizado por sono de ondas lentas ou sin-cronizadas. É a fase que inicia o sono e oaprofunda gradativamente, à medida que asondas cerebrais se tornam progressivamentemais lentas. O sono NREM é dividido em quatroestágios, numerados de I a IV. O sono, noadulto, inicia no estágio I (5 % do tempo totalem sono), seguido do II (45%), III e IV (25%)
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