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O Colorido Cinema Queer

O Colorido Cinema Queer

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 1
O COLORIDO CINEMA QUEER: ONDE O DESEJO SUBVERTE IMAGENSMargarete Almeida Nepomuceno
Universidade Federal Da Paraíba-UFPB
Resumo
 Este trabalho tem a intenção de provocar questionamentos sobre a cena contemporâneado Cinema
Queer 
(
 New Queer Cinema
)
 ,
termo re/apropriado da Teoria/Estudos
Queer 
 que propõe re/pensar as identidades a partir do seu lugar de ambigüidade. Uma novageração de cineastas se destaca na construção de filmes com abordagens sobre aprodução da diferença dos corpos, gêneros, sexualidades e, mais interessada nacomplexificação das subjetividades ambíguas e transgressivas. O Cinema
Queer 
passaentão a ser utilizado como produção de uma prática discursiva que entrecruza osmúltiplos componentes de subjetividades que são agenciadas tanto pelos modelos fixosde sexualidade, com seus processos de normatização e vigilância, como também pelodesejo, escolhas pessoais do próprio corpo e auto-referência de gênero.
Palavras-Chaves
: Cinema. Queer. Subjetividades.O território do cinema contemporâneo vem abrindo novas paisagens devisibilidade para que os personagens
queers
possam encenar suas performances deidentidades múltiplas através de corpos-devir. Dos guetos, das sombras e dasinfiltrações subterrâneas para as telas cinematográficas. Quando recorto a figura dos
queers
, me refiro aos que estão encenando a mobilidade entre o feminino e o masculino,independente do sexo e do gênero experenciado no corpo. Na tela, além de homens emulheres com performances transgêneros
1
, protagonizam os enredos uma gama devariabilidade de gêneros, como os travestis, transexuais, transformistas,
drags kings,drags queens
, intersexuais,
crossdressers
, entre outros infinitos arranjos identitários,chamados também de pomossexual(fusão da palavra pós-modernidade e sexualidades) epós-gay.Nascido no território do cinema independente dos Estados Unidos apartir dos anos de 1990, o
 New Queer Cinema
representa um cenário que investe em
1
Vale a pena frisar que o conceito transgênero, importando dos movimentos sociais americanos, vemsendo utilizado no Brasil como um aglutinador das identidades polimorfas, principalmente aquelas queintervêm corporalmente para a construção de um gênero diferente do sexo biológico. Ao utilizar o termo,não pretendo com isso, desconsiderar que se trata de diferentes subjetividades e, portando, com peculiaresespecíficas.
 
 
 2uma prática discursiva positiva sobre o homoerotismo, em uma época que o públicoGLBT– gays, lésbicas, bissexuais e travestis, transexuais, transgêneros – estava sendoalvo de uma guerrilha moral devido a crescente expansão da Aids em todo mundo. Otermo
 New Queer Cinema
foi assim determinado pela crítica de cinema e feministanorte-america B. Ruby Rich, em um artigo publicado em 1992 na revista britânica
Sight & Sound 
, onde a mesma buscava conceituar a efervescente produção cinematográficacom temáticas gays bastante difundidas nos circuitos e festivais de cinemaindependentes ou nos festivais de cinema exclusivamente GLBT
2
. Alguns dos filmesque marcaram presença nesta nova configuração foram
Young Soul Rebels
(1991, IsaacJulien),
Veneno
(1990, Todd Haynes),
 Eduardo II 
(1992,Derek Jarman) e
Swoon
Colapso do Desejo
(1992,Tom Kalin).Esta geração de cineastas se destacou pela construção de filmes comabordagens menos sensacionalista sobre a produção da diferença dos corpos, gêneros,sexualidades e, mais interessada na complexificação das subjetividades ambíguas etransgressivas. O
 New Queer Cinema
passou então a ser esta janela que dá visibilidade aencruzilhada de múltiplos componentes de subjetividades que são agenciadas tantopelos modelos fixos de sexualidade, com seus processos de normatização e vigilância,como também pelo desejo do devir, das escolhas pessoais do próprio corpo e da auto-referência de gênero. Entre as vozes dissonantes estão os cineastas abertamente gaysque se destacam neste contexto como: o americano Gus Van Sant, diretor de filmesemblemáticos a exemplos de
 Mala Noche
(1985),
Garotos de Programa
(1991) ao
 
mais recente
Milk- A voz da Igualdade (2008);
o britânico Derek Jarman, comproduções marcantes
como Eduardo II 
(1992),
Caravaggio
(1986), além de ToddHaynes, com uma cinematografia de peso marcada pelo filmes
Veneno
(1990),
Velvet Goldmine
(1998),
 Não Estou Aí 
(2008) e o aclamado
Tão Longe do Paraíso
(2002).Antes de percorrer as trilhas desta recente produção fílmica, enfatizo osnovos saberes propostos pelos Estudos/Teoria
Queer,
que cada vez mais ganha espaçonas discussões sobre a sexualidade, com uma crítica epistêmica da produção disciplinardos gêneros no regime discursivo heterossexual. Este campo discursivo só é possível
2
Entre os festivais pioneiros sobre a produção de temática homoerótica está o Primeiro Festival de SãoFrancisco (1976/1977) – nomeado San Francisco
 International Lesbian and Gay Film Festival
.
 
 3porque a sexualidade no final do século XIX passa a se constituir como prioritária paraa formação do sujeito moderno. Daí prolifera-se novos saberes que instauram acientificidade para as múltiplas questões relativas à sexualidade e a intimidade. Desdeentão, este é um terreno fértil a ser desenvolvido pelas instituições acadêmicas comotambém pelos movimentos sociais organizados. A escrita de si e do outro, a partir dassubjetividades e das vivências da sexualidade extrapolam estes territórios e, passa a serespetacularizada, especularizada e visibilizada como interesse central dos meios decomunicação de massa:
O essencial é bem isso: que o homem ocidental há três séculos tenhapermanecido atado a essa tarefa que consiste em dizer tudo sobre seusexo; que, a partir da época clássica, tenha havido uma majoraçãoconstante e uma valorização cada vez maior do discurso sobre o sexo;e que se tenha esperado desse discurso, cuidadosamente analítico,efeitos múltiplos de deslocamento, de intensificação, de reorientação,de modificação sobre o próprio desejo (Foucault, 1994)
O cinema ao longo de sua história, instituiu valores e representações quecontribuíram para definir a rigidez dos papéis dicotômicos entre hetero/homo,homem/mulher e masculino/feminino, reapropriando-se das relações do poderfalocêntrico, heteronormativo e patriarcal. O cinema narrativo clássico hollywoodiano
 
reforçou na sua trajetória, dispositivos semióticos dos modelos dos heróis, bravos,guerreiros, tidos como lugar dos machos e, as frágeis, doces, sensíveis e sonhadoras,para as mocinhas-fêmeas. Um cinema que negou às diferenças sexuais e o lugar dasmulheres como sujeitos do desejo, do poder ou saber.A transgressão das identidades no cinema foi construída imageticamentepor fissuras na tela, por onde escorriam meta-linguagens e outros sentidos não ditos,parafraseados em circunstâncias que ora levava o deboche e a comédia ou ora vistocomo um drama a ser revelado, uma questão a ser descoberta. As sexualidadesvariáveis, quando permitidas, detinham uma narrativa ideológica que marcava adiferença e a exclusão da norma, da ordem, do instituído. Um caminho traçado sempreàs paralelas, sendo definido e definindo-se como algo proibido, culpabilizado, ou ainda,na vertente do riso e do escracho, onde as linhas do eu e do outro ficam mais fortementeseparadas pelo que não reconheço em mim.

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