Welcome to Scribd, the world's digital library. Read, publish, and share books and documents. See more
Download
Standard view
Full view
of .
Save to My Library
Look up keyword
Like this
14Activity
0 of .
Results for:
No results containing your search query
P. 1
Sustentabilidade Ambiental

Sustentabilidade Ambiental

Ratings: (0)|Views: 1,079 |Likes:

More info:

Published by: www.mundodacana.blogspot.com on Jan 06, 2009
Copyright:Attribution Non-commercial

Availability:

Read on Scribd mobile: iPhone, iPad and Android.
download as PDF, TXT or read online from Scribd
See more
See less

09/14/2012

pdf

text

original

 
 
Capítulo 9 – A SUSTENTABILIDADE AMBIENTAL DA CANA-DE-AÇUCAR
O combate aquecimento global entrou definitivamente na agenda de váriosgovernos nacionais e da comunidade internacional. Segundo a ONU, caso nada sejafeito, até 2030 as emissões de gases do efeito-estufa poderão ser 90% maiores que asatuais; a concentrão de carbono atmosférico, que hoje é de 379 ppm, pode atingir 710ppm e a temperatura na Terra poderá aumentar 4ºC, causando impactos catastróficospara a vida terrestre (O ESTADO DE SÃO PAULO, 2007). A constatação de que o planetanão está conseguindo pagar a conta da energia que faz o mundo girar deu início a umacorrida pelo desenvolvimento de fontes energéticas renováveis e limpas. Sorte do Brasil,que tem a cana-de-açúcar e seu etanol, e sorte do mundo, que o tem o Brasil e seuetanol de cana-de-açúcar.A última frase do parágrafo anterior pode fazer com que a saída para o imensoproblema que se configura pareça simples, mas não é. Os biocombustíveis não são asolução para o problema do aquecimento global, mas com certeza são parte importantedela. Para enxergar o potencial da contribuição do etanol brasileiro nesta luta, bastaanalisar os efeitos de seus balanços, energético e de carbono, expostos neste capítulo,nas emissões de gás carbônico da indústria, transportes e geração de energia. Noentanto, muitos se questionam se os modos com os quais os biocombustíveis sãoproduzidos realmente contribuem para o meio-ambiente, ou na verdade acabamcausando outros problemas.Uma preocupação crescente na sociedade é aliar desenvolvimento econômico,responsabilidade social e boas práticas ambientais. São essas as três dimensões queformam o conceito de sustentabilidade, que cada vez mais molda o relacionamentoentre empresas, poder público, organizões não-governamentais e cidadãos.Este capítulo tem como objetivo analisar de que forma a atividade canavieiraresponde a essa pressão na dimensão ambiental.
 
Para tanto, apresenta-se ao leitorinformações sobre as reais implicações da atividade no meio-ambiente e se procuraesclarecer como esta se encaixa nas premissas de sustentabilidade de um modeloreconhecido por alguns dos principais foros internacionais de agronegócios, o PINS(Projeto Integrado de Negócios Sustenveis).
 
Além da análise das condições de sustentabilidade do PINS, foi essencial para aformulação deste capítulo o estudo de obras de pesquisadores renomados como osdoutores Isaías Macedo, do Núcleo Interdisciplinar de Planejamento Estratégico daUnicamp; Laura Tetti, especialista da UNICA e Roberto Rodrigues, ex-ministro daagricultura e atual presidente do Conselho Superior do Agronegócio da Fiesp. Contribuiutambém a leitura de artigos de Suani Teixeira Coelho, secretária executiva da Cenbio;Maria Aparecida Vicente Cano, do Jornal Cana; Aldo Roberto Ometto, Jo Alfredo deC. Mangabeira e Marcos C. Hott, da Embrapa; e de Helena Ribeiro e João Vicente deAssunção, da USP. Dados do Ministério do Meio-Ambiente e da UNICA também foramutilizados.
1 – Cana-de-açúcar: uma cultura cada vez mais limpa
Atualmente, qualquer empresa que tenha uma visão de longo prazo e quebusque se tornar cada vez mais competitiva, não pode ignorar as premissas desustentabilidade. A vigília da sociedade pode ser expressa tanto nas escolhas doconsumidor (mecanismos de mercado) como em regulamentações promovidas pelas
 
 
instituições governamentais (legislação). Ademais, o que importa agora é o somente aimagem do produto em si, mas sim se todos os processos dos sistemas de produção sãoambiental e socialmente corretos.No caso das atividades agropecuárias, de modo geral, sua estreita relão com omeio-ambiente faz com que as preocupações nesse âmbito tendam a se destacar,resultando normalmente em arrocho da legislação ambiental e/ou de sua fiscalizão. Éo que acontece com a cultura da cana-de-açúcar no Brasil. Soma-se a isso, a recenteperspectiva de expansão do mercado mundial de etanol, originada das metas de adiçãoà gasolina propostas por um número crescente de países.Tal perspectiva tem sido acompanhada por preocupações compreensíveis, mastambém por algumas críticas incabíveis à produção de cana-de-açúcar do Brasil. Dequalquer forma, fica evidente a importância dos aspectos de sustentabilidade para odesenvolvimento do mercado internacional de álcool combusvel.É isso que se tem no modelo PINS: uma visão sistêmica que engloba toda cadeiaagroindustrial (insumos, produção agrícola, industrialização e distribuição) em torno denegócios sustentáveis. No escopo ambiental, as principais sugeses discutidas no modelosão: (a) preocupação com preservação do meio-ambiente, (b) ecoeficiência através doaproveitamento de subprodutos e (c) crião de certificações uniformes e amplamenteaceitas que garantam boas práticas ambientais. A partir de agora, pode-se notar comotais considerões se encaixam na dinâmica atual da cadeia agroindustrial da cana-de-açúcar.Graças à atuação de diversas instituições de pesquisa, a cadeia agroindustrial dacana-de-açúcar tem desenvolvido processos e tecnologias cada vez mais eficientes emenos prejudiciais ao meio-ambiente, seja na frente agrícola ou na indústria. Algumasdessas instituições são privadas, como o CTC (Centro de Tecnologia Canavieira), a Allelyxe a Canavialis; enquanto outras são públicas, como IAC (Instituto Agronômico deCampinas), a Embrapa, a USP (onde se localiza a ESALQ), a UNESP e diversos outrosInstitutos e Universidades.Como explica Macedo (2006), algumas dessas contribuições começaram aindano final do século XIX com a introdução de variedades de cana mais propícias àscondições naturais do Brasil, se estendendo, ao longo do tempo, com o desenvolvimentode outras melhorias nas operações e no gerenciamento técnico tanto das lavourasquanto das indústrias. Vale destacar a introdão de controles biológicos, a utilização desubprodutos e resíduos e a mecanização da colheita. Em conjunto, tais inovaçõesresultam não somente no aumento da produtividade, mas também na reduçãosignificativa na demanda por insumos e na conservação do solo, dentre outras melhorias.Entre o início do Pró-Álcool, em 1975, e o ano de 2000, a produtividade doscanaviais brasileiros aumentou 33% em média, a porcentagem de açúcar na canaaumentou em 8%, a eficiência da conversão dos úcares da cana em etanol subiu 14%e a produtividade do processo de fermentação aumentou 130% (MACEDO, 2006). Tudoisso implica em maior aproveitamento do solo e menor pressão ambiental.Quanto ao uso da terra, Tetti (2007) nos lembra que a cultura da cana é uma dasatividades agrícolas que apresenta os menores índices de erosão de solo e de uso dedefensivos e insumos químicos do mundo. A seguir, o Gráfico 1 mostra a quantidade defertilizantes utilizada pelas principais culturas no Brasil.
 
 
0,00,51,01,52,02,53,0
     B    a     t    a     t    a     t    o    m    a     t    e     F    u    m    o     A     l    g    o     d     ã    o     C    a     f     é     L    a    r    a    n     j    a     C    a    n    a     S    o     j    a     B    a    n    a    n    a     M     i     l     h    o     T    r     i    g    o     A    r    r    o    z     S    o    r    g    o     F    e     i     j     ã    o
 Gráfico 1 - Demanda* por fertilizantes pelas principais culturas (em tonelada de cana)Fonte: Elaborado pela UNICA (2007) a partir do cálculo entre a estimativa de consumo defertilizantes dividida pela área plantada. Dados do Anuário Estastico do Setor de Fertilizantes (2006)e da Associão Nacional para Difusão de Adubos (2007).
Pode-se verificar que a cana-de-açúcar utiliza menos fertilizantes que culturastradicionais no Brasil como o café, a laranja e o algodão. Quando comparada com abatata, um dos alimentos mais consumidos no mundo, a cana utiliza uma quantidade 6vezes menor de fertilizantes por hectare. Uma das maiores contribuições para a baixademanda de fertilizantes na cultura da cana é a prática da fertirrigação com a vinhaça,um efluente orgânico que até pouco tempo era descartado após o processamento dacana nas usinas, gerando emissões de efluentes nos rios e lagos. Como lembra SusaniTeixeira Coelho, 2007), secretária executiva do Cenbio (Centro Nacional de Referênciaem Biomassa), para que não haja danos a lençóis freáticos e cursos d’água, asaplicações devem ser inferiores a 300m³/ha e respeitar os parâmetros técnicosestabelecidos pela Cetesb.Outro fator importante é a rotação de cultura, uma prática cada vez mais comumentre os produtores. Ao fim de cada ciclo da cana (quando novas mudas devem serplantadas), plantam-se leguminosas que fixam nitrogênio no solo, substituindo parte daadubação química. As culturas mais utilizadas para rotação são a soja, o amendoim e ofeijão, pois além de auxiliarem na nitrogenização do solo encontram grande demandapor parte da indústria de alimentos. Portanto, a rotação não beneficia somente oprodutor. Estima-se que, com a rotação de cultura, entre 15 e 20% das terras utilizadaspara a produção de cana estejam, na verdade, produzindo alimentos. Considerando queo avanço atual da cultura ocupa, majoritariamente, terras até então subutilizadas pelapecuária extensiva, a expansão da cana apresenta, em muitos casos, o potencial paraampliar a produção de alimentos.A rotação é também um dos motivos pelos quais a cana se encontra dentre asculturas que menos utilizam defensivos, pois reduz a infestação de ervas daninhas. O usode defensivos químicos é uma das maiores ameaças da atividade agrícola para a fauna,flora e recursos hídricos. Embora utilize herbicidas, a cultura da cana se destaca peloeficiente controle biológico de suas principais pragas como a broca-da-cana e acigarrinha-da-raiz, reduzindo consideravelmente o uso de pesticidas e abolindo o uso de

Activity (14)

You've already reviewed this. Edit your review.
1 hundred reads
1 thousand reads
victormsantos liked this
leandro.ferrer liked this
primartins_c liked this
locaju liked this
Luana liked this
anderlk liked this
danielmaceio liked this
Luis Antônio liked this

You're Reading a Free Preview

Download
/*********** DO NOT ALTER ANYTHING BELOW THIS LINE ! ************/ var s_code=s.t();if(s_code)document.write(s_code)//-->