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Ana Maria Mendes,Lafaiete Neves, Lucia Sermann e Luís Machad

Ana Maria Mendes,Lafaiete Neves, Lucia Sermann e Luís Machad

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06/18/2012

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O CANDIDATO IDEAL - A CONSTRUÇÃO SIMBÓLICA DEUM PRESIDENTE POPULISTA NO BRASIL
Luís Henrique da Silva Machado 
1
 Lafaiete Santos Neves 
2
 Lucia Izabel Czerwonka Sermann 
3
 Ana Maria Coelho Pereira Mendes 
4
 
RESUMO
O artigo trata da construção simbólica de um presidente populista no Brasil.Para que sejamconsiderados populistas, os candidatos devem possuir certas características políticas epessoais que os enquadrem em um determinado conjunto lógico-matemático do imagináriocoletivo, para que sejam associados e vendidos como um “produto” resultante de pesquisas demercado. Todo esse sistema, para a manipulação do consumidor em favor de uma construçãosimbólica, tem em sua base ferramentas da Semiótica e do Marketing. As ferramentas deMarketing respondem as questões relacionadas ao mercado: que produto o mercado deseja,ou acha que deseja, no momento? A Semiótica se encarrega de mostrar como e quais são ossignos e símbolos que devem ser usados para que os consumidores desejem um produto emdetrimento de outro. Nesse jogo das imagens e do mercado, a habilidade que mais conta é acapacidade de “ser” o produto que o mercado procura – nem que seja “um aparentar ser”. Seas regras semióticas e mercadológicas forem obedecidas, os apostadores que arriscam palpitenesse produto, blefando ou não, vencem. A população absorverá o produto que vai aoencontro de suas necessidades. O objetivo desse artigo é descrever como se constróisimbolicamente o perfil do candidato ideal presidente populista no Brasil. Parte-se da descriçãodo populismo, dos pontos fundamentais sobre as questões do imaginário coletivo, sentido.Desenvolve-se a hipótese de que o Presidente Lula submeteu-se, por meio de mão-de-obraespecializada, a um processo de mudança de imagem, para se adequar ao conjunto lógico-matemático “ideal”, tornando-se Presidente.
Palavras-chave
: Populismo; construção simbólica; produto; imaginário coletivo.
1
FAE Centro Universitário. E-mail: lhsmachado@gmail.com
2
FAE Centro Universitário. E-mail: lafaiete.neves@fae.edu
3
FAE Centro Universitário. E-mail: lucia.sermann@fae.edu
4
FAE Centro Universitário. E-mail: ana.mendes@fae.edu
 
 
2
INTRODUÇÃO
O populismo é sempre uma forma popular de exaltação de uma pessoa na qualesta aparece como a imagem desejada para o Estado. É uma podre ideologia quese revela claramente a ausência total de perceptivas para o conjunto da sociedade.(WEFFORT, 1978)
Uma das afirmações mais comuns que se faz, por meio da mídia, sobre candidatos àeleição a cargos políticos, principalmente aos que disputam a “vaga” de Presidente daRepública, é a de que tais candidatos adotam “estratégias eleitorais populistas”. Para quesejam considerados como populistas, os candidatos devem possuir certas característicaspolíticas e pessoais que os enquadrem em um determinado conjunto lógico-matemático doimaginário coletivo, para que sejam associados e vendidos como um “produto” resultante depesquisas de mercado.Uma vez que sua imagem tenha sido bem construída e associada positivamente comopertencente a um determinado conjunto, diga-se “conjunto A”, cria no consumidor umsentimento de pertença, de proximidade – caso este consumidor se veja como pertencente ao“conjunto A” ou que precise de algo que tenha sua origem no “conjunto A”.Todo esse sistema, para a manipulação do consumidor em favor de uma construçãosimbólica, tem em sua base ferramentas da Semiótica e do Marketing. As ferramentas deMarketing respondem as questões relacionadas ao mercado: que produto o mercado deseja,ou acha que deseja, no momento? A Semiótica se encarrega de mostrar como e quais são ossignos e símbolos que devem ser usados para que os consumidores desejem um produto emdetrimento de outro.Nesse jogo das imagens e do mercado, a habilidade que mais conta é a capacidadede “ser” o produto que o mercado procura – nem que seja “um aparentar ser”. Se as regrassemióticas e mercadológicas forem obedecidas, os apostadores que arriscam palpite nesseproduto, blefando ou não, vencem. A população absorverá o produto que vai ao encontro desuas necessidades.Com base nestas idéias, o objetivo desse artigo é tentar descrever como se constróisimbolicamente o perfil do candidato ideal presidente populista no Brasil.Para isso, ferramentas da Lingüística, Semiótica e das Ciências Sociais serão usadas.Como partida, parte-se da descrição do populismo, dos pontos fundamentais sobre asquestões do imaginário coletivo, sentido, referencia até chegar ao exemplo.A esse respeito, desenvolve-se a hipótese de que o Presidente Lula submeteu-se, pormeio de mão-de-obra especializada, a um processo de mudança de imagem, de modo a seadequar ao conjunto lógico-matemático “ideal”, para tornar-se Presidente.Como exemplo, serão comparadas as campanhas de Lula à Presidência nos anos de1989 e 2002, e as mudanças respectivas de sua imagem para a adequação ao referidoconjunto. Logo de início, faz-se necessária a exposição, ainda que brevemente, sobre o que foio populismo no Brasil.
 
 
3
1 O POPULISMO
Pode-se dizer que Ianni (1975 e 1991) e Weffort (1989) estão entre os primeirosestudiosos que trouxeram o problema do “populismo” para a discussão acadêmica no Brasil apartir da década de 1960.Para esses autores, o populismo foi um período vivido pelo Brasil entre os anos 1930 e1964, que consistia em um sistema de dominação e sustentação política num momento em que oBrasil passava por processo de urbanização e industrialização intensas. A substituição de produtosimportados por produtos fabricados pela indústria brasileira, o nacionalismo e a oposição àoligarquia, são algumas das características mais fortes dos populistas e do populismo.Para Ianni (1991, p.160), este sistema era uma espécie de front, constituído por váriasclasses cujo surgimento se dá num contexto histórico apropriado, devido “a ausência de umaclasse social suficientemente forte, politicamente organizada e com visão hegemônica de sipara assumir e exercer o poder sozinha. Por isso, a aliança se torna necessária”.Um outro ponto que deve ser analisado, é a questão subjetiva da imaturidade, da faltade consciência de si do proletariado urbano. Este seria um dos pontos de apoio das
lideranças
populistas. Sem uma consciência de si como um agente social, o proletariado não possuía umaorganização adequada para a criação de partidos e sindicatos autênticos, que realmenterepresentassem seus interesses, sujeitando-se assim a uma representação personificada, quedespertasse forte vínculo emocional e cujas ações pudessem construir pontes entre oproletariado e o Estado.Para a construção do contexto do populismo, não se pode ainda deixar de fora asgrandes crises financeiras, a inflação alta, a grande desigualdade social e muita instabilidadeeconômica. Com a adição de mais esses elementos, o populismo se atrela ao econômico,dando origem à expressão: “populismo econômico”. Segundo Dornbusch e Edwards (1991,p.151), o populismo econômico é “uma abordagem à economia que enfatiza o crescimento e aredistribuição de renda, desconsidera os riscos de inflação e o financiamento inflacionário dodéficit, as restrições externas e a reação dos agentes econômicos a políticas agressivas quenão se valham dos mecanismos de mercado”.Como pode se observar, não é difícil descrever as características mais básicas quefavorecem ao populismo: a existência de uma situação recessiva, boa parte da capacidade deprodução ociosa e desemprego elevado. Qual seria a resposta a tudo isso? Um programa queestimule o crescimento! Como? Através de um pacto entre a burguesia e o proletariado urbano,cujo objetivo central é a redução das desigualdades e os conflitos sociais. Com que apelo?Redistribuição de renda e elevação dos salários.Em todos os discursos populistas essas características são como colunas desustentação. Assim, a irresponsabilidade, a irracionalidade e a demagogia são alguns doscomponentes mais básicos do populismo.De modo reducionista, este foco que privilegia a dimensão econômica do populismo émarcado pela idéia de uma integração profunda à economia internacional, considerando-a uma

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